México fincará na Lua primeira bandeira latino-americana

O México anunciou semana passada que está se preparando para enviar à Lua oito robôs projetados em seus laboratórios nacionais. Desta forma, no segundo semestre de 2019, ele pretende cumprir seu sonho de se tornar o primeiro país da América Latina a pousar na Lua e fazer tremular sua bandeira no satélite branco, em oito lugares diferentes.

“Haverá oito robôs autônomos e inteligentes que no total não pesam mais de meio quilo e serão lançados em diferentes pontos da superfície lunar”, anunciou o Fórum Consultivo Científico e Tecnológico em 12 de dezembro. Os robôs “funcionarão como enxames e poderão montar estruturas na superfície lunar, superando as adversidades atmosféricas”.

O robô da Astrobtic Technology com painéis solares que serão construídos e acoplados remotamente em solo lunar (Astrobotic Technology)
O robô da Astrobtic Technology com painéis solares que serão construídos e acoplados remotamente em solo lunar (Astrobotic Technology)

“Com este projeto, o México se tornaria o primeiro país latino-americano a concretizar o sonho da conquista lunar, o que demonstraria a capacidade de produzir uma carga útil lunar e um sistema autônomo de robôs para a construção de estruturas no espaço”, salientou a equipe científica.

O astrônomo alemão Johannes Kepler ao deixar sua obra intitulada ‘O Sonho ou a Astronomia da Lua’, em 1609, estabeleceu a preocupação sobre as viagens espaciais; e a Rússia, em 1959, empreendeu a façanha de enviar a primeira sonda, seguida pelos Estados Unidos, que, dez anos mais tarde, enviou o primeiro ser humano.

Em 1990, o Japão conseguiu realizar o sonho de Kepler ao enviar sua sonda Hiten; e, neste século, a Índia e a China também se juntaram à exploração lunar.

“Parece que ir para a Lua e explorar o espaço seria uma exclusividade dos países mais ricos, no entanto, não é assim. O México procura conquistar a Lua, e não vai fazer isso com homens ou com satélites, mas com robôs para construir estruturas”, declarou a equipe de cientistas mexicanos.

Os robôs serão projetados e construídos pelo Laboratório de Instrumentação Espacial (LINX) do Instituto de Ciências Nucleares da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).

A UNAM descreve-os como equipamentos simples, leves porém robustos. Possuem um consumo mínimo e não precisam ser consertados, mas substituídos por unidades reserva.

De acordo com a declaração da missão científica, os robôs serão enviados em parceria com a empresa americana Astrobotic Techology, que também aproveitará a viagem para atender às necessidades de vários clientes, incluindo empresas, universidades e governos.

Uma vez que os robôs sejam lançados, eles trabalharão por conta própria, para construir um painel solar. “Embora pareça simples a montagem de um painel solar com robôs autônomos, não é. Mas além do objetivo desta primeira missão, a tecnologia que o México irá desenvolver poderá permitir no futuro próximo começar a construir uma base lunar com esses robôs para iniciar não apenas a conquista de Marte, mas do espaço.”

Os cientistas anunciam que esperam mudar a mentalidade dos mexicanos. Pouco depois de a bandeira ser fincada na Lua, se aspira desvendar novos conhecimentos e oportunidades. Uma deles é estabelecer trabalhadores robôs para uma futura escala de viagens ao resto do Sistema Solar.

Lua cheia de 3 de dezembro de 2017 observada a partir do Observatório de Mamalluca, em Vicuña, na região de Coquimbo, Chile. A Lua é parada obrigatória de futuras viagens interplanetárias (Space Weather Gallery)
Lua cheia de 3 de dezembro de 2017 observada a partir do Observatório de Mamalluca, em Vicuña, na região de Coquimbo, Chile. A Lua é parada obrigatória de futuras viagens interplanetárias (Space Weather Gallery)

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