Aumenta o feijão chinês na feijoada brasileira

Feijão preto. Redução da safra brasileira e consequente aumento do preço vem impulsionando importação da preferência nacional da gastronomia do brasileiro. (Fotosearch Value)Desde 2008 cresce no Brasil a importação de feijão preto da China

Até mesmo o prato-chefe da gastronomia brasileira tem vindo de longe. Segundo análise da Federação da Agricultura do estado de Paraná (Faep) a partir de dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, 72, 93% do feijão preto importado pelo Brasil em abril de 2012 vieram da China, correspondendo a 13.994 do total de 19.146 toneladas compradas do estrangeiro.

Já no primeiro quadrimestre do ano, as importações de feijão preto da China corresponderam a 44% do total de 78,2 mil toneladas encomendadas do exterior no período, segundo a Faep. As exportações chinesas do grão vêm crescendo desde 2008, quando ocorreu a quebra nas safras brasileira e argentina, e já superam um milhão de toneladas anuais, segundo a FAO, o que torna hoje a China a maior exportadora mundial de feijão preto.

A falta do grão para atender a demanda nacional e a consequente elevação dos preços no mercado interno têm contribuído para o aumento das importações. Segundo estimativas, o feijão preto chinês está custando 20% menos que o nacional, mesmo com o imposto de 10% sobre importação, enquanto o argentino está 15% mais barato.

O peso da produção chinesa no mercado brasileiro já aparece nas estatísticas dos grandes processadores do grão. Mais de 90% da oferta de feijão preto da Broto Legal Alimentos hoje vêm da China, informou o jornal online Estadão. O diretor de suprimentos da Camil, José Rubens, disse ao jornal que sua empresa prefere o produto nacional, “no entanto, há alguns anos a produção nacional tem ficado abaixo da demanda, o que nos obrigou a recorrer à importação”.

Com a concorrência chinesa, o maior município produtor de feijão preto do Brasil, Prudentópolis, está cada vez mais se transformando em produtor de soja, segundo o Estadão. Edmir Servat, um produtor tradicional, após plantar feijão preto por 40 anos, vai reduzir pela metade a área plantada e passar a cultivar soja. “Não tem como concorrer com a China e a Argentina. O custo deles é mais baixo do que o nosso”, relatou ao jornal.

O engenheiro agrônomo da Cooperativa Agrícola Mista de Prudentópolis, Tarcisio Pontarolo, ainda de acordo com o veículo, afirmou que em torno de oito mil pequenos produtores da cooperativa também já cogitam reduzir em 40% a área plantada da próxima safra.

Em fevereiro deste ano, o colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, havia adiantado que, “segundo gente do setor”, só no Rio de Janeiro, a origem de 80% do feijão preto já era o mercado asiático, principalmente a China.

Segundo o canal Globo Rural, além da redução da área cultivada, a safra de 2011 também teria sido afetada pela seca no norte e nordeste do país, a estiagem no Paraná e as tempestades no Rio de Janeiro. Segundo o veículo, o feijão preto corresponde a 17% da demanda nacional, enquanto o feijão carioca continua sendo o mais consumido no Brasil, respondendo por 80% da demanda nacional.

 
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