Os apetites perigosos do ditador da Coreia do Norte

O rotundo líder da Coreia do Norte herdou o apetite tirânico do pai, seu amor por champanhes caros e por mulheres que têm pouca escolha além de fazer o que ele quiser.

Poucos chegaram perto de Kim Jong-un e viveram para contar a história fora da Coreia do Norte.

Mas um homem vivenciou isso, e ganhou a vida compartilhando suas percepções sobre o líder supremo da Coreia do Norte.

O chef Kenji Fujimoto, um pseudônimo, foi uma das poucas pessoas que previu com sucesso que o jovem Kim Jong-un assumiria a ditadura familiar após seu pai Kim Jong-il.

Coreia do Norte, Kim Jong-un, Kim Jong-il, ditadura, apetites - O japonês Kenji Fujimoto, ex-chef pessoal do líder norte-coreano Kim Jong-il, fala durante uma entrevista coletiva em Seul em 25 de outubro de 2010 (Jo Yong-Hak/Reuters)
O japonês Kenji Fujimoto, ex-chef pessoal do líder norte-coreano Kim Jong-il, fala durante uma entrevista coletiva em Seul em 25 de outubro de 2010 (Jo Yong-Hak/Reuters)

A sabedoria convencional dizia que o meio-irmão mais velho Kim Jong-nam seria o próximo na linha de sucessão ao trono, que pode ser a razão por que Kim Jong-nam foi assassinado, supostamente pelas mãos de agentes norte-coreanos num aeroporto da Malásia no início deste ano.

Quando o controle do regime comunista norte-coreano passou para o filho mais jovem Kim Jong-un no final de 2011, o status do chef Fujimoto cresceu e ele se tornou um dos poucos especialistas reconhecidos no regime no novo líder.

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Fujimoto foi o cozinheiro pessoal, ou sushi chef, do ex-ditador norte-coreano de 1988 a 2001 e uma das poucas pessoas a ver a família Kim de perto e conseguir sair do país. Seus livros sobre seu tempo na Coreia do Norte relatam competições de jet ski contra o ditador falecido e como ele conheceu o atual líder Kim Jong-un quando este tinha apenas sete anos de idade.

Fujimoto agora ganha dinheiro com seus três livros e com entrevistas e aparições televisivas remuneradas, quando ele oferece comentários sobre as lideranças da Coreia do Norte.

Coreia do Norte, Kim Jong-un, Kim Jong-il, ditadura, apetites - O atual líder norte-coreano Kim Jong-un (esq.) e seu meio-irmão Kim Jong-nam (dir.), ambos filhos do ex-líder Kim Jong-il (Ed Jones/Toshifumi Kitamura/AFP/Getty Images)
O atual líder norte-coreano Kim Jong-un (esq.) e seu meio-irmão Kim Jong-nam (dir.), ambos filhos do ex-líder Kim Jong-il (Ed Jones/Toshifumi Kitamura/AFP/Getty Images)

De acordo com Fujimoto, o atual Kim Jong-un adora o caro champanhe Cristal, que ele costumava beber durante os jantares com seu pai, um homem de gostos extravagantes.

Fujimoto disse ao Independent que Kim Jong-un consome grandes quantidades de bebidas caras.

Por alguns anos, rumores circularam que Kim Jong-un teria um fetiche por queijo suíço, mas com reportagens citando reportagens, a fonte parecia circular.

A origem das reivindicações generalizadas que o atual ditador desenvolveu gota por comer muito queijo seria baseada em grande parte em seu ganho de peso, uma coxeadura que ele tem há algum tempo e o fato de que ele enviou representantes à França para tentar matricular cozinheiros norte-coreanos em cursos de produção de queijo para melhorar a capacidade do país de fazer queijos finos, relatou o Mirror.

Veronique Drouet, a diretora da National Dairy Industry College, disse ao jornal que a faculdade polidamente, mas com firmeza, recusou o pedido.

A família Kim tem uma história conhecida de apetites luxuosos.

Coreia do Norte, Kim Jong-un, Kim Jong-il, ditadura, apetites - Soldados norte-coreanos na Área de Segurança Conjunta em Panmunjom, Coreia do Sul, em 27 de julho de 2017 (Jeon Heon-kyun/Getty Images)
Soldados norte-coreanos na Área de Segurança Conjunta em Panmunjom, Coreia do Sul, em 27 de julho de 2017 (Jeon Heon-kyun/Getty Images)

Kim Jong-il, o pai de Kim Jong-un, enviaria Fujimoto à China, ao Japão e outros lugares para obter ingredientes e cigarros, gastando uma fortuna para adquirir itens que variavam desde atum indiano até bolinhos de arroz.

Mesmo alimentos comuns requeriam uma preparação extraordinária para o ex-líder.

“Com respeito ao arroz, antes de cozinhar, um garçom e um membro da equipe da cozinha inspecionaria grão por grão. Os grãos quebrados e defeituosos eram extraídos; somente aqueles com forma perfeita eram apresentados”, escreveu Fujimoto para o Atlantic em 2004.

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Durante um dos frequentes banquetes de Kim Jong-il, Fujimoto afirma que o ex-líder ordenou que cinco dançarinas tirassem suas roupas.

“Elas não podiam se opor às ordens do seu querido líder. Com grande constrangimento, elas removeram suas roupas e continuaram seu desempenho enquanto nuas”, escreveu Fujimoto.

Em seguida, Kim Jong-il ordenou que a equipe de seu gabinete se juntasse a ele, mas advertiu-lhes que, se eles tocassem as dançarinas, eles seriam considerados ladrões.

Coreia do Norte, Kim Jong-un, Kim Jong-il, ditadura, apetites - Esta imagem não datada, divulgada em 11 de junho de 2008 pela agência estatal de notícias KCNA, mostra o líder norte-coreano Kim Jong-il (esq.) conversando com oficiais enquanto inspeciona a Unidade 958 do Exército Popular Coreano num local não revelado (STR/AFP/Getty Images/KCNA via KNS)
Esta imagem não datada, divulgada em 11 de junho de 2008 pela agência estatal de notícias KCNA, mostra o líder norte-coreano Kim Jong-il (esq.) conversando com oficiais enquanto inspeciona a Unidade 958 do Exército Popular Coreano num local não revelado (STR/AFP/Getty Images/KCNA via KNS)

Fujimoto, que recebeu presentes de luxo, como dois carros Mercedez Benz do agora falecido Kim Jong-il, vivia com medo de aborrecer o regime e acabar sendo executado. O medo levou-o a enganar seu antigo patrão para enviá-lo ao Japão para obter um ouriço do mar, um aperitivo favorito, em 2001.

Quando Fujimoto pousou em sua terra natal, ele ficou por lá.

Mas o chef retornou à Coreia do Norte depois de sua partida, uma vez em 2012 sob o convite formal de Kim Jong-un e novamente em 2016 quando foi jantar com ele.

Após sua viagem de 2016, Fujimoto disse à rede sul-coreana KBS que Kim Jong-un apareceu no jantar com seis mulheres atraentes e bebeu o caro vinho Bordeaux.

Na ocasião, Kim Jong-un se vangloriou de ter bebido “10 garrafas de Bordeaux” na noite anterior, recordou Fujimoto.

 
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