ONU está ajudando a China a esconder seus crimes?

Estariam a ONU e o PCC conspirando para encobrir as violações aos direitos humanos? Isso pode soar como uma pergunta ridícula, mas não é

Por John Mac Ghlionn 

Comentário

Em 1945, logo após a Segunda Guerra Mundial, foi criada a Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com seu site, a organização intergovernamental foi criada para desenvolver “relações amistosas entre as nações e promover o progresso social, melhores padrões de vida e os direitos humanos”.

Porém, na realidade, a ONU parece ser inerentemente corrupta. Em 2005, como o The Economist relatou na época, Benon Sevan, ex-chefe do programa da ONU, petróleo por alimentos, no Iraque, foi acusado de receber “propina” para ajudar uma empresa petrolífera a ganhar vários contratos. Outro alto funcionário da ONU foi acusado de solicitar suborno. Investigações posteriores provaram que Sevan havia aceitado subornos do antigo regime iraquiano. Logo após as revelações, Sevan renunciou ao cargo. Em outubro de 2005, foi iniciada uma investigação criminal. Sevan fugiu rapidamente dos Estados Unidos, onde residia na época, e retornou à sua terra natal, Chipre, onde reside até hoje.

Agora, a ONU parece estar ajudando o Partido Comunista Chinês (PCCh) a encobrir seus crimes (pelo menos temporariamente) em Xinjiang, uma região no norte da China onde estão ocorrendo atos de genocídio.

Estariam a ONU e o PCCh conspirando para encobrir as violações aos direitos humanos? Isso pode soar como uma pergunta ridícula de se fazer, mas não é.

No dia 2 de fevereiro, o South China Morning Post publicou um artigo bastante contundente, no qual a ONU e a China são acusadas de construir um “impasse mutuamente conveniente”. A acusação veio após o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), o principal órgão de direitos humanos da organização, confirmar que “não publicará um relatório sobre supostos abusos na região chinesa de Xinjiang antes dos Jogos Olímpicos de Inverno deste mês”.

Por quê?

A sede do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) foi nomeada Palais Wilson, em homenagem ao ex-presidente dos EUA Woodrow Wilson, em Genebra, no dia 8 de janeiro de 2018 (Fabrice Coffrin/AFP via Getty Images)
A sede do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) foi nomeada Palais Wilson, em homenagem ao ex-presidente dos EUA Woodrow Wilson, em Genebra, no dia 8 de janeiro de 2018 (Fabrice Coffrin/AFP via Getty Images)

Afinal o relatório de Xinjiang está em andamento há quase três anos. Além disso, “acredita-se que estava pronto para publicação durante grande parte desse tempo”. Comentando sobre o atraso inexplicável, a porta-voz do ACNUDH, Liz Throssell, afirmou: “Receio que ainda não tenhamos um cronograma atualizado para a publicação do relatório. No entanto, entendo que não estará pronto para publicação antes do início dos Jogos Olímpicos de Inverno na sexta-feira (4 de fevereiro)”.

Pequim está pressionando a ONU ao silêncio, impedindo a organização de “estragar” os Jogos Olímpicos de Inverno com algumas verdades duras? Parece que sim.

No ano passado, Nikki Haley, ex-embaixadora dos EUA, acusou a China de “trabalhar silenciosamente para corromper as Nações Unidas de cima a baixo”. Ela requisitou ao governo Biden que “desafie as tentativas da China de cooptar as Nações Unidas e suas agências” e convocou outros países “para se oporem à influência da China”.

Haley tinha um ponto.

A ONU possui uma série de agências especializadas. Quinze para ser exato. Quatro delas são administradas por cidadãos chineses: a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a União Internacional de Telecomunicações (UIT), a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDP) e a Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO).

A ONU depende fortemente de financiamento para cobrir custos administrativos e de seus mais de 30 programas afiliados e agências especializadas, bem como operações de manutenção da paz. Muito desse financiamento vem da China. De fato, nas últimas décadas, o apoio financeiro do PCCh à ONU cresceu exponencialmente.

De acordo com pesquisadores do China Power Project, antes da virada do século, a China estava relutante em desempenhar um papel ativo na organização. Hoje, no entanto, é agora um dos maiores contribuintes para o orçamento regular da ONU e o orçamento de manutenção da paz. Curiosamente, agora “fornece mais pessoal para operações de manutenção da paz do que qualquer outro membro permanente do Conselho de Segurança”. Todas essas “contribuições”, observam os autores, permitem que o PCCh “exerça influência diplomática e política globalmente”. Em outras palavras, as contribuições do PCCh permitem que ele controle a narrativa da ONU.

É claro que a China carrega uma grande influência. Devemos nos surpreender? A resposta é não. De jeito nenhum. A ONU parece ser uma organização altamente comprometida, disfarçada de imparcial.

Em caso de dúvida, deixe-me apontar a direção do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que é, para citar o já mencionado Haley, “um protetor de violadores de direitos humanos e um esgoto de preconceito político”. Mais uma vez, Haley está no local. Essa fossa consiste no Catar, um país com uma história horrível de violações dos direitos humanos; e o Cazaquistão, um país onde pelo menos 225 pessoas, muitas das quais eram manifestantes pacíficos, foram recentemente mortas a tiros em plena luz do dia. Também é composto por Rússia, Paquistão, Emirados Árabes Unidos e, claro, China. Todos esses países possuem uma pontuação baixa no índice de direitos humanos e estado de direito.

O que nos traz de volta à pergunta inicial: a ONU está ajudando a China?

Embora não possamos responder a essa pergunta com um sim definitivo, é seguro afirmar que a ONU está longe de ser imparcial. Também é seguro dizer que a China comunista, um país onde genocídios estão definitivamente ocorrendo, possui muita influência sobre uma organização que foi criada para processar, em vez de proteger, maus atores.

As opiniões expressas neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.

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