Alcoolismo o impediu de realizar seu sonho, agora ele está compartilhando sua paixão com o mundo

Por Andrew Thomas, Epoch Times

O alcoolismo pode impedir as pessoas de demonstrar seu melhor potencial, e também pode destruir vidas. Este homem lutou com o álcool por anos, mas agora ele é chamado de Maestro.

George Marriner Maull cresceu na Filadélfia, Pensilvânia, em uma casa musical. Desde que ele consegue se lembrar, a música tem sido um pilar em sua vida.

Sua mãe era pianista clássica altamente treinada, e ele começou a aprender com ela ainda muito jovem.

No entanto, ela rapidamente descobriu que seria difícil treinar seus próprios filhos. Então, começando na quarta série, Maull e seu irmão frequentaram a St. Peter’s Choir School, e ficaram ainda mais imersos no mundo da música.

Além de um currículo acadêmico completo, Maul estudou piano e canto.

(Pixabay)
(Pixabay)

“Foi muito intenso. Foi muita apresentação ”, disse Maull ao Epoch Times.

Maull continuou sua paixão pela música no ensino médio. Felizmente, a educação musical era proeminente na Filadélfia durante a década de 1960, quando ele começou a frequentar a escola pública.

Maull encontrou um mentor por acaso na escola. Ele ouvira a “Sinfonia do Novo Mundo” de Dvorak enquanto andava pelos corredores, e foi atrás daquele som.

Um professor chamado Dr. Feinberg abriu a porta da sala de aula e viu Maull sentado do lado de fora, escutando. Ele jovialmente perguntou a Maull se ele não ficaria mais confortável sentado em uma cadeira.

George Mariner Maull (Cortesia de L.D. Bright Photography)
George Mariner Maull (Cortesia de L.D. Bright Photography)

Maull acabou por auditar a turma e o Dr. Feinberg tornou-se um mentor próximo.

“Ele se tornou uma das maiores influências da minha vida. Ele era um gênio que nos ensinava a ouvir música. Eu era como uma esponja esperando por absorver mais ”, lembrou Maull.

O Dr. Feinberg tornou-se professor de piano e Maull começou a estudar viola. Ele se tornou mais e mais atraído pela música clássica e a carreira como músico o atraiu. Mas, em sua adolescência, ele descobriu outra coisa que o fez se sentir bem.

Maull cresceu morando com a mãe e o irmão na casa dos avós.

Os irmãos de sua avó eram alcoólatras e a família estava ciente do dano que o alcoolismo pode causar.

“Como qualquer bom garoto, quanto mais eles diziam que eu nunca deveria experimentar álcool, mais desejoso eu ficava de experimentar”, explicou Maull.

Maull bebia socialmente com os amigos. Por volta dos 16 anos, ele descobriu os efeitos entorpecentes do álcool.

“Foi como uma cura para todos. Foi como tomar uma poção mágica que permitia que eu não tivesse nenhum sentimento com o qual não quisesse lidar naquele momento”, explicou Maull. “Isso podia ser tão trivial quanto o tédio, ou tão doloroso quanto algumas mágoas que a gente experimenta”.

“Quando eu não queria sentir algo, descobri rapidamente que beber álcool podia, pelo menos temporariamente, anestesiar meus sentimentos”.

Maull também descobriu que o álcool era um ótimo desinibidor social.

(Cortesia de Daniel Hedden)

A mãe de Maull faleceu quando ele ainda estava decidindo para onde ir depois do ensino médio.

Ele sentiu que precisava de um pouco de espaço e acabou na Escola de Música da Universidade de Louisville.

Maull se saiu bem, e no final do seu segundo ano fez o teste e ganhou um lugar na seção de viola da Louisville Orchestra.

Foi-lhe oferecida uma bolsa de estudos integral para a escola de pós-graduação em música da Universidade de Louisville, e ele foi nomeado diretor do Louisville Ballet logo depois da faculdade.

Antes que percebesse, ele tinha quatro diferentes posições de direção em Louisville.

(Cortesia de Daniel Hedden)
(Cortesia de Daniel Hedden)

No entanto, ele começou a beber mais.

Na tentativa de controlar sua bebida, ele estabeleceu regras, como nunca beber antes de um ensaio ou de um concerto.

Mas essas regras não controlavam o vício subjacente.

“Depois que o dia terminava, eu meio que me dava permissão para me embriagar e entrar em estado entorpecido ”, disse Maull.

Maull mudou-se para Nova York em 1975 para seguir sua carreira na música clássica e, quando chegou, não tinha ainda um trabalho em vista.

Ele passou a consumir álcool diariamente e começou a quebrar algumas de suas próprias antigas regras.

“Eu me dei conta de que estava bebendo todos os dias e que não me importava com as consequências”, lembrou Maull.

Depois que passou a trabalhar em tempo integral, ele restabeleceu suas próprias regras.

(Cortesia of Douglas F. Munch)
(Cortesia of Douglas F. Munch)

(Cortesia de Douglas F. Munch)

Com o tempo, ele afrouxou algumas de suas regras. A regra “não beber antes do jantar” não era respeitada se ele não tivesse um ensaio ou concerto naquele dia.

“A coisa foi piorando ao ponto de eu começar a me preocupar com isso”, lembrou Maull.

Uma noite, intoxicado, ele estudou as notas em preparação para um ensaio. No dia seguinte, Maull ainda se lembrava vividamente de sua confusão enquanto se aproximava para conduzir a orquestra.

“Quando estava em frente à orquestra, lembro de pensar comigo mesmo: ‘Por que isso parece estranho?’”, lembrou Maull.

Ele estava começando a se dar conta do efeito do álcool em seu trabalho.

Um amigo próximo, que era um alcoólatra em recuperação, tentava gentilmente convencer Maull a pensar sobre seu vício e, potencialmente, desistir dele.

Porém, durante muito tempo Maull não prestou atenção ao seu alcoolismo.

(Cortesia de Daniel Hedden)
(Cortesia de Daniel Hedden)

No início dos anos 80, seu amigo convidou Maull para jantar na época do Natal. Maull ainda bebia em excesso. Ele trouxe seu próprio álcool com ele, porque na casa de seu amigo não havia bebidas.

Enquanto seu amigo preparava o jantar, Maull notou um folheto que falava sobre um programa de 12 passos e literatura de meditação sobre a mesa.

Estendendo a mão, ele pegou o livro de meditação e começou a folhear as páginas. Então ele entendeu.

“Eu não lembro mais qual era a página, mas lembro de ler essa página e pensar comigo mesmo: ‘Oh meu Deus. Este não é meu amigo. Este sou eu nessa página. Esta página está falando de mim. Sou eu mesmo”, ele disse.

Foi um poderoso despertar.

“Eu percebi naquele momento que precisava parar. Se eu não fizesse isso, poderia prejudicar seriamente minha saúde ou até mesmo morrer”, lembrou Maull.

Ele continuou a beber até a noite de Ano Novo em 1983, apenas algumas semanas depois de ler aquele livro.

Em 1º de janeiro de 1984, Maull pediu a seu amigo que o levasse para uma reunião. Esse foi seu primeiro dia de sobriedade.

“Percebi que tinha esse problema grave e precisava fazer algo a respeito”, explicou Maull.

(Cortesia de Daniel Hedden)
(Cortesia de Daniel Hedden)

Maull está sóbrio há 34 anos. Quando ele desistiu do álcool, foi capaz de se concentrar no poder da música para expressar emoção e o que é mais importante na vida.

Ele se tornou capaz de se aprofundar em sua carreira musical clássica.

Três anos depois de Maull ficar sóbrio, ele conseguiu realizar o sonho de sua vida. Ele montou sua própria orquestra, a Orquestra Filarmônica de Nova Jersey, em 1987.

“Isso era algo que teria sido totalmente impossível se eu continuasse bebendo”, disse ele.

“Não apenas abandonar o álcool me permitiu continuar minha carreira como maestro, como também me permitiu enfocar o que é realmente o mais importante para mim neste momento, que é ensinar as pessoas a ouvir para a música, e mostrar que mais pessoas podem ser movidas por essa força incrível que chamamos de música clássica”.

A orquestra de Maull deu-lhe uma plataforma para sua missão. A Orquestra Filarmônica de Nova Jersey, em 1987, tornou-se a Orquestra Discovery em 2006.

Maull e The Discovery Orchestra concretizaram muitos de seus objetivos em um curto período de tempo.

Eles produziram quatro programas de televisão para a American Public Television, apresentando música clássica a milhões de espectadores em todo o país.

“É muito bom saber que estamos sendo úteis para as pessoas dessa maneira”, disse Maull.

(Cortesia de Daniel Hedden)
(Cortesia de Daniel Hedden)

Ele também está ciente dos vícios de outras pessoas e tenta orientar qualquer um que lhe peça para mostrar a direção certa.

Maull recebe feedback de pessoas de todo o país sobre seus esforços para tornar a música clássica acessível a todos.

Ele tem uma nota em sua mesa escrita por alguém de San Francisco que diz:

“Eu acabei de assistir seu concerto de Bach no meu canal local da PBS aqui em San Francisco. Toda a minha vida senti que algo rico e espiritual deve estar envolvido na música de compositores como Bach, mas ninguém nunca explicou isso. O Maestro Maull, como o gracioso anfitrião de um grande banquete, educadamente abriu a porta e, apesar da minha ignorância, convidou-me para jantar. Ele ensinou meus ouvidos e minha mente a meditar sobre a recompensa. Eu fui levado às lágrimas. Obrigado por enriquecer meu entendimento.”

Sempre que ele fica em dúvida sobre o impacto de seu trabalho e sua carreira, Maull lê essa nota.

“Isso me faz ter noção de como todas as lutas com o álcool e toda a dor envolvida foram menores em comparação com o tornar-se capaz de ajudar as pessoas desta forma”, disse ele.

 
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