Pais e ativistas protestam contra Institutos Confúcio no Canadá

Centenas de pais preocupados e ativistas de direitos humanos se reuniram em frente ao Conselho Escolar do Distrito de Toronto (TDSB) na quarta-feira (11) para apelar ao conselho em reunião que não inicie um programa do Instituto Confúcio nas escolas de Toronto.

Os manifestantes usavam fitas pretas sobre suas bocas para simbolizar a censura do regime chinês, que segundo eles estaria integrada no currículo ensinado nos institutos.

Os controversos Institutos Confúcio (ICs) são propagandeados como promotores da língua e cultura chinesas. No entanto, eles têm sido citados por agências de inteligência internacionais como organizações usadas pelo regime comunista chinês para expandir seu poder brando e ideologia. Os institutos são financiados e controlados pelo regime chinês.

A agenda da reunião do comitê do TDSB, que teve a participação de um número limitado de conselheiros, foi alterada para discutir a questão da introdução dos ICs no TDSB.

Os conselheiros ouviram um número de pais preocupados, bem como representantes do Falun Dafa (também chamado de ‘Falun Gong’), uma disciplina espiritual perseguida pelo regime comunista chinês, e a comunidade tibetana, que levantaram preocupações sobre o regime chinês ter algum grau de controle no sistema de ensino de Toronto.

Sonia Zhao, que imigrou da China para o Canadá para trabalhar no IC da Universidade McMaster, contou aos conselheiros como ela e outros professores do IC foram obrigados a assinar um contrato prometendo não praticar o Falun Dafa. Zhao, que é praticante do Falun Dafa, entrou com uma queixa de direitos humanos no Tribunal de Direitos Humanos de Ontário, alegando discriminação na contratação do instituto. A McMaster finalmente decidiu romper seus laços com o IC devido às práticas de contratação deste.

Outro manifestante apontou que Li Changchun, o ex-chefe de propaganda do Partido Comunista Chinês, afirmou que os ICs são “uma parte importante da configuração da propaganda da China no estrangeiro”.

A estipulação listada no website da Universidade de Hunan, na China, para candidatos do IC que querem ir para Toronto ensinar diz: “Os candidatos serão avaliados para garantir que atendam os requisitos de ideologia política.”

Sheila Ward, administradora do Centro Toronto-Rosedale, disse que estava bastante preocupada com as questões levantadas pelos pais. “Não é dever dos pais ter de mostrar provas. Cabe a nós provar-lhes que suas preocupações são levadas a sério e termos boas respostas para as perguntas que eles nos fizerem”, disse Ward.

Depois de uma longa sessão, os conselheiros votaram por aprovar uma moção levantada por Mari Rutka, conselheira de Willowdale, para suspender o IC antes que o conselho realize uma investigação sobre o instituto. A decisão precisa ser discutida e votada novamente na próxima reunião do TDSB em 18 de junho antes de ser implementada.

“Há um grande apoio e vários conselheiros dizem que precisamos de mais informações, porque o que os manifestantes apresentaram realmente os alertou para problemas que eles ignoravam totalmente”, disse Michael Lewis, um dos organizadores dos protestos.

Lewis, cuja filha estuda numa escola pública de Toronto, iniciou uma campanha de oposição aos IC após aprender sobre a controvérsia em torno destes. Uma petição online postada num website de Lewis lançou a campanha SayNoToCI.ca e reuniu mais de 600 assinaturas numa semana, diz ele.

Em dezembro passado, a Associação Canadense de Professores Universitários (CAUT) emitiu um comunicado pedindo as universidades e faculdades que cortem seus laços com os ICs, afirmando que eles são “subsidiados e supervisionados pelo governo autoritário da China”.

“Eles restringem a livre discussão de temas que as autoridades chinesas consideram sensíveis e isso não deve ter lugar em nossos campi”, disse James Turk, o diretor-executivo da CAUT.

Contatos telefônicos da imprensa com o TDSB e o escritório administrativo do Instituto Confúcio solicitando uma entrevista não foram retornados em tempo hábil. Chris Bolton, um conselheiro do TDSB, que tem sido fundamental para a assinatura do acordo com o IC, disse que não estará disponível para entrevista até o final de junho.

 
Matérias Relacionadas