Burocracia e importação barata ainda ameaçam recuperação econômica

A presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante cerimônia no Palácio do Planalto para anunciar medidas de reforço à indústria, em 3 de abril de 2012. (Pedro Ladeira/AFP/GettyImages)

Ainda que os discursos oficiais e os dados do comércio varejista amplamente divulgados pelo Governo Federal possam parecer positivos, há dúvidas sobre a sustentação real do crescimento econômico. Sem pragmatismo na aplicação dos pacotes anunciados recentemente pelo Governo, como concessões administrativas e ampliação de estímulos fiscais, a recuperação da economia ainda estará em xeque.

De acordo com a mais recente pesquisa do IBGE, o comércio varejista brasileiro apresentou em junho crescimento de 1,5% no volume de vendas em relação a maio e obteve um aumento de 9,5% sobre junho do ano passado. Este resultado representa o quarto mês consecutivo de índices positivos para a receita nominal de vendas, surpreendendo positivamente diante das expectativas do mercado.

“Começamos a ver sinais da recuperação que já começou”, declarou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, num discurso para empresários em São Paulo há duas semanas. Na ocasião o ministro afirmou que o mercado interno continua apresentando um dinamismo raro e que o Brasil está entre os primeiros a sair da crise que afeta a economia mundial. Quanto ao emprego, Mantega disse ter havido um crescimento significativo em todos os estados brasileiros, “contrastando com os altos índices de desemprego na Europa e nos Estados Unidos”. O ministro assegurou, finalmente, que o governo continuará adotando medidas de estímulo.

Já no setor industrial, os dados não são muito favoráveis, com queda de 3,8% no acumulado do primeiro semestre. Segundo análise do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), a concorrência com produtos estrangeiros, produzidos a um custo de mão de obra demasiadamente baixo, ainda representa forte ameaça à indústria nacional, tanto no mercado interno como externo. Não há dúvidas de que, em algum momento, o comércio passará a sentir os efeitos dessa queda na produção.

O Palácio do Planalto acaba de anunciar um ousado pacote de privatizações, ou concessões, como preferem alguns, e estuda não somente a prorrogação, mas a ampliação de estímulos fiscais, além da manutenção do afrouxamento monetário para afastar os efeitos da crise global. A sociedade deve acompanhar e cobrar que tais medidas saiam do papel o mais rápido possível, para que o país possa vir a ter de fato um cenário mais favorável no ano que já se avizinha.

 
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