Inovação e liberdade são os maiores problemas da China, aponta estudioso chinês

Nos últimos cem anos a sociedade humana tem experimentado uma forte globalização. A origem disso tudo foi quando Cristovão Colombo descobriu a América há cerca de 500 anos. Desde então, o mercado se manteve em constante expansão, resultando no aprofundamento da divisão do trabalho, o avanço da tecnologia e o crescimento da riqueza material. No centro deste palco estão os empresários, pois o mercado não se faz por si só. O mercado é composto por empresários. Por exemplo, sem telefones celulares, não haveria mercado de telefonia móvel. Todos os mercados são criados por empresários, que também criaram a divisão do trabalho. Inovar é a função básica de um empresário. Ele gera crescimento econômico e aumenta a riqueza da população. Transformação e desenvolvimento de novos mercados é o trabalho de um bom empreendedor.

Hoje, a China tem um generalizado cenário de excesso de capacidade. Isso significa que os empresários chineses não desenvolvem novos mercados. Apesar da riqueza ter aumentado nas últimas décadas, o mercado está saturado, falta inovação.

São duas as razões para a falta de inovação na China: produtos falsificados e restrições político-sociais.

Produtos falsificados

A partir da década de 1980, os empresários chineses começaram a sentir o que é ter sucesso nos negócios, pois ainda existiam muitos mercados a serem explorados na China. Naquela época, a “prosperidade” foi conseguida simplesmente copiando os produtos existentes de outros países. Em outras palavras, eles fizeram dinheiro com produtos falsificados. Com o passar do tempo, os chineses não se preocuparam em inovar para atender às novas demandas e necessidades do mercado.

Restrições Sociais

Outro fator é o sistema político-social da China. O esquema social define se os empresários se voltarão na direção da inovação ou regulamentação. A regulamentação não traz muitos riscos ou incertezas. A inovação, no entanto, é bastante incerta. O empresário precisa ver algo que ninguém mais enxerga, com algumas pessoas considerando a ideia maluca. Em um sistema que não tolera a liberdade, nem provê a garantia básica de direitos sociais, incluindo o direito de possuir os retornos sobre a inovação, a maioria dos empresários simplesmente não vai se importar em inovar.

Um país que não possui um sistema judicial justo produzirá mais iniciativas reguladoras. Sem um Estado de Direito e políticas transparentes, onde as regras sobre os direitos civis estão em constante transformação, os empresários não podem inovar. A inovação leva tempo. Pode levar três, cinco, dez ou até mesmo vinte anos para se desenvolver um novo produto.

Um bom exemplo é a navalha Gillette. Rei C. Gillette era um pequeno comerciante de porta-a-porta no final de 1800. Sua ideia inicial para o desenvolvimento foi uma lâmina de barbear barata, mais segura e descartável. A ideia foi concebida por seu aborrecimento de sempre se cortar ao fazer a barba. Ele conversou com diversos especialistas que lhe disseram que não era possível, e que não havia nenhuma maneira para fazer aço tão fino e barato. Mas Gillette não acreditava nisso e perseguiu seu ideal até que finalmente conseguiu após seis anos. Seis anos é realmente pouco tempo para o desenvolvimento de um novo produto, em comparação com os desafios e falhas que muitos inventores têm enfrentado.

Se a China realmente transformar seu modelo de crescimento de alocação de recursos para inovação, consequentemente, os empresários também devem mudar o padrão: da regulamentação para a inovação. Para incentivar a inovação, os sistemas econômicos e políticos da China devem sofrer mudanças radicais. Citando Tyler Cowen em “A grande Estagnação: Somente através de um Estado de Direito que restringe o poder do governo, os empresários podem ter a capacidade e a confiança de fazer previsões razoáveis e investir no futuro”.

A China, todavia, precisa realizar reformas em outras áreas, incluindo o sistema educacional. Quando a mente do povo chinês, especialmente dos alunos e acadêmicos, se libertar das velhas tendências, novas ideias emergirão. Toda inovação começa a partir de uma ideia, uma ideia que a maioria das pessoas desconhece. Somente assim a China poderá ter um sólido crescimento econômico no futuro. Inovação, na verdade, é igual a liberdade.

Zhang Weiying, é economista e ex-chefe da Escola de Administração Guanghua da Universidade de Pequim

 
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