Revolução Cultural da China pode se repetir em breve no Tibete

O PCC forçou a recolocação dos tibetanos em áreas previamente designadas, restringiu o uso e o ensino da língua tibetana, passou a supervisionar rigorosamente todos os mosteiros e promoveu à força a "educação patriótica"

Por Flora Yan

Recentemente, o The Print usou imagens de satélite para mostrar que pelo menos três “campos de reeducação” estão atualmente em construção no Tibete. O autor da investigação, Vinayak Bha, é coronel aposentado da unidade de inteligência militar da Índia e é um reconhecido especialista em pesquisa por imagens de satélite. Ele repetidamente revelou a dinâmica da implantação militar chinesa através de fotos de satélite. Desta vez, ele revelou que as autoridades chinesas levantaram edificações no Tibete. O chamado “templo” do budismo tibetano é na verdade um campo de concentração rodeado por altos muros e torres de vigilância e tem o mesmo desenho estrutural de uma prisão. Analistas alertaram que a China poderá em breve iniciar prisões em massa de tibetanos seguindo o mesmo padrão dos campos de concentração para muçulmanos uigures em Xinjiang.

Desde 2009, minorias étnicas em Xinjiang são presas e supostamente torturadas pelas autoridades chinesas. Se o regime chinês começar outra terrível campanha de repressão no Tibete, semelhante ao que aconteceu durante os 10 anos da infame Revolução Cultural chinesa, a herança cultural única do Tibete poderá sofrer outra catástrofe.

Recentemente, o regime chinês proibiu turistas estrangeiros de visitar o Tibete devido a um aniversário importante: o dia 10 de março de 2019, quando será comemorado o 60º aniversário do Levante Nacional Tibetano contra a ocupação da capital Lhasa pelo Partido Comunista Chinês (PCC).

Olhando para trás na história, constata-se que o regime do PCC já causou danos catastróficos à cultura do Tibete.

De acordo com várias autobiografias tibetanas e coleções de fotos da Revolução Cultural encontradas em Lhasa nos últimos anos, apesar do do PCC ter repetidamente garantido a liberdade religiosa e o respeito pelos estilos de vida locais em sua ocupação do Tibete, em meados da década de 1950 ele iniciou a chamada “reforma democrática” a fim de realizar reformas agrárias e estabelecer comunas populares. O Partido tomou pela força ou comprou propriedade privada, ferramentas de produção e cabeças de gado a preços extremamente baixos.

Mais tarde, o PCC considerou o budismo tibetano, que é a pedra angular da cultura do Tibete, como uma “superstição feudal” e passou a encarar os templos tibetanos como “quartéis-generais contra-revolucionários” e os monges como “contra-revolucionários”. Como resultado, um grande número de templos foi destruído e centenas de milhares de anos de relíquias históricas guardadas nos templos foram saqueadas. Muitos monges foram sequestrados e presos após serem criticados e maltratados. As vidas dos tibetanos foram ameaçadas, sua cultura destruída e suas crenças religiosas estavam à beira da extinção. Portanto, dezenas de milhares de tibetanos, incluindo agricultores, pastores, comerciantes, soldados e até mesmo monges, decidiram pegar em armas e então organizaram ataques de guerrilha, mesmo sabendo que aquela não era a melhor opção a tomar. Eles lutaram tropas militares bem treinadas em três distritos do Tibete, incluindo Weizang, Amdo e Kang, com armas extremamente rudimentares e munição insuficiente.

O Dalai Lama fugiu para a Índia em 1959, e o movimento de resistência no Tibete continuou até a década de 1960, quando foi completamente reprimido pelo PCC. Mas o sofrimento dos tibetanos não terminou aí. Mais tarde, durante a Revolução Cultural, a cultura tibetana foi sistematicamente destruída.

Durante a Revolução Cultural, todas as atividades religiosas e culturais foram proibidas, como a recitação de escrituras e a confecção de lâmpadas de manteiga de iaque. Dezenas de milhares de monges foram forçados a se secularizar, casar ou foram enviados para campos de trabalho. Um grande número de escrituras, relíquias culturais, estátuas de Buda e decorações arquitetônicas foram destruídas, queimadas, roubadas ou enviadas para fora do Tibete para venda. A praça que os monges usavam para estudos e a oração do Dharma se tornou um local de humilhação pública contra os monges. O centro do Templo de Jokhang foi “renovado” para ser usado como chiqueiro de porcos. A mesma tragédia ocorreu em toda a região do Tibete, bem como nas províncias vizinhas de Qinghai, Gansu, Sichuan e Yunnan.

Dados históricos mostram que, desde 1949, quando o PCC iniciou a invasão do Tibete até o fim da Revolução Cultural em 1979, o regime chinês causou um total de 1,2 milhão de mortes de tibetanos (incluindo as províncias vizinhas), o que representa quase 20% de toda a população tibetana de 6 milhões. A destruição de mais de 6.000 mosteiros causou danos irreparáveis à cultura tibetana.

Tal destruição continua até hoje. O PCC forçou a recolocação dos tibetanos em áreas previamente designadas, restringiu o uso e o ensino da língua tibetana, passou a supervisionar rigorosamente todos os mosteiros e promoveu à força a “educação patriótica”, o que acelerou a destruição da cultura tibetana e o saneamento do Tibete. Muitas crianças tibetanas que vivem em áreas metropolitanas como Lhasa há muito tempo perderam a capacidade de se expressar em sua língua materna.

O que o Tibete experimentou é apenas um exemplo da destruição da cultura tradicional e étnica pelo PCC. Ao mesmo tempo, todos os grupos étnicos, incluindo a maioria do grupo étnico Han, foram submetidos a diferentes graus de opressão sob o regime do PCC. Nos últimos 70 anos, o regime comunista chinês causou sofrimento insuportável ao povo chinês. Mas como diz o velho ditado, o bem e o mal terão sua retribuição. Sinais recentes estão mostrando que o PCC está chegando ao fim de seus dias. A glória da civilização chinesa de 5.000 anos continuará a brilhar sem a sombra comunista.

Flora Yan é formada pela Universidade de Washington em Seattle com dupla especialização em ciência política e comunicação. Ela realiza investigações relacionadas ao impacto da propaganda na opinião pública e na política pública; o papel da propaganda nos países totalitários; e a conexão entre direitos humanos e política externa. Como analista de assuntos chineses, ela está particularmente interessada em questões de direitos humanos na China.

O conteúdo desta matéria é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Epoch Times

 
Matérias Relacionadas