Xu Shen, o criador do primeiro dicionário chinês

Xu Shen, o criador do primeiro dicionário chinês (Zhiching Chen/The Epoch Times)

Xu Shen (c. 58–147 d.C.) foi um filólogo chinês na Dinastia Han Oriental que compilou o primeiro dicionário chinês.

Na Dinastia Han Oriental, muitos estudiosos costumavam alterar ou criar novos estilos de caracteres por vaidade intelectual e tais mudanças inconsistentes causavam grande confusão. Para corrigir esta situação caótica, em 100 d.C., Xu Shen começou a compilar o primeiro dicionário chinês, chamado “Shuōwén Jiězì” (“Explicando de forma simples e analisando caracteres compostos”).

Xu Shen analisou a estrutura dos caracteres chineses com base nos ensinamentos do I-Ching (Livro das mutações) e nos cinco elementos e dividiu os caracteres chineses em seis categorias:

Pictogramas ou “representações diretas”: Estes exibem o significado de forma direta, representando a aparência [por exemplo: 山 (shān) para ‘montanha’; 人 (rén) para ‘homem’; 木 (mù) para ‘árvore’; a forma de um pequeno quadrado口 (kǒu) para ‘boca’, também se referindo a uma passagem, um buraco, uma enseada, enquanto um grande quadrado, 囗 (wéi), representaria uma praça, um recinto ou uma periferia, etc.];

Ideogramas que “indicam os fatos”: Estes são pictogramas conceituais, na medida em que representam uma ideia abstrata por meio de uma imagem [por exemplo: 一 (yī) para ‘um’; 二 (èr) para ‘dois’; 三 (sān) para ‘três’; 上 (shàng) para ‘encima’; e 下 (xià) para ‘embaixo’];

Ideogramas compostos que “combinam sentidos”: Caracteres que consistem de dois ou mais caracteres com significados semelhantes ou diferentes e cujos conteúdos são combinados para criar novos caracteres [por exemplo: 從 (cóng), dois homens andando um após o outro ‘para seguir’ ou ‘seguidores’; 眾 (zhòng) três homens que compartilham o mesmo objetivo, significando ‘muitos’ ou ‘um grupo de pessoas’; e 囚 (qiú) que representaria um homem cercado por muros e, portanto, significa um ‘prisioneiro’; duas árvores 林 (lín) significam uma ‘floresta’; e três árvores 森 (sēn) representando grande crescimento; 安 (ān) ‘paz’ é a combinação de ‘telhado’ 宀 (mián) e ‘mulher’ 女 (nǚ) e significaria “tudo está tranquilo com a mulher em casa”];

Compostos fonosemânticos ou “forma e som”: Caracteres que consistem de um componente que indica o som e outro para o significado [por exemplo: 媽 (mā) significa ‘mãe’, seu componente da direita é 馬 (mǎ), que significa ‘cavalo’ e indica o elemento fonético, enquanto o componente de esquerda é 女 (nǚ), que significa ‘mulher’ e dá o significado]. O componente que fornece o significado é muitas vezes um ‘radical’ (um dos cerca de 200 ‘blocos de construção’ dos caracteres que compõem a escrita chinesa). Cerca de 90% de todos os caracteres chineses está neste grupo.

Empréstimos-fonéticos ou “de nome falso”: O raciocínio por trás desses caracteres é um pouco mais complexo e se relaciona com o desenvolvimento histórico da escrita chinesa. Na antiga China, um caractere muitas vezes seria usado para mais de um significado. Mas, com a transmissão e evolução da língua, o caractere mais comum e frequente na língua acabaria “emprestando” a escrita do anterior. Por exemplo, 來 (lái) era o pictograma para ‘trigo’, mas também era usado para o verbo ‘vir’. Eventualmente, a palavra mais comum ‘vir’ se tornou o significado padrão do caractere e um novo caractere para ‘trigo’, 麥 (mài), foi estabelecido.

Significados recíprocos ou “virar e derramar”: Esta é uma categorização puramente histórica e se refere a caracteres que têm a mesma raiz etimológica, mas que divergiram na pronúncia e significado. 老 (lǎo) ‘velho’ e 考 (kǎo) ‘teste’ é um exemplo comum.

Demorou mais de 21 anos para Xu Shen terminar a obra Shuōwén Jiězì, que contem um total de 9.353 entradas de caracteres chineses e 540 radicais. O Shuōwén Jiězì é o primeiro dicionário profissional e sistemático a organizar os caracteres por componentes compartilhados, sendo uma referência para obras lexicográficas até hoje.

Os caracteres chineses são o veículo mais importante do desdobramento e da herança cultural chinesa. O Shuōwén Jiězì manteve a escrita dos antigos caracteres chineses, como a escrita oracular em ossos, a escrita em artefatos de bronze, etc., assim atribuindo grande importância aos estilos e significados originais dos caracteres chineses.

O Shuōwén Jiězì é considerado um marco histórico monumental da filologia chinesa.

Para conhecer outras figuras históricas da antiga China, clique aqui.

Epoch Times publica em 35 países em 21 idiomas.

Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/EpochTimesPT

Siga-nos no Twitter: @EpochTimesPT

 
Matérias Relacionadas