Jornalistas veteranos chineses discutem busca da verdade e curiosidade na China moderna

O texto a seguir é uma tradução abreviada de um lamento recente sobre o status da verdade e da busca da verdade na China contemporânea que se tornou viral no final de fevereiro. Foi escrito por “youyouluming99”, um usuário do WeChat, cuja identidade real é desconhecida. – tradução do Epoch Times

Numa reunião de cerca de 20 ex-profissionais da mídia, uma pessoa afirmou que, em seu trabalho de investigação, enquanto buscava a verdade, ele era frequentemente perguntado: “Por que vocês fazem isso? Seu trabalho árduo não lhe traz qualquer retorno. Vocês ferem os outros e não ganham nada com isso.” Todos na reunião concordaram. Sim, de fato é assim, e não poderia ter sido dito com mais precisão.

Algumas dessas pessoas haviam trabalhado para meios de comunicação que tiveram um grande impacto na China. Alguns até tinham reputação internacional. Seu trabalho afetou a vida de muitas pessoas.

Há uma história que ilustra bem esta afirmação. Muitos anos atrás, uma mídia sediada em Shanghai desenterrou e expôs os segredos podres de uma grande empresa de Pequim. O chefe da empresa fez as seguintes suposições: (1) A mídia quer dinheiro, quanto dinheiro? (2) Esta mídia nos expôs sem nos informar primeiro. Isso deve ser parte da estratégia de um concorrente de Shanghai, já que a mídia é de Shanghai. Devemos investigar isso! (3) Esta mídia está agindo sob as ordens de algum poder político?

Na verdade, não havia qualquer segunda intenção ou conspiração por trás das revelações. Esta mídia estava simplesmente expondo os esqueletos no armário que ela encontrou. “Não é isso o que devemos fazer?”, perguntou o editor-chefe.

No entanto, o chefe da empresa estava intrigado. “O que essas pessoas querem?” Eles tentaram de tudo para perseguir os líderes da mídia e até repetidamente ameaçaram matar o editor-chefe.

Aos olhos do editor-chefe, essas ações eram ridículas.

Algum tempo depois, um homem rico se aproximou da mídia. Ele sugeriu ao editor-chefe que lhe pedisse um favor. O editor perguntou: “Para quê? Era a verdade. Nós apenas comunicamos a verdade.”

Não há muitos que consideram a pergunta: “Para quê?”

Os repórteres investigativos desenterram a verdade.

Se você perguntar a um alpinista: “Você se esforça tanto para escalar uma montanha. Para quê?” A resposta é realmente simples, “Porque a montanha está lá.”

Os propósitos da vida são apenas conseguir promoções na carreira e ficar rico? Podem estas duas metas apenas fazerem uma pessoa feliz?

Não.

Promoções na carreira e ganhar dinheiro podem fazer as pessoas felizes, mas, se essas fossem as únicas fontes de felicidade, a vida seria entediante, triste e superficial.

Qualidade de vida pode ser obtida por meio do poder e do dinheiro, mas não apenas por meio do poder e do dinheiro. A felicidade vem de um número de coisas. Podemos experimentar a felicidade por meio de promoções e riqueza, bem como pela liberdade de pensamento e pela busca da verdade.

Não há necessidade de falar sobre “servir ao povo”, tornar-se um “prospetor da era” ou “defender o céu e a terra e construir uma reputação para o povo”. Fazemos isso simplesmente para encontrar a verdade. A verdade é bela.

Descobrir a verdade diz respeito ao homem idoso em Pequim que continua a apontar o lápis por décadas; aos velhos agricultores da província de Fujian que insistem na agricultura não mecanizada e no uso de suas próprias sementes; à família no Japão que cultiva apenas um tipo de pêssego por gerações. Encontramos beleza na ponta do lápis escrevendo suavemente, no vento soprando e vergando as espigas de arroz e nos pêssegos dobrando os ramos das árvores.

A verdade é o fundamento da felicidade. Muitas vezes ela é impulsionada pela curiosidade.

O escritor russo Solzhenitsyn disse uma vez: “Uma declaração verdadeira tem mais peso do que o mundo inteiro.”

Se você perguntasse a Solzhenitsyn: “Para quê?” Você seria considerado uma criatura de outro planeta.

Há mais e mais mídias hoje em dia. A informação nos ocupa 24 horas por dia, inclusive quando estamos no banheiro ou dormindo. Mas, na realidade, há cada vez menos notícias. A notícia real é extremamente rara. Visões independentes e conhecimento real estão se tornando cada vez mais reduzidos. Há bolhas em toda a parte.

Os 20 ex-jornalistas que eu mencionei acima foram outrora pioneiros como profissionais da mídia. Eles costumavam arriscar suas vidas para noticiar com paixão. Nenhum deles está trabalhando na indústria da mídia agora. Alguns estão criando porcos, outros administrando dinheiro, vendendo mobília, fazendo filmes, fornecendo serviços de imigração, vendendo livros, trabalhando em relações públicas e alguns até servem no serviço público.

Ninguém está trabalhando no negócio de notícias. Não porque eles não queiram, mas porque não é possível relatar notícias. Eles tiveram que desistir.

Seu trabalho árduo não lhes trouxe nada. Eles apenas magoaram os outros sem qualquer ganho para si mesmos. Só lhes restou a opção de se sentarem para beber e não pensar nas razões por trás disso.

 
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