Seis programas de espionagem chinesa muito piores que o Big Brother

Lançado em 1949, o famoso livro “1984” de George Orwell alertou para um futuro distópico, onde o autoritário regime “Big Brother” monitora seus cidadãos através de monitores de TV , tendo criado elaborados sistemas para o controle social.

Hoje em dia, o Partido Comunista Chinês (PCC) ultrapassou, e muito, o regime opressivo na visão de Orwell, e estes são seis programas de espionagem que a China já colocou em prática:

1) “Big Intelligence

O regime chinês está espiando cada um dos seus cidadãos, incluindo, até mesmo, os principais líderes do PCC. Isso é feito através de um programa chamado “Big Intelligence”, que é operado pelo Ministério da Segurança Pública.

O programa foi revelado em 2014, e já estava sendo usado há cerca de 10 anos. O ex-chefe do Departamento de Segurança Pública de Chongqing disse ao Sound of Hope Radio  que através do uso do “Big Intelligence”, o PCC pode rever todos os 1,3 bilhões de chineses em 12 minutos, cada pessoa na China da lista de procurados em 4 minutos, e a carteira de cada motorista na China em 3,5 minutos.

O “Big Intelligence” é um programa de vigilância em massa que coloca a ficção de Orwell no chinelo. O programa reúne informações de câmaras de vigilância localizadas em todos os lugares, desde táxis, esquinas, lojas, e usa  a informação para rastrear pessoas. A Sound of Hope Radio informou que o PCC possui centenas de milhares de câmeras de vigilância instaladas em cada cidade. Em 2014, o sistema já possuia mais de 50.000 câmeras de vigilância somente na cidade chinesa de Chongqing.

A polícia de Pequim anunciou, em outubro 2015, que a sua rede de câmeras de vigilância era  manejada por mais de 4.300 oficiais, no intuito de monitorar  “100 % da capital.” Os sistemas são comumente usados ​​para rastrear crentes religiosos e dissidentes políticos.

2) O “sistema de crédito social”

O que é um regime autoritário senão aquele que persegue pessoas por sua liberdade de pensamento? Na visão de Orwell, os cidadãos são perseguidos por “crimes de pensamento.” E o mesmo acontece com o PCC, onde até acordos para usuários das principais empresas de tecnologia proíbem “pensamento” e “discurso” que desafiem o domínio do Partido.

Entretanto, o regime chinês dá alguns passos ainda mais ousados através de seu sistema de Crédito Social. Este programa reúne e disponibiliza todas as informações de qualquer cidadão chinês, e então às utiliza para atribuir a cada pessoa uma classificação. Esta classificação pode afetar a pessoa para conseguir um emprego, tomar um empréstimo ou comprar uma casa, e funciona como uma ferramenta que facilita a auto-censura.

Além de tudo isso, o sistema de crédito social pode reduzir a classificação do indivíduo, caso ele tenha um amigo ou membro da família com uma baixa classificação, ou seja, este sistema foi criado de forma a fazer com que amigos e familiares passem a monitorar suas opiniões com relação ao PCC.

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Chris Chappell, anfitrião do China Uncensored, descreveu o programa em Maio de 2015 como “tipo o Yelp, onde ao invés de uma pessoa ir a um restaurante e depois dar uma pontuação, é o Partido Comunista que pontua a cada um dos 1,3 bilhão de pessoas que vivem na China “.

3) A polícia da Internet

Se você está vivendo em um ambiente sem o livre pensamento ou liberdade de expressão, você ainda pode normalmente encontrar um consolo na internet, que lhe confere algum nível de anonimato. Mas isso não  acontece na China.

Em uma avaliação feita sobre a liberdade na Internet em 65 países ao redor do mundo, conduzida pela Freedom House, uma organização de vigilância independente, em 2015 a China ficou em último lugar, estando atrás até mesmo da Cuba e da Síria.

Imagem dos desenhos animados da "Polícia da Internet de Pequim" vista em uma tela de computador na China. Os personagens começaram a aparecer nas telas dos computadores a cada 30 minutos em 13 grandes portais chineses em setembro de 2007, para lembrar os internautas que eles estão sendo vigiados (STR/AFP/Getty Images)
Imagem dos desenhos animados da “Polícia da Internet de Pequim” vista em uma tela de computador na China. Os personagens começaram a aparecer nas telas dos computadores a cada 30 minutos em 13 grandes portais chineses em setembro de 2007, para lembrar os internautas que eles estão sendo vigiados (STR/AFP/Getty Images)

Parte desta pontuação baixa pode ter sido atribuída a agentes do PCC que monitoram discussões on-line, acessam o conteúdo off-line e denunciam os internautas a autoridades competentes. Eles empregam uma enorme rede de cerca de 500.000 trolls da Internet, conhecidos como o “exército de 50 centavos”, empregados para promover e defender em todo o mundo a propaganda on-line do PCC.

Entre os muitos crimes na Internet que podem colocar os internautas atrás das grades, um deles é o de “espalhar boatos” que estão fora narrativa do PCC através de publicações, criticando o regime chinês e promovendo conceitos “subversivos” como a democracia.

4) Espionagem em carros

Uma das grandes falhas no uso de câmeras de vigilância e Internet para espionar os cidadãos é que quando eles entram em um carro: eles se tornam muito mais difíceis de controlar.

No entanto, o PCC encontrou uma maneira de contornar esta situação. Além de câmeras de vigilância da polícia instaladas em táxis, eles começaram solicitar às unidades que utilizem identidades eletrônicas, de forma a facilitar o rastreamento dos veículos.

A primeira fase do programa está sendo testada na cidade chinesa de Shenzhen, onde o PCC emitiu recentemente 200.000 cartões de identificação para os condutores de veículos, incluindo caminhões de transporte comerciais e ônibus escolares. Segundo a Reuters, se o programa der certo, o PCC irá expandi-lo para todos os carros particulares na cidade.

Obviamente o PCC já utilizou sistemas semelhantes no passado. Em 2011 foi revelado que autoridades chinesas instalaram dispositivos de espionagem em todos os veículos chineses de placas duplas (licença que permite os veículos transporem a fronteira da China com Hong Kong) em  Kong-Hong. Os dispositivos de espionagem podem ouvir conversas e localizar veículos que estavam sendo escondidos através do uso de falsos documentos nas “inspeções e quarentenas” ao passar pelo órgão oficial de Inspecção e Quarentena de Shenzhen.

5) Dispositivos de espionagem

É cada vez mais comum os governos em geral terem a atitude de espionar ligações telefônicas, mas o PCC mais uma vez supera a concorrência, com os seus sistemas de espionagem elaborados que acoplam em aparelhos, ou através de ataques cibernéticos, ou mesmo pré-instalalando sistemas de espionagem em aparelhos já na fábrica.

Durante os protestos pró-democracia que ocorreram em Hong Kong em 2014, muitos dos manifestantes tiveram seus computadores, celulares e tablets hackeados num ato que classificaram como elaborados ciberataques chineses que visavam ativistas democráticos.

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Michael Shaulov, diretor executivo da Lacoon Mobile Security, ajudou a descobrir os ciberataques destinados a smartphones, e ele disse que a violação poderia fornecer ao governo acesso a cada uma das partes dos telefones – incluindo câmera, microfone, histórico de páginas acessadas e localização por GPS. Ele disse: “Para efeitos de espionagem esta é provavelmente a ferramenta perfeita.”

As empresas chinesas também têm um longo histórico de venda de telefones e outros dispositivos com vírus e programas espiões, já instalados, que relêm os dados do usuário enviando-os de volta à China.

6) Pré-Crime

Mesmo se você consegue evitar os “crimes de pensamento” na China, você ainda terá que ficar com um pé atrás. O regime chinês está agora à procura de maneiras de detectar “pré-crimes”.

Segundo a Bloomberg, o PCC dirigiu uma de suas maiores contratadas para a defesa estatal, a China Electronics Technology Group, para construir um novo software que recolhesse informações sobre as pessoas, desde empregos, passatempos, hábitos de compra, entre outros comportamentos.

O novo sistema de detecção “pré-crime” do PCC, de acordo com a Bloomberg, “é sem precedentes porque não possui garantia de leis de proteção de privacidade e nem recebeu qualquer crítica por parte dos defensores da liberdade civil e das empresas.”

O PCC está lançando o conceito como uma maneira de prevenir ataques terroristas, mas o regime autoritário chinês muitas vezes mascara seu sistema autoritário com a desculpa de serem programas espiões para procurar terroristas. Com a nova lei “anti-terror” do PCC, por exemplo, Zhao Yuanming, um sênior especialista chinês em leis, disse à NTDTV em fevereiro de 2015: “Eu acredito que tal lei anti-terrorismo está intencionalmente tentando camuflar a linha entre o anti-terrorismo e disputas étnicas ou de pessoas que possuem diferentes pontos de vista políticos “.

 
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