Pílulas anticoncepcionais estão associadas ao câncer de mama

Um risco que tem sido conhecido há décadas

Por Martha Rosenberg

Um estudo publicado recentemente no New England Journal of Medicine (NEJM) revelou um risco pequeno, mas significativo, de câncer de mama associado às pílulas anticoncepcionais hormonais comuns. Quanto mais as mulheres as tomam, maior o risco. No entanto, a Adminstração de Drogas e Alimentos (FDA, na sigla em inglês), o órgão responsável pelo controle de alimentos e medicamentos nos EUA, diz o seguinte sobre uma popular pílula anticoncepcional baseada em hormônio: “A maioria dos estudos sugere que o uso de contraceptivos orais não está associado a um aumento geral no risco de desenvolver câncer de mama.”

Desde a revelação do NEJM, a indústria farmacêutica, o FDA e a coletividade médica estão suplicando coletivamente “Quem sabia”, mas eles definitivamente sabiam. Há quase 50 anos atrás, os riscos de câncer de mama da pílula anticoncepcional hormonal foram expostos por Barbara Seaman em seu livro “The Doctor’s Case Against the Pill” e reiterados em sua seguinte publicação “The Greatest Experiment Ever Performed on Women“.

Alguém acreditaria que a indústria farmacêutica, a FDA e a medicina convencional desconheciam os riscos ainda que os rótulos das pílulas anticoncepcionais hormonais alertassem claramente as pacientes para não tomarem o medicamento caso elas tivessem “um histórico de câncer relacionado a hormônios, como câncer de mama ou uterino”? E a “informar o seu profissional de saúde se você tem histórico familiar de câncer de mama ou se teve nódulos mamários ou uma mamografia anormal”?

Não, a relação entre o câncer de mama e as pílulas anticoncepcionais hormonais é conhecida desde 1969, mas a indústria farmacêutica sempre “minimizou” os riscos para manter as vendas. Por exemplo, a indústria farmacêutica disse às mulheres que, se elas usassem pílulas anticoncepcionais hormonais, elas seriam poupadas de outros tipos de câncer.

A PubMed Health escreveu recentemente, “A pílula fornece ‘proteção ao longo da vida contra alguns tipos de câncer’”, com base em pesquisas publicadas no American Journal of Obstetrics and Gynecology. Palavra-chave: “alguns”.

Ao relatar sobre a “nova” associação entre o câncer de mama e as pílulas anticoncepcionais hormonais, o New York Times também garante às mulheres que as pílulas anticoncepcionais hormonais causadoras de câncer de mama têm um lado positivo: elas estão “associadas a riscos menores de câncer ovariano, endometrial e colorretal”. Os profissionais da medicina estão realmente dizendo às mulheres que elas têm que escolher entre um câncer e outro?

A informação às usuárias de uma popular pílula anticoncepcional hormonal também diz que, se elas tiverem um câncer de mama, este não será um câncer de mama ruim. “Os cânceres de mama diagnosticados em usuárias atuais ou pré-usuárias de anticoncepcional oral tendem a ser clinicamente menos avançados do que em não usuárias”, diz a orientação.

Dar hormônios perigosos às mulheres não é um empreendimento novo para a indústria farmacêutica. Entre 1941 e 1971, mais de quatro milhões de mulheres grávidas nos EUA receberam stilbestrol (DES) para prevenir abortos espontâneos, uma droga hormonal tão perigosa que agora não é aprovada para dar às mulheres e até mesmo proibida em animais destinados à alimentação.

Desde o final da década de 1940 até 15 anos atrás, milhões de mulheres receberam os remédios Premarin e, posteriormente, Prempro para tratar a “doença” da menopausa. Em 1975, um painel de publicação da FDA descobriu uma conexão entre o Premarin e o câncer endometrial, acusado pelo NEJM, por aumentar o risco do câncer endometrial em pelo menos cinco vezes. Quando as mulheres abandonaram o Premarin em massa na década de 1970 por causa dos seus efeitos colaterais cancerígenos, “houve uma forte tendência decrescente na incidência de câncer do endométrio que se assemelhou a uma redução substancial nas prescrições de reposição de estrogênios”, informou o NEJM em 1979.

O mesmo cenário aconteceu menos de 30 anos depois. No início do ano 2000, as mulheres abandonaram o Prempro (a continuação do Premarin) em massa pela mesma razão, como consequência, suas fortes ligações com o câncer e as taxas de câncer nos EUA também caíram.

Desta forma, a incidência do câncer de mama caiu 7%, e 15% entre mulheres cujos tumores foram alimentados com o estrogênio. As taxas de câncer do ovário também caíram. As maiores reduções de câncer de mama, 11% na Califórnia, se correlacionaram com o maior uso de TRH (Terapia de Reposição Hormonal) e 14 mil mulheres que poderiam ter tido câncer de mama não contraíram a doença, informaram pesquisadores.

O Instituto Nacional do Câncer dos EUA relatou um “grande declínio na incidência de câncer de mama” quando as mulheres abandonaram o Prempro. Foi a primeira vez que as taxas de câncer de mama caíram significativamente, segundo a imprensa. De acordo com o Dr. Peter Ravdin do Anderson Cancer Center, essa foi a maior queda anual que ele consegue se lembrar.

Sim, a indústria farmacêutica estava estimulando o câncer nas mulheres

Além das pílulas anticoncepcionais hormonais, a indústria farmacêutica disse às mulheres que as drogas da menopausa reduziriam outros riscos de câncer, como o câncer colorretal, como se as mulheres estivessem sendo expostas a todo tipo de risco e quisessem “trocar” um câncer por outro. A máquina de enganação farmacêutica também disse que o câncer de mama em usuárias do Prempro seria mais fácil de tratar.

Num artigo de 2009 na revista Menopause, “Terapia hormonal pós-menopausa e o risco de câncer de mama: um pensamento contrário”, o Dr. Leon Speroff escreveu que, embora “mais tumores em usuárias de hormônio sejam detectados” do que em mulheres que não tomam hormônios, eles são tumores melhores, “tumores in situ mais dúcteis” e “mais nódulos-negativos”.

Martha Rosenberg é autora da premiada exposição “Born With a Junk Food Deficiency“. Ícone em seu país, ela lecionou em universidades e faculdades de medicina e foi entrevistada em programas de rádio e televisão.

As opiniões expressas neste artigo são as opiniões da autora e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.

 
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