Neurobiólogo que “reprograma cérebros” é mexicano e aposta na cura do Mal de Parkinson e Alzheimer

Cientista mostrou que, por meio de uma estimulação pontual e estritamente seletiva do grupo de neurônios corticais, um tipo de memória artificial pode ser gerada, por meio de microscopia de duplo fóton

Por Isabel Valencia, Epoch Times

Um neurobiólogo mexicano tem sido chamado de jovem que “reprograma de cérebros” por sua contribuição à ciência para o tratamento de doenças degenerativas, como Alzheimer e Parkinson.

Seu nome é Luis Alberto Carrillo Reid e ele trabalha na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) no Departamento de Neurobiologia do Desenvolvimento e Neurofisiologia. Nessa entidade, ele está desenvolvendo uma técnica para reprogramar os circuitos ou grupos neuronais afetados por doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson, através do uso de lasers e proteínas fotossensíveis, de acordo com o portal Science MX.

O procedimento se baseia em um método usado para “ligar” ou “desligar” grupos neuronais com o uso da luz, em uma técnica chamada optogenética. Além disso, ele também usa uma técnica de microscopia de fótons duplos que ajuda a visualizar e manipular tecidos vivos até um milímetro de profundidade, para ativar grupos muito específicos de neurônios.

O principal objetivo no desenvolvimento desta tecnologia é alterar os padrões de atividade em grupos neuronais muito específicos. “Já foi demonstrado anteriormente que em várias doenças, como Parkinson, esquizofrenia ou epilepsia, a atividade de certos grupos neuronais está alterada, ou seja, eles têm atividade patológica ou padrões de atividade que não deveriam ter”, explicou.

تم النشر بواسطة ‏‎Luis Alberto Carrillo Reid‎‏ في الأحد، ١٠ يونيو ٢٠١٨

O cientista mostrou que, por meio de uma estimulação pontual e estritamente seletiva do grupo de neurônios corticais, um tipo de memória artificial pode ser gerada, por meio de microscopia de duplo fóton, para ativar grupos neuronais específicos nos quais a atividade neuronal é observada através de indicadores de cálcio que são geneticamente codificados. “Eles são compostos fluorescentes que brilham quando os neurônios estão ativos”, disse Carrillo.

Ele usou esse procedimento por quatro anos na Universidade de Columbia em Nova York e desde 2016 está implementando essa tecnologia no México, através do Instituto de Neurobiologia da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).

Na Universidade de Columbia, em Nova York, o jovem cientista fez muitos avanços que lhe permitiram publicar seu estudo na revista científica Science na edição de agosto de 2016, com o título “Imprinting and recalling cortical ensembles”. Durante esse mesmo ano, Carrillo retornou ao México para implementar os mesmos experimentos com o apoio de instituições como o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (Conacyt).

تم النشر بواسطة ‏‎Luis Alberto Carrillo Reid‎‏ في الأحد، ١٧ ديسمبر ٢٠١٧

Embora a UNAM seja a chefe do projeto em nível nacional, ainda há falta de equipamento físico suficiente para a pesquisa, assim como estudantes que tenham capacidade apropriada para realizar esse tipo de projeto. “O estágio em que o trabalho está na Columbia já é muito avançado, na verdade tenho vários artigos lá usando essas técnicas, e agora estou na fase de escrever projetos para a Conacyt para solicitar apoio e começar a estabelecer essa tecnologia na América Latina”, explicou Carillo.

No México, a doença de Parkinson tem uma prevalência de 40 a 50 casos por cem mil habitantes por ano, enquanto há dois por cento da população com mais de sessenta anos de idade com Alzheimer. Isso coloca ambas as doenças como as neurodegenerativas mais comum no México, mas agora, por meio da técnica optogenética, os danos que acarretam podem ser revertidos, de acordo com a Ciencia MX.

تم النشر بواسطة ‏‎Luis Alberto Carrillo Reid‎‏ في الثلاثاء، ٤ يونيو ٢٠١٣

Luis Alberto acredita que no futuro, por meio de uma estimulação oportuna e seletiva de um grupo de neurônios, algo semelhante a uma memória artificial poderá ser gerada em humanos, mas esses experimentos ainda não foram realizados com pessoas.

“Voltei ao México por causa dos jovens; para formar estudantes que tenham um pensamento crítico baseado no método científico e que possam tomar decisões informadas para fazer mudanças na ciência no México e na sociedade”, concluiu o jovem cientista.

 
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