“ONGs têm sua própria agenda e incitam imigrantes a atravessar a fronteira”, diz Guarda Costeira da Líbia (Vídeo)

Por Epoch Times

O capitão da guarda costeira da Líbia, Abu Ajila Abdelbari, esclareceu em uma entrevista à Euronews qual é a sua visão sobre a crise de imigrantes e o papel das ONGs.

Ajila Abdelbari disse que conta com quatro barcos fornecidos pela Itália para proteger a costa do país e evitar mais mortes de viajantes de diferentes países que tentam atravessar o Mediterrâneo em barcos de borracha, fazendo-os voltar para a costa. Disse também que está à espera de mais unidades porque as que possui são insuficientes.

“Eles não são suficientes, mas graças a eles salvamos muitas vidas. Os italianos nos prometeram mais barcos”, disse ele.

“Mandar os imigrantes de volta transmite uma mensagem forte, porque é um desperdício de tempo e dinheiro eles atravessarem o oceano. A idéia de que os portos europeus estão abertos faz muitos se sentirem corajosos e ansiosos para cruzar. Não somos contra a imigração, mas a favor da imigração legal sem viagens suicidas a bordo de barcos de borracha”.

Com respeito às ONGs, ele disse que curiosamente ao invés de tentarem prevenir naufrágios e mortes, elas se organizam em áreas onde isso inevitavelmente tende a ocorrer, já que sua agenda é retirá-los da África.

“Elas operam a 14 ou 15 milhas de distância da costa da Líbia, onde os naufrágios ocorrem, e isso é uma coisa muito estranha. Elas estão lá para oferecer sua ajuda. Mas trata-se de zonas francas de ajuda e fazendo isso elas estão convidando os imigrantes a atravessar o mar”, disse ele.

“Os imigrantes não devem escutar as ONGs. Elas dizem o que dizem porque querem ficar no Mediterrâneo. Elas seguem sua própria agenda, todo mundo sabe disso”, disse Ajila Abdelbari.

Por seu lado, a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) se defende: “salvar vidas no mar não é um crime”, disse Karline Kleijer, chefe de emergências do MSF, em 29 de junho, após os governos europeus enviarem uma mensagem forte e clara de que sua ajuda humanitária não é bem-vinda.

Kleijer justificou o salvamento no mar por causa da “violência extrema e abusos que os refugiados e os imigrantes sofrem na Líbia”.

O quadro seguinte mostra a nacionalidade dos imigrantes recolhidos no Mediterrâneo e desembarcados na Itália até 28 de maio de 2018. A maioria disse ser da Tunísia, Eritreia e Nigéria. Muitos deles saíram em barcos da Líbia.

Nacionalidade dos imigrantes resgatados no Mediterrâneo e desembarcados na Itália (Governo da Itália)
Nacionalidade dos imigrantes resgatados no Mediterrâneo e desembarcados na Itália (Governo da Itália)

MSF fez notícia em junho graças à sua última transferência para a Espanha de imigrantes no navio de busca e salvamento Aquárius, operado pela SOS Méditerranée, com a ajuda de um barco da marinha italiana.

Agora o navio Aquarius está indo para o porto de Marselha, “forçado a permanecer fora do alcance do resgate internacional”.

Navio Aquarius (MSF)
Navio Aquarius (MSF)

Em 2 de julho, através de um decreto-lei anunciado pelo Ministério do interior, a Itália arranjou de forma “urgente” a transferência gratuita de unidades navais em apoio à Líbia. São navios “do Corpo de Autoridades Portuárias — guarda-costeira italiana e Guarda de Finanças”.

Isso tem como objetivo”assegurar a correta gestão da dinâmica de migração e dos fluxos procedentes e em trânsito nesse país, dando prioridade à necessidade de lutar contra o tráfico de seres humanos, para salvaguardar a vida humana no mar e limitar a pressão migratória”.

A Itália também diz que visa, dessa maneira, “proteger as fronteiras externas e prevenir os possíveis riscos de infiltração de pessoas próximas a organizações terroristas”.

Além dos navios, o país autorizou atividades de treinamento do pessoal da guarda costeira, do Ministério da Defesa e de órgãos de segurança costeira do Ministério do Interior da Líbia.

Imigrantes a bordo do navio Aquarius (MSF)
Imigrantes a bordo do navio Aquarius (MSF)

Acordo europeu

Para enfrentar a crise dos imigrantes ilegais, após 10 horas de debate em Bruxelas, em 29 de junho os primeiros-ministros de 28 governos da UE concordaram em distribuir imigrantes pelo continente com base na vontade de cada país, informou Il Sole24ore.

Além disso, falou-se de centros controlados pela UE também numa base voluntária em cada país, onde as pessoas deverão ser rapidamente classificadas como imigrantes ilegais, retorno ou asilo. Ainda não se sabe onde esses centros ficarão e onde deverão desembarcar os futuros viajantes ilegais resgatados diariamente pelos diferentes navios que atravessam o Mediterrâneo.

O acordo, criticado por políticos de algumas coalizões, ainda não está claro. “Os centros de trânsito não estão de forma alguma abrangidos pelo acordo de coalizão”, disse Aziz Bozkurt, perito em migração do Partido Social-Democrata da Alemanha, para o diário alemão Die Welt.

 
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