Xiaomi, exemplo do modelo chinês: violação de patentes, espionagem, dumping

A ascensão da Xiaomi para se tornar o terceiro fabricante de smartphones do mundo tem algumas peculiaridades problemáticas e perigosas. Além do fato de que software de espionagem foi encontrado pré-instalado em seus dispositivos, esta empresa chinesa também carece de um forte portfólio de patentes.

Num artigo recente sobre a Xiaomi, o New York Times assinalou a situação das patentes da Xiaomi numa sentença, declarando: “A Xiaomi ainda não tem um portfólio de patentes significante, deixando-a vulnerável a ações judiciais por parte dos concorrentes.”

É claro que há muito mais por trás da falta de patentes da Xiaomi. Em primeiro lugar, sua falta de patentes não é um sinal de que a Xiaomi está evitando possíveis litígios de patentes.

A Xiaomi trabalha com uma empresa separada, financiada pelo regime comunista chinês, que cuida de suas disputas de patente. Uma empresa identificada em inglês como patent-troll é uma empresa que compra ou arquiva patentes abrangentes ou desatualizadas, e então processa empresas por violarem essas patentes, a fim de obter uma parte dos lucros.

O regime chinês financiou recentemente sua empresa patent-troll, a Ruichuan IPR, com US$ 50 bilhões em patentes dúbias para se envolver no mercado empresarial de litígio de patentes – o que significa basicamente dedicar-se de forma exclusiva a processar outras empresas por violação ou fraude de patentes.

A Ruichuan IPR atualmente trabalha com diversas empresas chinesas, incluindo Xiaomi, TCL e Kingsoft. Seu foco atual está no arquivamento de novas patentes e em ações “defensivas” para processar empresas pela violação de suas patentes.

Atualmente, patent-trolls custam à economia americana US$ 29 bilhões por ano, e a Xiaomi em breve poderá aumentar esse número.

Mas, além dessa abordagem predatória e abusiva no mercado de patentes, o portfólio de patentes da Xiaomi é minúsculo, o que também diz algo sobre sua cultura de inovação.

Um de meus colegas, Valentin Schmid, destacou em outubro que apesar de ser classificada como uma das 35 empresas mais inovadoras do mundo pelo Boston Consulting Group, a Xiaomi está longe de ser inovadora.

“Para começar, a Xiaomi não tem um portfolio de IP”, escreveu ele. “Seus produtos, seu design e inclusive seu fabricante [a Foxconn] são os mesmos que os da Apple.” Ele também apontou, como muitos fãs da Apple, que o CEO e fundador da Xiaomi, Lei Jun, “também se veste como Steve Jobs em eventos da empresa”.

Fotografias de showroom da Xiaomi mostram também uma sala que parece quase idêntica a uma loja da Apple, incluindo funcionários com uniformes notavelmente semelhantes.

O que a falta de patentes da Xiaomi realmente destaca é uma cultura pobre de pesquisa e desenvolvimento. Ela não é uma empresa com indivíduos criativos e de mente aberta que buscam criar algo novo, é uma empresa predatória que copiou sistematicamente os designs e a abordagem de marketing da Apple.

Ao invés de construir uma sociedade em torno da inovação, a Xiaomi simplesmente abriu seu caminho até o mercado com subsídios estatais, oferecendo produtos abaixo dos preços dos competidores-inovadores.

 
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