Tudo pelo poder: a verdadeira história de Jiang Zemin – Capítulo 10

Altos quadros militares ficaram indignados ao testemunhar Jiang usando apenas uma mão para apresentar os certificados de promoção aos destinatários

Os dias de Jiang Zemin estão contados. É apenas uma questão de quando, e não se, o ex-chefe do Partido Comunista Chinês será preso. Jiang governou oficialmente o regime chinês por mais de uma década, e por outra década ele foi o mestre das marionetes nos bastidores que freqüentemente controlava os eventos. Durante essas décadas, Jiang causou danos incalculáveis à China. Neste momento, quando a era de Jiang está prestes a terminar, o Epoch Times republica em forma de série “Tudo pelo poder: a verdadeira história de Jiang Zemin”, publicado pela primeira vez em inglês em 2011. O leitor pode vir a compreender melhor a carreira desta figura central na China de hoje.

Capítulo 10: A indulgência e a corrupção permeiam as Forças Armadas; desejos trazem ruína para a “Grande Muralha de Ferro” (1998)

Jiang Zemin sabia muito bem que não tinha prestígio ou qualificações no serviço militar. A maioria dos líderes militares seniores lutou no campo de batalha. E a maioria tinha ligações sólidas com outros líderes militares, o que particularmente faltava em Jiang. Tanto Mao Tsé-Tung quanto Deng Xiaoping já comandaram grandes forças militares e conquistaram o respeito dos soldados chineses. Em contraste, Jiang carecia não apenas a formação política que cada um tinha, mas também a experiência militar. Ele nunca tinha sequer colocado as mãos em uma arma.

Na maioria das sociedades modernas normais, um partido governante só pode formar um governo por meio de eleições democráticas. As diferentes vozes da sociedade servem para monitorar a autoridade administrativa do partido político no poder. A má gestão do governo pode significar impeachment ou destituição do cargo. Os militares nesses países pertencem ao Estado e não a nenhum partido político. A missão dos militares é salvaguardar os interesses do povo e defender as fronteiras do país. Assim, nem os conflitos entre partidos políticos nem os conflitos internos dentro de qualquer um dos partidos geralmente envolvem os militares. Independentemente do candidato do partido eleito, a lealdade dos militares à nação e a obediência ao comando da organização com mais autoridade do país, conforme estipulado pela constituição, são imperativas. Esta é uma das razões pelas quais os países democráticos podem permanecer politicamente estáveis, apesar de terem, às vezes, debates acalorados e tensões entre os partidos.

No entanto, as forças armadas da China são diferentes das nações do Ocidente. Na realidade, os únicos militares da China são do PCC e não da própria nação. Assim, os militares servem como uma ferramenta do Partido para se beneficiar. O Partido Comunista Chinês sempre enfatizou que as filiais do Partido devem ser estabelecidas no nível da companhia. Voltando algum tempo, Mao Tsé-Tung postulou a fórmula de que “O Partido comanda a arma”. Em outras palavras, aquele que tem a vantagem no controle dos militares será decididamente o vencedor em qualquer luta política intrapartidária. Se o poder militar não está ao seu alcance, o futuro político está nas mãos de outros.

Foi então que Jiang Zemin ficou profundamente preocupado. Mas Jiang tinha seus próprios meios para controlar os militares.

1. Promoção de funcionários para obter sua lealdade

A promoção nas forças armadas é um assunto importante. É concedido para realizações meritórias, como trabalho em campos de batalha sangrentos e proteção das casas dos cidadãos e do bem-estar da nação.

Durante a época de Mao, aqueles que foram feitos marechais e generais haviam superado perigos incalculáveis antes de alcançar suas posições proeminentes. Indivíduos promovidos apreciariam a promoção e se sentiriam dignos por ela. Os militares sabiam que, em tempos de paz, tempos em que havia poucas oportunidades de demonstrar força, a promoção ao posto de general não era coisa fácil. No entanto, sob o governo de Jiang, isso mudaria, já que a bajulação rapidamente se tornou um atalho para a promoção no exército. As promoções de Zhang Wannian, Guo Boxiong e You Xigui—cada um produto de favoritismo, e não de realizações militares—são amplamente conhecidas entre os militares. O caso mais extremo é o do Comandante-General Guo Boxiong da 47ª unidade militar. Guo foi promovido a vice-presidente da Comissão Militar por meramente manter a guarda de Jiang durante o cochilo da tarde do líder.

Desde a restauração do sistema de classificação militar em 1988, a Comissão Militar Central (CMC) nomeou 96 oficiais de alto escalão para os postos militares e policiais com patentes de General. Junto com os 17 oficiais de alta patente nomeados generais por Deng Xiaoping em 14 de setembro de 1988, os outros 79 generais foram nomeados por Jiang entre 1993 e 2004. Quanto aos Major-Generais e Tenentes-Generais, centenas foram feitos assim na era de Jiang—quase como se a mudança fosse parte de um jogo casual.

Em 7 de junho de 1993, Jiang concedeu a seis oficiais de alta patente o posto militar de General. Um ano depois, em 8 de junho de 1994, Jiang conferiu títulos a 19 generais em sucessão.

Em 23 de janeiro de 1996, em um momento extravagante, Jiang disse aos que estavam ao seu redor: “Hoje, vamos promover várias pessoas a General para nosso próprio prazer. O que vocês acham?” Os que estavam ao seu redor eram em grande parte bajuladores e, portanto, sua resposta foi uma afirmação segura. Imediatamente Jiang conferiu a quatro pessoas a patente de General. Foi naquele dia que o comissário político Sui Yongju, do Segundo Corpo de Artilharia, passou de Tenente-General ao posto de General.

Em 24 de outubro de 1997—em um único dia—Jiang promoveu 152 pessoas a General. Filhos de ex-funcionários de alto escalão e aqueles com ligações familiares foram especificamente visados por Jiang para receber apoio. Por exemplo, o filho de He Long, He Pengfei, foi alistado no exército somente após o colapso da Gangue dos Quatro em 1976. Ele serviu no exército por menos de 20 anos, mas em apenas uma promoção ele se tornou Vice-almirante. Já em 1997, Jiang havia conferido a 530 pessoas as patentes de General, Tenente-General ou Major-General.

Em 27 de março de 1998, o CMC realizou uma cerimônia para promover 10 militares e policiais de alto escalão ao posto de General. Em 29 de setembro de 1999, dois foram promovidos a generais e em 21 de junho de 2000, o CMC realizou uma cerimônia para promover 16 militares e policiais de alto escalão ao posto de General.

Em 2 de junho de 2002, sete pessoas foram promovidas ao posto de General. Altos quadros militares ficaram indignados ao testemunhar Jiang, durante a cerimônia televisionada, usando apenas uma mão para apresentar os certificados de promoção aos destinatários. Eles comentaram: “Jiang Zemin nem mesmo conhece o protocolo mais básico. Isso não é nada solene”.

Em 20 de junho de 2004, pouco antes de Jiang deixar o cargo, ele promoveu 15 militares e policiais ao posto de general, entre os quais estava seu seguidor de confiança, You Xigui.

Muitos dos que receberam classificações e títulos de maneira tão leviana não consideraram a designação a honra que deveria ser. Eles sabiam em seus corações que essas honras promocionais não eram concedidas de acordo com seus méritos, mas puramente como um prêmio—um prêmio destinado a criar lealdade. Por esta razão, eles consideraram as honras levianamente e se conduziram de maneira nada séria nas cerimônias de premiação.

A promoção de generais veteranos no passado baseava-se em habilidades, e os recipientes desfrutavam de imenso prestígio; seus comandos eram recebidos com uniforme obediência. Agora, no entanto, os funcionários usariam todos os meios possíveis para obter promoção. Eles têm pouco respeito um pelo outro, eles caluniam uns aos outros, criam obstáculos no trabalho uns dos outros, se recusam a cooperar, têm ciúmes um do outro e prejudicam um ao outro. Alguém poderia perguntar: que tipo de poder os militares poderiam alcançar com pessoas desse calibre? Um militar desse tipo não conseguirá vencer batalhas, não importa o quão modernizadas suas armas possam ser.

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