EUA preparam-se para a maior celebração do Juneteenth dos últimos anos

Por EFE

Washington, 18 jun – A edição de 2020 do Juneteenth, a celebração da emancipação da população negra dos Estados Unidos, será provavelmente uma das mais importantes desde a criação da data, em 1866 – um ano após o fim efetivo da escravidão -, pois desta vez está ligada ao aumento dos protestos contra a violência policial e a discriminação racial no país.

Nesta sexta-feira, cidades como Washington, Nova Iorque e Detroit, entre muitas outras, serão palco de comemorações que, em alguns casos, durarão uma semana inteira.

A morte de George Floyd durante uma abordagem policial feita por um agente branco, no dia 25 de maio, bem como a de tantos outros negros, parece ter dado um grande impulso à celebração, que teve origem no Texas, o último estado a abolir a escravidão, dois anos e meio após o presidente Abraham Lincoln ter declarado seu fim.

O que significa Juneteenth?

Uma mistura, em inglês, de 19º (nineteenth) e junho (“june”). A celebração remonta a 19 de junho de 1865, o dia em que o general Gordon Granger chegou a Galveston, no Texas, uma das últimas regiões onde a escravidão ainda era praticada apesar de sua abolição em 1863, e anunciou o fim da Guerra Civil e a proibição da prática.

Um ano depois, a população negra do Texas começou a comemorar esse dia com o nome Juneteenth, com eventos comunitários como desfiles, orações em massa, leituras e apresentações musicais.

Quando os negros do Texas migraram pelo país, levaram consigo essa tradição e, com o tempo, cada comunidade criou os próprios costumes, como vestir roupas extravagantes, confraternizar em churrascos e realizar desfiles.

Desde então, este dia também é conhecido como Dia da Emancipação ou Dia da Independência dos Negros.

Declínio e renascimento da festa

Com a chegada do século XX, a data perdeu importância para o recém-instituído Dia da Independência, em 4 de julho. Além disso, a Grande Depressão (1929-1939) deu um impulso quase final a esta celebração, relegando-a ao esquecimento quase total.

No entanto, a ascensão do Movimento dos Direitos Civis na década de 60 levou ao ressurgimento do Juneteenth, culminando na Marcha dos Pobres em 1968, em Washington, liderada pelo reverendo Ralph Abernathy, que inspirou alguns dos protestos mais importantes da atualidade, como os de Milwaukee e Minneapolis.

Juneteenth hoje em dia

Este dia é oficialmente reconhecido como feriado no distrito de Columbia e em todos os estados dos EUA, exceto Dakota do Norte, Dakota do Sul e Havaí.

O primeiro estado a declarar o Juneteenth como feriado oficial foi o Texas, em 1980, e desde então foi seguido por outros, embora apenas três (Oklahoma, Minnesota e Flórida) o tenham feito antes do início do século XXI.

O Juneteenth não é um feriado nacional, apesar dos apelos feitos nas últimas décadas por alguns legisladores, como a representante Sheila Jackson e os senadores Bill Nelson e Cory Booker.

A pressão popular para que o Juneteenth se tornasse um feriado nacional tem aumentado. Prova disso é o sucesso da petição da Fundação Nacional de Observação do Juneteenth, no portal “Change.org”, que até hoje tinha sido assinada por mais de 300 mil pessoas.

Juneteenth com nome próprio: George Floyd

Para este ano, a expectativa é que as mobilizações do Juneteenth se tornem especialmente relevantes após os protestos contra a violência policial decorrentes da morte de George Floyd.

O presidente dos EUA, Donald Trump, havia marcado uma reunião em Tulsa (Oklahoma) para sexta-feira. Posteriormente, a equipe do mandatário decidiu adiar o encontro para o sábado, após críticos o acusarem de “piscar o olho” para os supremacistas brancos e de gerar tensão agendando a reunião para o mesmo dia do Juneteenth, possivelmente o maior dos últimos anos.

 
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