‘Sinal de desconfiança’: Rússia move seus civis para fora da Síria

Uma menina russa acena para fotógrafos ao atravessar a fronteira libanesa de Masnaa em 22 de janeiro de 2013 (AFP/Getty Images)

Vários ônibus cheios de cidadãos russos se deslocaram da Síria devastada pela guerra e chegaram ao Líbano na terça-feira.

Esta é a primeira vez que a Rússia, um dos poucos aliados do presidente sírio Bashar al-Assad, organizou uma evacuação de seus cidadãos desde que a guerra civil começou em março de 2011.

Quatro ônibus lotados contendo um total de 80 pessoas, a maioria mulheres e crianças, chegou ao Líbano, segundo a Associated Press. Autoridades russas enviaram dois aviões para a capital libanesa de Beirute para pegar os russos que vieram da Síria, segundo a emissora estatal Russia Today (RT).

A embaixada russa em Damasco minimizou o envio de seus cidadãos ao Líbano dizendo que não era uma evacuação.

“Nem todas as famílias, especialmente as que tiveram suas casas destruídas, que ficaram sem comida e abrigo, têm meios de chegar a seu país de origem”, disse uma autoridade diplomática russa que não foi nomeada, conforme citada pela RT.

“Estamos ajudando os que querem sair”, disse Mikhail Bogdanov, o vice-ministro russo das Relações Exteriores, segundo a Reuters.

Na segunda-feira, Moscou anunciou que retiraria cerca de 100 pessoas que vivem na Síria para fora do país. No entanto, existem milhares de mulheres russas casadas com homens sírios que vivem no país, assim como russos que pertencem ao governo ou militares, que podem ter de ser evacuados com o avanço da guerra civil na Síria.

O número de russos que vivem atualmente na Síria está entre 25 a 100 mil de acordo com estimativas oficiais, segundo a RT.

A decisão de retirar os russos da Síria foi vista como um sinal de que o apoio de Moscou ao regime de Assad está oscilando, possivelmente por medo de que o governo cairá.

“É um sinal de desconfiança em Assad, que parece improvável se manter no poder”, disse Alexei Malachenko, especialista em Oriente Médio do escritório de Moscou da Fundação Carnegie, à NBC News.

E porque a Rússia apoiou o regime de Assad por vários meios, incluindo o bloqueio de três resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas que pretendiam pressionar Assad a parar as mortes, Malashenko disse que o Kremlin teme que provavelmente haja um “massacre” de cidadãos russos nas mãos de soldados rebeldes se Assad cair.

Yelena Suponina, outra analista baseada em Moscou, disse ao New York Times que “é um momento simbólico, mas não necessariamente uma virada”, observando que os planos foram postos em movimento possivelmente porque os russos procuravam uma maneira de sair do país.

Ela acrescentou que alguns legisladores russos também se queixaram de que os russos começavam a se sentir presos na Síria, onde pelo menos 60 mil pessoas já morreram em menos de dois anos desde o início do conflito.

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