Transformando vidas com um clique: sem-tetos da Grã-Bretanha ganham esperança através de crowdfunding

Falta de moradia cresce na Inglaterra e hoje há mais de 82 mil famílias em alojamento temporário, incluindo mais de 123 mil crianças

Por Reuters

LONDRES – Quando Hana fugiu para a Grã-Bretanha com seu filho da África Oriental, ela ficou grata por ter encontrado segurança contra a perseguição e um teto sobre a cabeça no minúsculo apartamento de sua irmã em Londres.

Deveria ter sido só no começo, mas um ano depois, os quatro ainda vivem juntos em condições precárias, com Hana compartilhando uma cama com seu filho pequeno, e sua irmã fazendo o mesmo com sua criança.

“Quando cheguei à Grã-Bretanha, eu lutei com tudo. É muito difícil ser mãe solteira e sem-teto”, disse Hana, que não compartilhou seu nome completo por medo de repercussões.

Sem perspectivas de emprego, ela não teve chance de encontrar sua própria casa em Londres, onde os aluguéis estão entre os mais altos do mundo.

A falta de moradia tem crescido na Inglaterra há quase uma década, com mais de 82 mil famílias em alojamento temporário, incluindo mais de 123 mil crianças, segundo dados do governo.

Mas Hana, de 32 anos, espera se recuperar dessa tendência, depois que uma campanha de crowdfunding da empresa social Beam pagou para ela fazer um curso na área de beleza.

“Tem sido uma mudança dramática, agora eu serei uma profissional da beleza. Quero Imediatamente começar um trabalho, no dia em que terminar meus estudos”, disse Hana em uma entrevista por telefone.

Ela é uma das cerca de 50 pessoas sem teto que conseguiram treinamento profissionalizante através da Beam, que é a primeira plataforma do mundo construída especificamente para ajudar pessoas sem-teto através de doações e crowdfunding por meio de seu perfil on-line.

Os participantes, que são encaminhados à Beam por instituições de caridade de sem-tetos, também são apoiados por assistentes sociais durante seus estudos e procura de emprego.

“Nós realmente queremos devolver as pessoas a uma condição de independência. Eles nunca devem ser definidos por sua falta de moradia ”, disse o fundador da Beam, Alex Stephany, que lançou a plataforma no ano passado.

Ele disse que cada campanha de crowdfunding é totalmente financiada antes que uma nova campanha seja lançada para garantir que cada pessoa tenha a chance de fazer um curso de treinamento de sua escolha, seja de contabilidade, assistente de odontologia ou carpintaria.

“Há muitas pessoas que precisam de ajuda, e também muitas pessoas que querem ajudar e a tecnologia tem um papel muito importante para tornar seguro e fácil para as pessoas fazerem isso”, disse Stephany em uma entrevista.

“Emergência Residencial”

A instituição de caridade Shelter, que tem parceria com a Beam, culpa as crescentes rendas privadas, o congelamento de benefícios e a falta de moradia social para o aumento acentuado da falta de moradia.

“Nós vemos destituição todos os dias e desespero das pessoas. Pessoas que estão cobrando fora do mercado de aluguel. Estamos chamando isso de emergência residencial, é atroz ”, disse Alison Mohammed, diretora de serviços da Shelter.

A discriminação contra pessoas desabrigadas também tornou difícil para encontrarem propriedades para alugar, disse ela.

Um hotel na cidade de Hull, no norte da Inglaterra, foi criticado recentemente depois de cancelar reservas pagas feitas por uma instituição de caridade local para dar uma cama para as noites da véspera e de Natal.

Mohammed disse que iniciativas como a Beam podem aproveitar a boa vontade do público para ajudar pessoas desabrigadas, mas é apenas “uma peça do quebra-cabeça”.

“Qualquer coisa que possa explorar o desejo do público de fazer algo sobre a falta de moradia é uma boa idéia”, disse ela em uma entrevista por telefone.

“Não vai resolver a falta de habitação social, mas vai ajudar as pessoas a conseguirem uma posição na vida, possibilitando dar esse passo”, disse Mohammed.

Beam disse que uma dúzia de pessoas até agora conseguiu emprego e que o grupo espera se expandir além de Londres e lançar a iniciativa em todo o país.

Para Hana, que terminará seus estudos na área da beleza no ano que vem, saber que centenas de estranhos se preocupam com seu bem-estar e futuro na Grã-Bretanha tem sido uma fonte de conforto.

Ela está confiante de que ela encontrará seu próprio lugar para morar também.

“Eu não conheço essas pessoas e nem vejo seus rostos, mas elas me encorajam muito. É como uma mensagem do céu” disse ela.

De Lin Taylor

 
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