CPI do Cachoeira só volta em outubro

Eleições esvaziam Congresso. Maioria dos candidatos a prefeituras faltam sem abrir mão da remuneração

Sessão administrativa da CPI do Cachoeira. A próxima está prevista para 10 de outubro. (Moreira Mariz/Agência Senado)

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Cachoeira, com políticos e empresários suspendeu os trabalhos até o fim do primeiro turno das eleições. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (4) pelo presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), informou a Agência Senado.

O relator da CPI, Odair Cunha (PT-MG), disse que, apesar das reuniões e depoimentos suspensos, aproveitará o período para trabalhar num balanço das atividades da comissão, a ser apresentado no início de outubro.

“Nada do que nós apuramos até agora será perdido, pelo contrário. Vamos manter uma agenda de análise da documentação e uma agenda de trabalho”, afirmou à agência, destacando também que o baixo quórum, devido às eleições, impede a realização das reuniões.

O único líder a discordar foi o deputado Rubens Bueno (PPS-PR), para quem a decisão é uma tentativa de encerrar as investigações, segundo o veículo. O presidente, Vital do Rêgo, nega: “A CPI está mais viva do que nunca”, declarou à Agência Senado.

Um dos principais pontos de pauta sobre a mesa na volta aos trabalhos da comissão será a ampliação ou não do foco das investigações. Parlamentares, em especial da oposição, defendem a quebra de sigilo de mais empresas também ligadas à Delta Construções.

Outro ponto será a possível prorrogação do período de funcionamento da CPI, previsto para 4 de novembro, em função da suspensão dos trabalhos. Segundo Rêgo, a próxima reunião está prevista para o dia 10 de outubro, informou a Agência Senado.

De acordo com a Agência Câmara, dos 92 parlamentares do Congresso Nacional que concorrem a prefeituras, apenas 11 pediram licença para se dedicar a suas campanhas; nenhum senador. A grande maioria, 81, faltam a dias de trabalho sem abrir mão da remuneração.

Além da paralisia e deste prejuízo, oito suplentes que substituem os deputados licenciados receberão também, por ocuparem a cadeira pela primeira vez na legislatura, uma “ajuda de custo” no valor de um vencimento (26,7 mil reais), implicando um custo extra de 213,6 mil reais aos cofres públicos, de acordo com o a agência de notícias da Câmara dos Deputados.

 
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