Venezuela classifica relatório de missão da ONU como “propaganda de guerra”

Por Agência EFE

Caracas, 19 set – O regime da Venezuela classificou neste sábado como “monumento à propaganda de guerra” o relatório da missão internacional da ONU, segundo o qual o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, e outras autoridades do país cometeram crimes contra a humanidade.

“É algo insólito, irresponsável, uma fraude. É, absolutamente, um monumento à propaganda de guerra”, declarou o ministro das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, sobre a elaboração do relatório que, segundo denunciou, foi escrito sem que os membros do grupo encarregado fossem à Venezuela.

A missão internacional que a ONU encarregou de investigar a situação dos direitos humanos na Venezuela concluiu que Maduro e os ministros de Interior e Defesa estão envolvidos em graves crimes cometidos pelas forças de segurança do país.

O relatório oferece ampla informação “que demonstra que as autoridades do Estado – tanto em nível presidencial como ministerial – exerciam poder e supervisão sobre as forças de segurança civis e militares e as agências identificadas como autoras das violações e crimes documentados.

“A missão tem bases razoáveis para acreditar que tanto o ditador como os ministros do Interior (Néstor Reverol) e da Defesa (Vladimir Padrino) contribuíram para a comissão dos crimes documentados neste relatório”, destacam as conclusões da investigação.

“OPERAÇÃO MERCENÁRIA JURÍDICA”

Arreaza comparou a elaboração do relatório com a chamada Operação Gedeón, uma fracassada tentativa de invasão que contou com a participação de ex-militares e ex-policiais venezuelanos com contratistas venezuelanos, ao considerá-lo “uma operação mercenária jurídica”.

Na opinião do chanceler venezuelano, o relatório mostra que “estão fazendo política com os direitos humanos, e não política para os direitos humanos”.

O ministro relacionou a divulgação do relatório, na quarta-feira passada, à viagem do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, por países na fronteira com a Venezuela – incluindo o Brasil -, com os quais tem abordado a situação no país, e disse ver as visitas como um ato de campanha para as eleições presidenciais.

De acordo com Arreaza, o relatório “desprestigia as Nações Unidas”. O ministro venezuelano afirmou que os governos que dizem que “a Venezuela tem que ser levada a sério” no documento “caíram em uma cilada dessa operação mercenária”.

Arreaza acrescentou que o relatório desconhece que a Venezuela desistiu de fazer parte da Organização dos Estados Americanos (OEA) e criticou a menção a um “governo interino”, em clara referência ao líder opositor Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino do país.

“Qual governo interino?”, questionou Arreaza, ao destacar que a ONU reconhece Maduro como presidente.

O chanceler também negou maus tratos e torturas ao líder opositor Leopoldo López e ao deputado Juan Requesens durante o tempo na prisão e mostrou fotos, vídeos e áudios que, segundo ele, negam a situação.

Além disso, negou que as forças policiais tenham usado armas letais nas manifestações da oposição, classificando o relatório como “um monumento à pirataria jurídica”.

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