Vice-presidente de Taiwan viaja para Honduras diante da preocupação de perder outro aliado à China

'A comunidade internacional entenderá que Taiwan é um amigo confiável e possui a capacidade de ajudar a comunidade internacional'

Por Frank Fang 

TAIPEI, Taiwan – O vice-presidente taiwanês, William Lai, viajou para Honduras no dia 25 de janeiro, diante da possibilidade da nação centro-americana abandonar os laços diplomáticos com a ilha, a favor do regime chinês.

Lai está programado para participar da posse da presidente eleita de Honduras, Xiomara Castro, no dia 27 de janeiro. Honduras é atualmente um dos 14 aliados diplomáticos restantes de Taiwan, após Taipei ter perdido oito países para Pequim desde 2016.

Honduras e Taiwan comemoraram 80 anos como aliados diplomáticos em 2021, no entanto, o relacionamento está atualmente em terreno instável após Castro afirmar durante sua campanha no ano passado que, uma vez que ela se tornasse presidente, ela “imediatamente abriria relações diplomáticas e comerciais com a China continental”.

A viagem de Lai ao exterior está atualmente sob escrutínio porque existe a possibilidade de ele se encontrar com a vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, que lidera uma delegação presidencial de seu país para participar da posse de Castro. Os Estados Unidos são atualmente o maior fornecedor de armas de Taiwan, embora os dois lados não tenham uma relação diplomática formal.

“Enquanto a presidente Castro se prepara para promover novas políticas, Taiwan manterá o espírito de diplomacia pragmática e assistência mútua, aprofundará a cooperação com Honduras e superará várias dificuldades para beneficiar os povos de ambos os países”, declarou Lai durante uma entrevista coletiva pouco antes de embarcar em seu voo.

Como sinal da determinação de Taiwan em aprofundar os laços com o governo de Castro desde o início, Lai afirmou que traria suprimentos para ajudar Honduras a combater a COVID-19.

Além de encontrar-se com Castro, ele relatou que teria “interações e trocas” com líderes, vice-chefes e representantes de “países aliados e amigos”, embora não tenha citado Harris ou qualquer outra pessoa.

A viagem mostrará ao mundo que Taiwan “assumirá corajosamente a grande responsabilidade pela estabilidade da ordem regional e até internacional”, afirmou Lai.

“A comunidade internacional entenderá que Taiwan é um amigo confiável e possui a capacidade de ajudar a comunidade internacional”, acrescentou o vice-presidente.

Segundo a Agência Central de Notícias de Taiwan, a delegação de Lai passará por Los Angeles antes de chegar a Honduras. Em seguida, retornará para Taiwan no dia 30 de janeiro, após uma escala em São Francisco.

A China não quer que Lai e Harris tenham qualquer interação em Honduras. Quando questionado sobre a possível interação dos dois líderes durante um briefing em 20 de janeiro, Zhao Lijian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, declarou que a China “se opõe firmemente” a qualquer “intercâmbio oficial” entre Taiwan e os Estados Unidos.

Zhao também desaprovou a decisão dos EUA de permitir o trânsito de Lai pelas cidades dos EUA.

O Partido Comunista Chinês (PCC) considera o governo autônomo de Taiwan uma parte de seu território que deve ser unida ao continente, pela força, se necessário. Portanto, Pequim se opõe a qualquer coisa que possa sugerir que Taipei seja um Estado e uma nação de fato, bem como a adesão de Taipei a organizações internacionais, a visita de funcionários de governos estrangeiros à ilha ou o trânsito de funcionários de Taiwan por países com vínculos formais com Pequim.

Os oito parceiros diplomáticos que Taiwan perdeu para Pequim desde 2016 são: Nicarágua, Kiribati, Ilhas Salomão, São Tomé e Príncipe, Panamá, Burkina Faso, República Dominicana e El Salvador. A Nicarágua é o último país a mudar seu reconhecimento diplomático, rompendo relações com Taipei em dezembro do ano passado.

Pequim se gabou de que continuará a roubar os parceiros diplomáticos de Taiwan. Le Yucheng, vice-ministro das Relações Exteriores da China, afirmou no dia 18 de janeiro que era “uma questão de tempo até que [o número de] aliados diplomáticos de Taiwan seja zero”.

Em novembro de 2021, um funcionário do Departamento de Estado dos EUA declarou a repórteres em uma entrevista por telefone que os Estados Unidos gostariam que Honduras mantivesse relações diplomáticas com Taiwan.

Em 21 de janeiro, o congressista Tom Tiffany (Republicano do Wisconsin) foi ao Twitter para relatar que havia falado com Harris e lhe pedido para “se encontrar diretamente” com Lai em Honduras.

Com informações da Reuters.

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