Estímulo econômico chinês é insustentável, diz economista

Wu Jinglian, economista e pesquisador chinês, durante um discurso na Conferência Anual Caijing 2009, em Pequim. (China Photos/Getty Images)

O economista Wu Jinglian disse numa conferência internacional que os planos de estímulo de crescimento econômico atuais do regime chinês não são sustentáveis e criarão consequências terríveis se implantados.

Wu Jinglian, agora com 82 anos, é um respeitado economista, pesquisador e vice-diretor do Comitê Acadêmico do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do Conselho de Estado. Ele é famoso por ser franco e é chamado de “o economista com a maior consciência” pela mídia chinesa.

Ele disse que durante suas recentes visitas em diferentes áreas da China notou que muitos governos locais estavam ansiosos por alcançar um crescimento rápido, segundo um artigo do China Business Times, sobre o Fórum Financeiro Internacional 2012 em 17 de setembro. No entanto, até a data, a única solução utilizada são medidas de estímulo de investimento em grande escala.

Wu Jinglian destacou que, com base em dados atuais ainda incompletos, os governos locais apresentaram projetos de investimento no total de mais de 17 trilhões de yuanes (2,7 trilhões de dólares) este ano, mas o fornecimento do dinheiro é um grande problema.

Ele deu alguns exemplos de pacotes de estímulo de investimento que deram errado.

Um deles é o sistema ferroviário de alta velocidade. Segundo Wu Jinglian, a construção de ferrovias de alta velocidade em áreas densamente povoadas é benéfico, mesmo que o projeto perca dinheiro. Mas o sistema chinês de trem de alta velocidade é um projeto de âmbito nacional com bens do Estado, que criou uma série de problemas, incluindo dois trilhões de yuanes em dívida (316 bilhão de dólares).

Outro exemplo é uma província que registrou um aumento de 14 a 15% no PIB em anos consecutivos, cada ano com valores de investimento crescentes. No ano passado, a taxa de investimento foi de 89% do PIB. No entanto, a taxa de investimento no primeiro semestre deste ano já é de 120% do PIB local.

Wu Jinglian disse que qualquer pessoa com o mínimo conhecimento de economia ou história deve saber que este método de investimento não é sustentável. Ele também disse que isso provocará consequências graves e causará problemas perigosos.

He Qinglian, uma proeminente economista que vive nos Estados Unidos, concorda. Num artigo publicado em agosto, ela comentou que o pacote de estímulo da China em 2008 causou mais inflação, ampliou o fosso entre ricos e pobres, disparou os preços dos imóveis e distorceu a estrutura da economia. Se o regime recorrer às mesmas medidas novamente, a China enfrentará uma crise econômica ainda maior.

Embora muitos economistas respeitados tenham manifestado preocupações semelhantes, o regime chinês ainda assim optou por adotar novos planos de estímulo.

No Fórum Econômico Mundial em Tianjin em 8 de setembro, o premiê chinês Wen Jiabao disse que o Partido Comunista Chinês (PCC) teve um superávit orçamentário de um trilhão de yuanes (158 bilhões de dólares) no fim de julho e não hesitará em usar isso precisamente para promover o crescimento econômico estável.

No entanto, Hu Seimeng, um analista independente, sustenta que o PCC está indo por um beco sem saída ao usar o crescimento econômico para manter a estabilidade e a legitimidade de seu regime e o resultado será o oposto do que ele deseja, escreveu ele em seu blogue.

Para resolver os problemas econômicos na China, ajustes estruturais em grande escala são necessários, disse Gan Li, o diretor do Instituto de Pesquisa Econômica e Administrativa da Universidade Sudoeste de Finanças e Economia, à NTDTV.

“Este um trilhão de yuanes deveria ser gasto em pensões, assistência médica e seguro desemprego”, disse Li, acrescentando que, “Se o governo investir mais nas necessidades básicas do povo, a sociedade será estável e os problemas desaparecerão.”

Numa entrevista à revista Caijing publicada em 3 de setembro, Wu Jinglian disse que porque o PCC e as empresas estatais têm reforçado o controle sobre a economia nos últimos anos, o conflito social e econômico na China está chegando ao auge.

Wu Jinglian também disse que a raiz dos inúmeros e terríveis fenômenos sociais na China não está adotando reformas econômicas corretas e completas, deixando de realizar a reforma política, e com excessiva interferência do poder administrativo nas atividades econômicas civis normais.

“Por isso, a agenda mais importante agora é colocar a reforma em pauta de novo e solidamente impulsionar a reforma econômica e política”, disse Wu.

Epoch Times publica em 35 países em 19 idiomas.

Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/EpochTimesPT

Siga-nos no Twitter: @EpochTimesPT

 
Matérias Relacionadas