Só falta dizer que ‘água limpinha’ também é babaquice

O Brasil continua “pagando mico” na imprensa internacional. Depois dos atrasos na conclusão dos estádios da Copa e de várias obras de infraestrutura nas cidades sede, algumas das quais, pelo andar da carruagem, ficarão para muito depois da competição, o alvo agora é a (des)organização das futuras Olimpíadas do Rio.

O jornal The New York Times publicou, no dia 18, reportagem intitulada “Aviso aos velejadores: não caiam nas águas do Rio”, onde traça um perfil nada lisonjeiro da organização dos jogos na Cidade Maravilhosa, com foco principal no altíssimo índice de poluição da Baía de Guanabara, palco das provas de vela em 2016.

A matéria destaca que, depois de sete anos da indicação do Rio como sede dos Jogos, e de investimentos da ordem de 1 bilhão de dólares, financiados com dinheiro japonês, as águas da Baía de Guanabara vão de mal a pior. Segundo a notícia, além de garrafas e sacos plásticos, é comum encontrar pneus velhos, carcaças de animais e até mesmo cadáveres humanos por ali, sem falar na cor escura da água proveniente da grande quantidade de óleo e esgoto trazidos diariamente pelos rios que desaguam na baía ou são jogados ali diretamente por indústrias e residências, sem qualquer tratamento prévio.

As autoridades entrevistadas, por sua vez, não demonstraram qualquer preocupação, dizendo que tudo ficará pronto a tempo.  Provavelmente, a exemplo do ex-presidente Lula, consideram que esse negócio de água limpinha é babaquice. O que interessa é ter mar e vento.

João Luiz Mauad é administrador e consultor de empresas e diretor do Instituto Liberal

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