China força espionagem na Austrália

Por Marina Dalila, Epoch Times

Michael Li, um empresário chino-australiano do ramo de móveis, residente em Sydney,  Austrália, tem sido constantemente pressionado por agentes de segurança chineses para que se transforme num espião. O empresário é praticante de Falun Gong, prática espiritual chinesa que foi proibida na China desde 1999. Autoridades chinesas comprometeram-se a apoiá-lo financeiramente, caso ele aceitasse espionar a prática espiritual Falun Gong para Pequim.

Os artifícios utilizados pelas autoridades chinesas contra o Falun Gong parecem não ter limites. Após Michael recusar a oferta, eles continuaram a pressioná-lo. Finalmente, eles chegaram ao ponto de fechar a sua fábrica em Guangzhou e prender seu irmão, Junda ‘Richard’ Li, na China. Michael disse que, após ter ficado calado por longos anos, ele decidiu quebrar o silêncio diante da implacável perseguição.

O empresário declarou que continua sendo coagido e ameaçado, e que sua família está sob constante vigilância. Sua casa chegou a ser arrombada em junho deste ano: as portas dos fundos estavam abertas, mas nada foi roubado. Além disso,  no início do ano passado, fiscais do governo, da cidade de Guangdong, pressionaram dezenas de fornecedores de sua empresa para pararem de fazer negócios com ele.  “Os fiscais convocaram uma reunião para dizer-lhes que este era um caso político”, disse ele.

Toda a trama começou com uma abordagem amigável através de seu pai, um ex-alto funcionário do Partido Comunista Chinês. “Eles dizem que se você pode trabalhar para eles e, se você é um empresário,  você se torna amigo deles. Financeiramente, podemos obter apoio deles, e eles podem ainda propiciar mais negócios. Mas eu não quero estar envolvido lá. Eu não quero ser controlado por eles”, afirmou Michael.

Depois que ele rejeitou vários pedidos semelhantes durante visitas repetidas à sua família, ele disse que o tom mudou: “Então, na última reunião que eu fui vê-los e em um dos hotéis, eles disseram”: “Ok, nós, meu departamento, estamos querendo fazer amigos, ok. Queremos fazer amizade com você e se você não quiser cooperar sendo nosso amigo, eu terei que transferir você para outro departamento. O outro departamento não é amigável, eles usam a força “, disseram-lhe.

Michael disse que após este evento a polícia secreta chinesa viajou para a Austrália para prosseguir com as investigações. “ Eu vivo na Austrália, mas estou sob controle chinês. Eu acredito que a polícia secreta do governo chinês está com todos os seus agentes neste país.  Eles apoiam uma grande quantidade de empresários aqui, incluindo pessoas muito bem-sucedidas. Um grande negócio na China é impossível de se suceder sem o apoio do governo chinês”

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Michael Li havia fugido primeiramente para a Austrália em 2000, depois de ter sido investigado por praticar Falun Gong. Após ter voltado para a China com um passaporte australiano, em 2004, ele disse que foi repetidamente abordado por agentes de segurança, que exigiam que ele agisse como um informante sobre a prática espiritual e seus praticantes na Austrália. O empresário foi expulso da China em 2005.

Existem inúmeros casos reportados de agentes chineses que buscam secretamente expatriados. Em agosto, o The New York Times relatou que a administração de Obama tinha repreendido a China com relação ao envio de agentes secretos para os EUA, no intuito de controlarem antigos cidadãos chineses, inclusive ameaçando seus familiares que vivem na China.

Em uma declaração por escrito, a Polícia Federal Australiana disse: “Em dezembro de 2014, o governo australiano tomou conhecimento de que policiais chineses haviam viajado para a Austrália para prosseguir com investigações sem permissão das autoridades australianas. O governo australiano disse ao governo chinês que as ações dos policiais era inaceitável. O governo tem sido assegurado pelas autoridades chinesas de que isso não vai acontecer de novo.”

De acordo com o site Minghui, a perseguição ao Falun Gong começou oficialmente em 22 de julho de 1999, seguida de uma escalada crescente de violações de direitos humanos por parte do regime comunista chinês. O motivo da perseguição é a ideologia ateísta do Partido Comunista Chinês (PCCh), que teme todos os grupos que possam escapar de seu controle ideológico, especialmente os que adotam pensamentos mais espiritualizados e humanos ou crenças que não se encaixam no seu modelo de doutrinação materialista.

Falun Gong é praticado livremente em  114 países e também no Brasil. Na China, país de origem da prática espiritual, seus praticantes são submetidos a severas violações dos direitos humanos. Amplamente documentadas – como prisões, torturas brutais, violência sexual e extração forçada de órgãos de praticantes vivos -, a escala e o alcance dessas violações, possivelmente, fazem dessa a maior perseguição religiosa da atualidade. Estima-se que somente para a extração forçada de órgãos, feita para a obtenção órgãos para a venda no mercado clandestino de órgãos para transplante dos hospitais chineses, já tenham sido assassinados cerca de 1,5 milhão de praticantes de Falun Gong.

O site clearwisdom.net, elaborado por praticantes de Falun Gong afirma: “É nossa convicção que, quando a verdade sobre a perseguição ao Falun Gong na China for totalmente revelada, esta chegará ao fim, já que o mundo simplesmente não será capaz de tolerar mais. O fato de que os líderes comunistas da China tenham se esforçado tanto para se esconder e encobrir seus atos desde 1999, indica que eles acreditam nisto também.”

 
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