Crise de xenofobia na África do Sul gera conflitos entre africanos no país

Com a escalada da crise de xenofobia na África do Sul, o governo sul-africano já enviou de volta à Moçambique 107 pessoas. Cerca de 500 moçambicanos ainda estão refugiados em centros de acolhimento em Durban, África do Sul. A maioria deles vem das províncias de Maputo, Gaza e Inhambane no sul de Moçambique.

Os refugiados foram instalados num campo situado em Boane, Moçambique, e vão dormir em tendas disponibilizadas pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades do país. O governo da África do Sul enviará um segundo grupo à Boane com pelo menos mais 100 repatriados.

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Na quinta-feira (16), Fernando Manhiça, diretor para os Assuntos Jurídicos e Consulares do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, disse à agência Lusa que cerca de 600 moçambicanos estão refugiados em centros de acolhimento na região de Durban e que o número poderia subir com a escalada de violência xenófoba na África do Sul.

Manhiça afastou a existência de mortes de moçambicanas nos conflitos dirigidos a estrangeiros africanos. Ele afirmou que dos dois casos noticiados pela imprensa de Maputo, um não chegou a morrer e o outro faleceu por motivos não relacionados com os episódios de violência.

De acordo com Manhiça, a maioria dos moçambicanos residentes na região de Durban trabalha em campos agrícolas, empresas privadas e casas domésticas, e muitos deles estão em situação irregular.

O número daqueles que pretendem voltar às suas terras de origem em Moçambique é incerto pois “muitos têm a sua vida constituída na África do Sul, há vários anos, e a decisão de regressar não é fácil”, afirma Manhiça.

Em alguns casos, segundo relatos de oficiais moçambicana, existem pessoas que abandonam os centros de acolhimento para ir trabalhar, “porque não têm meios de subsistência, assim vão sob o risco de serem agredidos, e depois regressam”.

Manhiça acrescenta que uma mensagem que circula nas redes sociais desaconselhando o deslocamento de cidadãos moçambicanos à África do Sul, não é de origem do governo de Moçambique, embora admita que o risco seja elevado.

“O Alto Comissariado [de Moçambique em Pretória] está profundamente preocupado com a possibilidade das pessoas viajarem para a África do Sul”, afirmou recomendando “serem cautelosos, porque existem ameaças e assim veículos podem ser vandalizados e pessoas agredidas”, não apenas em Durban e na província de Kwazulu Natal, mas em outras regiões sul-africanas.

Na quinta-feira, o Presidente sul-africano, Jacob Zuma, lançou um apelo à população, tendo afirmado que “nenhum nível de frustração ou de raiva pode justificar ataques contra os cidadãos estrangeiros ou a pilhagem das suas propriedades”.

Esta nova onde de violência teve início poucos dias depois do rei zulu, Goodwill Zwelithini, a mais alta autoridade tradicional de Kwazulu Natal ter desafiado os estrangeiros “a fazer as malas e ir embora” do país.

Em 2008, morreram 72 estrangeiros, vítimas de ataques xenófobos nos bairros suburbanos da África do Sul.

 
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