As seis principais razões que arruínam a riqueza do povo chinês

Um manifestante que perdeu dinheiro na crise econômica mundial de 2008 durante a chegada do então chefe-executivo de Hong Kong, Donald Tsang, ao Conselho Legislativo. Tsang disse na reunião que o tumulto econômico foi mais sério do que a crise financeira asiática de 1997, mas que não houve danos sistemáticos à economia da cidade (Mike Clarke/AFP/Getty Images)
Um manifestante que perdeu dinheiro na crise econômica mundial de 2008 durante a chegada do então chefe-executivo de Hong Kong, Donald Tsang, ao Conselho Legislativo. Tsang disse na reunião que o tumulto econômico foi mais sério do que a crise financeira asiática de 1997, mas que não houve danos sistemáticos à economia da cidade (Mike Clarke/AFP/Getty Images)

De acordo com uma pesquisa do Wall Street Journal, 10% das famílias chinesas controlavam 86,7% da riqueza total da nação em 2011. Da mesma forma, um relatório divulgado pelo Banco Mundial afirma que 130 milhões de pessoas na China sobrevivem com menos de um dólar por dia.

Internautas na China recentemente identificaram as seis maneiras mais desastrosas dos chineses sofrerem perdas financeiras no país, incluindo turbulências do mercado de ações, corrupção e “envelopes vermelhos”.

1. Mercado de Ações

As estatísticas mostram que o mercado de ações da China sofreu 26 aumentos de preços num intervalo de 20 anos, entre maio de 1991 e maio de 2011. Enquanto isso, o mercado secundário sofreu uma perda de 30%, o que equivale a 2 trilhões de yuanes (US$ 320 bilhões) em perda cumulativa.

Um investidor veterano chinês de pseudônimo “Vovô Sagaz” disse que sua experiência de investimento de 20 anos no mercado de ações da China se resume a uma palavra – “ódio”.

Mas ele tem outra palavra, “escuridão”, para descrever o mercado de ações da China, dizendo: “O mercado de ações da China é 10 ou 100 vezes mais obscuro do que sua liga profissional de futebol – com apropriação indébita generalizada.”

2. Poupança bancária

A Secretaria Nacional de Estatísticas da China informou que o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) subiu 5,4% em 2011. Comparando esse valor com a última taxa de juros para um CDB (Certificado de Depósito Bancário) de um ano por 3,5%, a taxa de juros real é negativa em 1,9%.

Num episódio amplamente difundido na internet, Tan, uma mulher idosa da província de Sichuan, depositou 400 yuanes (US$ 64) num banco em 1977. Naquela época, esse dinheiro poderia comprar um apartamento. Trinta e três anos depois, o depósito só gerou 438 yuanes (US$ 70) de interesse. Após a dedução de 2,36 yuanes (US$ 0,40) de imposto, o montante total recebido por Tan foi de 836 yuanes (US$ 137), suficiente apenas para uma garrafa de Maotai, um famoso licor chinês.

No início de 1970, 10 yuanes (US$ 1,60) poderia comprar seis quilos e meio de carne de porco. Hoje em dia, mal consegue comprar um quilograma. Em 1976, o salário mensal de um trabalhador de colarinho azul era de 39 yuanes (US$ 6,40). Hoje, esse salário não cobre o custo de vida diário numa grande cidade chinesa.

3. Doença

O custo dos medicamentos na China está entre os mais altos do mundo. Um estudo recente realizado pela mídia estatal Diário do Povo indica que inúmeros medicamentos patenteados são comercializados em Hong Kong e na China com uma diferença de preço considerável. Por exemplo, o Herceptin, um medicamento para o tratamento de câncer de mama, custa 24.500 yuanes (US$ 4.002) por dose na China, enquanto em Hong Kong ele custa 14.800 yuanes (US$ 2.418).

Num artigo do Beijing Business Today, um executivo de uma empresa farmacêutica de Pequim foi citado dizendo: “Ao calcular os preços dos medicamentos, custos operacionais e suborno compõem 20-30% do preço de venda.”

4. Planos de aposentadoria

De acordo com a Sohu Business, um comentarista financeiro disse que a China tem os maiores planos de pensão do mundo.

Alguns chineses consideram a previdência social da China um esquema Ponzi. Os cidadãos chineses não se qualificam para benefícios de pensão até que tenham pagado os planos por pelo menos 15 anos. Então, você tem de manter o mesmo emprego por 15 anos. Mas isto pode ser impossível para quem trabalha fora da cidade e pode pagar um plano que nunca usufruirá.

5. Fraude

A fraude é alarmante na China e leva 300 bilhões de yuanes (US$ 49 bilhões) do povo chinês a cada ano, segundo o Share.inside.com.

Apenas na cidade de Hangzhou, nove casos de fraude de mensagens de texto telefônica, que ocorreram em um dia, envolveram 5,44 milhões de yuanes (US$ 889 mil) de lucros ilegais. O montante envolvido nas mensagens de texto fraudulentas equivale a 20 bilhões de yuanes (US$ 3,3 bilhões) por ano.

Sete mil empresas ilegais na China estão envolvidas em investimentos financeiros. Mais da metade delas fraudam o povo chinês em 45 bilhões de yuanes (US$ 7,4 bilhões) anualmente.

6. Subornos

Tradicionalmente, os chineses acreditavam que sua fortuna não era exclusivamente devido aos esforços individuais e que se devia compartilhar as bênçãos recebidas na vida, assim, surgiu o costume de dar dinheiro em envelopes vermelhos em ocasiões especiais para amigos e parentes para expressar gratidão. Mas hoje em dia, para ganhar a vida na China, as pessoas têm de preparar envelopes vermelhos para todos os assuntos, inclusive para conseguir casar, registrar um bebê, mudar-se, receber uma promoção profissional, matricular-se numa escola ou mesmo para conseguir um leito hospitalar.

O Xinmin Evening News, outra mídia porta-voz do Partido Comunista Chinês (PCC), informou que um residente em Shanghai recebeu e aceitou 10 convites no ano passado nos feriados de outubro. Depois de dar 400 yuanes (US$ 65) para cada anfitrião, seu salário mensal se foi.

Um artigo do Modern Express contou que um chinês de Nanjing chamado Shi tem seis irmãos e 14 sobrinhos e sobrinhas e que ele teme cada Ano Novo chinês, porque é esperado que ele dê envelopes vermelhos para cada sobrinha e sobrinho. Shi, eventualmente, convocou uma reunião de família e informou a todos que abdicava do título de tio.

Estatísticas de mídia mostram que 60% dos pais chineses também não gostam de dar presentes aos professores dos filhos. Mas, na realidade, 70% deles fazem isso.

 
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