A picuinha entre liberais e conservadores tem de ser superada

A cada dia que passa fico mais perplexo com a obsessão de alguns liberais e conservadores em criar uma verdadeira frente de combate entre ambos. Não concordo com tudo o que cada linha de pensamento defende. Todavia, o núcleo ideológico dos conservadores é muito próximo ao dos liberais. A grande maioria concorda com a premissa de que a intervenção do Estado na esfera particular do indivíduo é nociva. Defendem, por um lado, que o livre mercado é a melhor escolha e que a liberdade de expressão é fundamental. Afirmam, por outro, que os princípios democrático e republicano, em conjunto com o direito de propriedade, são pilares de uma sociedade livre.

Os pontos de divergência, em minha opinião, são meramente acidentais e não essenciais – estão todos na periferia. Gastar tempo com essa batalha sem sentido é desperdício de energia e perda de tempo. No momento, como já disse diversas vezes, corremos sério risco de um totalitarismo de esquerda. O Partido dos Trabalhadores está a um passo de ficar, pelo menos, 4 (quatro) mandatos seguidos no poder. Isso, caso seu plano de dominação total e absoluta, por alguma razão, vá por água a baixo.

Nos últimos anos a esquerda foi gradativamente solapando as instituições democráticas e o princípio republicano. Enquanto isso, perdemos tempo numa verdadeira picuinha entre liberais e conservadores. Ora bolas caçarolas, ao focar nessa frente deixamos a esquerda totalitária seguir placidamente em seu objetivo.

Faço uma simples indagação: antes de tomar o poder, alguém havia visto qualquer ataque entre os membros da esquerda? Eu nunca vi. Ainda que eles tenham divergências, isso nunca os impediu de unir as forças com vistas ao “plano maior de dominação e poder”.

No entanto, alguns liberais insistem em atacar conservadores (e vice versa). Isso, num país no qual o espetro político é monopolizado pela esquerda em conjunto com puxa sacos fisiológicos que adoram a posição de “amigos do rei”. Ou seja, somos reféns de totalitaristas e aproveitadores.

Se continuarmos assim, sinceramente, seremos escravos da esquerda para sempre. Em artigo recente, apontei que o Brasil despencou da posição 58 para 114 no ranking de liberdade econômica da Heritage Foudation, desde que o Partido dos Trabalhadores assumiu o poder. Estamos marchando para algum lugar próximo à Coreia do Norte e Cuba, respectivamente 178 e 177. Enquanto isso, liberais e conservadores – sem qualquer representatividade política no país – perdem tempo e foco com batalhas inúteis.

Já está na hora de por as picuinhas de lado e criar uma oposição verdadeira.  Se algum liberal ou conservador acha que devemos ser iguais, eles estão enganados e devem se juntar à esquerda imediatamente. Partindo da premissa de que somos todos diferentes, deveríamos nos concentrar no que é essencial: impedir que a ditadura totalitarista, atualmente em gestação, se concretize.

Estamos no momento de gastar tinta, megabytes, tempo e foco em debates periféricos? Acho que não. Repito o que disse linhas acima, não temos (liberais e conservadores) qualquer representatividade política! Com todo respeito, essa batalha me parece discussão de bêbados nos bares da vida. Não vamos a lugar nenhum com isso.

Fico imaginando a alegria que os esquerdosos sentem quando percebem que somos incapazes de nos unir em torno das questões essenciais. Eles devem gargalhar e dizer: “Essa turma não traz qualquer risco para nós.” E, assim, nos tornaremos cúmplices do golpe por absoluta falta de tolerância e capacidade política para viver num regime democrático, respeitando nossas diferenças e nos unindo em torno das semelhanças.

Aos “dinheiristas” de plantão, não se assustem e podem ficar bem tranquilos. A esquerda não vai acabar com o capitalismo, vai usá-lo em prol do Estado, tal qual os chineses. Podem continuar tomando champanhe, comendo caviar, andando de Ferrari, usando roupas de grife… Nada disso mudará, afinal de contas, todos – pobres e ricos – precisam de “pão e circo”.

Esta matéria foi originalmente publicada pelo Instituto Liberal

 
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