China: alto oficial militar vinculado à facção de oposição é expurgado

Desde 2009, o oficial militar sênior Fang Fenghui foi encarregado de orquestrar os grandes desfiles militares na China, uma grande exibição das capacidades de defesa do país. Naquele ano, notavelmente, foi o 60º aniversário desde que o Partido Comunista Chinês tomou o poder na China.

No entanto, este oficial de alto escalão encontrou sua queda no dia 9 de janeiro, quando o regime chinês anunciou que Fang Fenghui será processado por suborno.

Fang Fenghui era membro do poderoso Comitê Militar Central (CMC), o órgão do Partido Comunista Chinês que supervisiona os militares, e atuou como chefe de gabinete de um novo departamento formado em 2016 que combinou o CMC e o Departamento de Estado Maior das forças armadas.

Ele frequentemente fez aparições públicas com funcionários estrangeiros da defesa durante visitas e acompanhou o líder chinês Xi Jinping aos Estados Unidos em seu primeiro encontro com o presidente Trump em abril. Alguns observadores predisseram que ele seria um candidato para o cargo de vice-presidente do CMC.

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Mas houve sinais de problemas quando ele desapareceu da vida pública por 141 dias em agosto de 2017, de acordo com o jornal chinês Diário de Hubei. Ele também foi substituído abruptamente do cargo de chefe de gabinete em agosto de 2017, quando seu sucessor apareceu no Tajiquistão para um evento em seu lugar.

O anúncio oficial não elaborou os crimes de Fang Fenghui, mas, observando a história dele, há indicações de que a mudança pode estar relacionada à luta de poder em curso entre facções no Partido Comunista Chinês.

Fang Fenghui era um subordinado de Guo Boxiong, outrora o oficial militar mais alto da China, que ascendeu no poder por meio de sua lealdade ao ex-líder chinês Jiang Zemin. Guo permitiu que Jiang controlasse os militares por trás dos bastidores, muito depois de Jiang ter deixado formalmente suas posições de comando no Partido Comunista Chinês e no governo.

Fang Fenghui serviu como oficial sob Guo quando este era o comandante do distrito militar da cidade de Lanzhou no final dos anos 90. Na época, Guo promoveu Fang na hierarquia quando ele serviu como vice-presidente do CMC. Observadores notaram que eles são provenientes da mesma cidade natal de Xianyang, na província de Shaanxi, e isso pode ter ajudado a consolidar seus vínculos.

China, Partido Comunista Chinês, Jiang Zemin, Fang Fenghui, corrupção, suborno - O líder chinês Xi Jinping (esq.) e o general Fang Fenghui no Grande Salão do Povo em Pequim em 17 de agosto de 2017 (Andy Wong/AFP/Getty Images)
O líder chinês Xi Jinping (esq.) e o general Fang Fenghui no Grande Salão do Povo em Pequim em 17 de agosto de 2017 (Andy Wong/AFP/Getty Images)

Em julho de 2016, Guo foi condenado à prisão perpétua por acusações de corrupção. Xi Jinping tem limpado a casa dentro dos militares para purgar as influências restantes de Jiang Zemin e sua facção. Fang Fenghui pode ter sido punido por se aliar com a camarilha errada.

De acordo com a mídia chinesa no estrangeiro, Fang Fenghui estava sendo investigado pela agência anticorrupção do Partido Comunista Chinês ao mesmo tempo que Zhang Yang, outro oficial militar sênior vinculado a Guo Boxiong. Zhang cometeu suicídio em novembro enquanto era submetido a um inquérito.

Fang Fenghui e Zhang Yang eram velhos colegas quando estavam estacionados em Guangzhou (Cantão), uma metrópole na costa sul da China e capital da província de Guangdong.

Zhou Xiaohui, um comentarista político do Epoch Times, disse que Fang Fenghui estar sendo acusado de aceitar subornos é algo esperado: é sabido que oficiais do alto escalão aceitam regularmente suborno em dinheiro e presentes de seus subordinados e, em troca, dispensam promoções e outros benefícios. No entanto, Zhou Xiaohui observou, “Devido à posição de Fang Fenghui nos militares, o número de oficiais de alto escalão que ele poderia ter subornado é extremamente pequeno.”

Zhou Xiaohui acrescentou: “Os então vice-presidentes do CMC, Guo Boxiong e Xu Caihou, ambos confidentes de Jiang Zemin, são os dois candidatos mais prováveis.”

Colaboraram: Xu Ming’er & Fang Xiao do Epoch Times e a Reuters

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