Após debandada do PMDB, Cunha acelera andamento do impeachment

A declaração do PMDB fluminense de que planeja se distanciar do governo Dilma Rousseff sacudiu a ala governista do partido e também o Palácio do Planalto. Em contrapartida, deu impulso aos peemedebistas favoráveis ao impeachment da presidente que tomaram a decisão de agilizar o processo na Câmara dos Deputados. Está previsto que o pedido de afastamento seja votado antes do dia 17 de abril.

Aliados do vice-presidente Michel Temer garantiram nesta sexta-feira (25) ao jornal O Estado de São Paulo que ele já se organiza para assumir o governo em maio e, por isso, também fortaleceu nos últimos dias os entendimentos no meio político e empresarial nesse sentido.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), divulgou a aliados que planeja homologar o impeachment o mais rápido possível. Segundo o Estadão, o relator do pedido de afastamento na Comissão Especial, Jovair Arantes (PTB-GO), já participou a Cunha que irá manifestar posicionamento a favor da saída de Dilma.

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Cunha também não abandonou a ideia de adicionar a delação premiada do ex-líder do PT no Senado, senador Delcídio Amaral, atualmente sem partido. O pedido de impeachment que corre na Comissão Especial da Câmara está baseado nas pedaladas fiscais (manobras contábeis) do governo.

Na delação, Delcídio mencionou a presidente Dilma por seu provável envolvimento em tentar complicar o progresso da Operação Lava Jato, que apura o esquema de corrupção na Petrobras.

A urgência e a confiança dos peemedebistas defensores da saída de Dilma também se devem aos obstáculos encontrados pelo Planalto e pelo PT em conseguir na Justiça a nomeação do ex-presidente Lula para a Casa Civil. Sem o cargo e seus poderes correspondentes, Lula fica praticamente impedido de se coordenar com o PMDB e demais partidos da base aliada. O ex-presidente, no entanto, apelou ao Supremo na tentativa de resgatar o direito de assumir a pasta.

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Os peemedebistas aliados à oposição consideram que a resolução do diretório estadual do PMDB no Rio de Janeiro amplia a vulnerabilidade da presidente e confessam que o Planalto está desunido para o confronto com o impeachment no Congresso.

O PMDB do Rio sempre foi aliado dos governos petistas, mas assegurou que vai votar pelo desligamento do partido da gestão Dilma. Se o parecer pelo afastamento do PMDB nacional se tornar uma realidade política, os sete ministros do PMDB na Esplanada ficarão em condição insustentável.

 
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