Membros da Câmara dos EUA buscam respostas sobre abuso de transplante na China

Carta pede ao Departamento de Estado que revele qualquer informação sobre a colheita forçada de órgãos na China
Testemunhas numa audiência no Congresso de 12 de setembro sobre “A colheita de órgãos de dissidentes políticos e religiosos pelo Partido Comunista Chinês”: (esquerda-direita) Ethan Gutmann, autor de “Losing the New China”; Charles Lee, M.D., um praticante do Falun Gong que esteve preso na China; Gabriel Danovitch, M.D., diretor-médico do Programa de Transplante de Rim e Pâncreas na Escola de Medicina David Geffen da UCLA; e Damon Noto, M.D., dos “Médicos contra a Colheita Forçada de Órgãos”. (Gary Feuerberg/The Epoch Times)

WASHINGTON – Cerca de um quarto dos membros da Câmara dos EUA assinaram uma carta pedindo à secretária de Estado para “liberar qualquer informação” que o departamento tenha “referente aos abusos de transplante na China”.

A carta dos congressistas Robert E. Andrews (D-N.J.) e Christopher H. Smith (R-N.J.) pedindo a seus colegas membros da Câmara para assinarem a carta endereçada a Hillary Clinton afirma que “sérias alegações sugerem que abusos inimagináveis têm ocorrido” na prática do transplante de órgãos na China.

Andrews e Smith se referiram a “testemunhos implicando hospitais e médicos chineses na prática da colheita forçada de órgãos de prisioneiros, que incluiria praticantes vivos do movimento espiritual do Falun Gong, uigures, tibetanos e cristãos domésticos”.

A carta a Clinton pede em particular a liberação de documentos sobre colheita de órgãos que o ex-vice-prefeito de Chongqing, Wang Lijun, teria transmitido durante sua estada no consulado dos EUA em Chengdu, província de Sichuan, em 6 de fevereiro.

“Se tal evidência foi recebida e for trazida à luz”, afirma a carta, “medidas poderiam ser tomadas para ajudar a impedir tais abusos abomináveis.”

De um total de 435 membros da Câmara, 106 representantes de 33 estados assinaram a carta a Clinton até 3 de outubro quando o documento foi encerrado.

No dia seguinte, num comício em Fairfax, Virgínia, o presidente Barack Obama aceitou uma carta informando-o do conteúdo da casa da Câmara, disse Karen Gao, que entregou a carta em nome da Associação do Falun Dafa de Washington DC. O documento pedia ao presidente seu apoio para que o Departamento de Estado libere documentos importantes que, conforme diz a carta da associação, “podem ser um instrumento de ajuda para colocar um fim à atrocidade que tem sido referida como ‘uma nova forma de mal neste planeta’”.

Segundo a Secretaria de Investigação do Congresso (CRS), “tais cartas são uma correspondência oficial distribuída em massa para membros da Câmara e do Senado”. Elas são utilizadas principalmente por membros para persuadir os outros a patrocinarem ou apoiarem um projeto de lei, mas podem ser usadas para outras questões, como foi o caso aqui.

Informação de Wang Lijun

Em 2006, o Epoch Times publicou a história de que a lucrativa indústria chinesa de transplante de órgãos era abastecida com órgãos de praticantes do Falun Gong, o maior grupo de prisioneiros da consciência na China hoje.

Desde então, várias análises e investigações, corroboradas por relatos de testemunhas, levaram à publicação de dois livros que concluem que dezenas de milhares de praticantes do Falun Gong foram mortos por seus órgãos: “Colheita Sangrenta: A coleta de órgãos de praticantes do Falun Gong na China”, de David Kilgour e Matas David em 2009, e “Órgãos do Estado: O abuso do transplante na China”, editado por David Matas e pelo Dr. Torsten Trey em 2012.

Wang Lijun estava diretamente envolvido nas práticas de colheita de órgãos. Ele fundou um centro de pesquisa sobre transplante de órgãos, enquanto era chefe de polícia da cidade de Jinzhou, na província de Liaoning. O centro realizou milhares de operações de transplante de órgãos com fontes de órgãos inexplicáveis.

Bill Gertz relatou no Free Beacon em 10 de fevereiro que dois funcionários norte-americanos lhe disseram que Wang Lijun forneceu ao consulado informações prejudiciais sobre Bo Xilai, o ex-chefe de Wang Lijun em Chongqing.

Websites de notícias em língua chinesa fora da China, citando fontes não identificadas do regime chinês, relataram que a informação que Wang Lijun entregou em Chengdu incluia detalhes sobre a atrocidade da colheita forçada de órgãos de pessoas vivas. O Epoch Times também tinha uma fonte familiarizada com o assunto que relatou o mesmo.

Ouvindo o testemunho

A carta a Clinton referia-se à audiência da Câmara de 12 de setembro sobre “A colheita de órgãos de dissidentes políticos e religiosos pelo Partido Comunista Chinês” e que ocasionou a carta.

As testemunhas implicaram hospitais e médicos chineses na prática da colheita forçada de órgãos de prisioneiros, que consistem principalmente de praticantes vivos do movimento espiritual do Falun Gong, mas também incluem uigures, tibetanos e cristãos domésticos.

Damon Noto, M.D., do grupo “Médicos contra a Colheita Forçada de Órgãos” (DAFOH), falou de “uma superabundância [na China] de órgãos acessíveis para transplante de órgãos”, uma mercadoria que é escassa em toda a parte. Ele relatou que os hospitais chineses anunciaram na internet que poderiam fornecer órgãos em algumas semanas e até mesmo agendar o órgão necessário com antecedência.

O tempo médio de espera para um rim nos Estados Unidos, por exemplo, é superior a três anos, disse Noto.

“Alguns websites hospitalares foram ousados o suficiente para afirmar que seus resultados de transplante eram superiores porque eram capazes de testar a função do dador vivo do rim antes da colheita”, disse Noto.

O Dr. Noto se referiu à experiência do Dr. Jacob Lavee, diretor da Unidade de Transplante Cardíaco do Centro Médico Sheba de Israel, que foi informado por um paciente que teve um transplante de coração na China programado em duas semanas. O Dr. Lavee ficou chocado ao saber que seu paciente realmente foi à China e recebeu o transplante de coração no dia exato programado.

O negócio da coleta de órgãos é “extremamente rentável” na China, disse o Dr. Noto. Ele se referiu a um website do centro de transplante de Shenyang em 2006, que anunciava um transplante de rim por 62 mil dólares; fígado por 98-130 mil dólares; coração por 130-160 mil dólares; e córnea por 30 mil dólares.

O Dr. Noto forneceu evidências de prisioneiros da consciência sendo os principais doadores. Ele disse que os praticantes do Falun Gong que escaparam da China disseram a ele que muitas vezes foram submetidos a testes de sangue e urina e passaram por avaliações físicas e ultrassom várias vezes, enquanto seus companheiros presos não.

Muitos desses prisioneiros foram submetidos a várias formas de tortura. O Dr. Noto concluiu que “é difícil acreditar que esses exames caros foram feitos para o benefício da saúde do preso”.

Charles Lee, M.D., é um praticante do Falun Gong que foi preso por três anos na China. Ele testemunhou na audiência que enquanto preso teve amostras de sangue colhidas sem ser informado da razão. Ele disse que se não fosse a atenção internacional sobre seu caso, ele poderia ter sido uma vítima como milhares de praticantes anônimos do Falun Gong.

Ethan Gutmann, um investigador das práticas chinesas de transplante de órgãos e autor de “Losing the New China”, discutiu sobre oito praticantes do Falun Gong que ele entrevistou e cujos nomes ele forneceu.

Os praticantes foram submetidos a exames médicos peculiares que, segundo ele, foram “muito semelhantes”. O médico era geralmente militar, coletava um grande volume de sangue, realizava raios-X do tórax e colhia amostra de urina. Em seguida, ele examinava as córneas.

“Será que o médico perguntou a qualquer um deles para rastrear o movimento de sua luz? Será que ele movimentou seus dedos para verificar a visão periférica? Não. Apenas as córneas. Nada que envolvesse o funcionamento do cérebro, nenhum martelo no joelho, ausência de linfonodos, nenhum exame dos ouvidos, boca ou genitais – os médicos verificavam os órgãos de varejo e nada mais.”

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