Síndrome dos Olhos Secos denuncia carência de ômega-3

A Síndrome dos Olhos Secos é uma doença multifatorial crônica, caracterizada pela diminuição da produção de lágrima ou deficiência em alguns de seus componentes, ou seja, pouca quantidade ou má qualidade da lágrima. A incidência ocorre geralmente nos dois olhos ao mesmo tempo e pode manifestar-se em qualquer época do ano, sendo mais ocorrente no outono e inverno, devido à baixa umidade do ar.

Os sintomas são ardência, coceira, queimação, olhos vermelhos e irritados, sensação de areia nos olhos, visão borrada que melhora com o piscar, fotofobia, lacrimejamento excessivo, desconforto depois de ver televisão, ler ou usar o computador.

Essa doença atinge, em sua maioria, pessoas acima dos 40 anos, acometendo mais mulheres que homens de qualquer raça. Segundo a Associação Americana de Optometria, cerca de quase 60 milhões de pessoas nos Estados Unidos são afetadas atualmente.

No Brasil, o número de indivíduos afetados já é alarmante, embora não existam estatísticas oficiais para a doença.

Pesquisas recentes indicaram que a Síndrome dos Olhos Secos está relacionada com a queda de ômega-3 e a alta de ômega-6 no organismo. Um estudo realizado pela Escola de Medicina de Harvard no Centro de Enfermagem de Estudos da Saúde, envolvendo 32 mil mulheres, avaliou o efeito de reposições de ômega-3 e a chance das voluntárias contraírem a doença.

Aquelas que ingeriram 90 ml de ômega-3 quatro vezes por semana apresentaram 18% a menos de chances de ter a Síndrome. Já o grupo que ingeriu entre cinco e seis porções semanais, reduziu o risco em 66%.

A doença está relacionada à exposição a determinadas condições do meio ambiente (poluição, computador), trauma (queimaduras químicas), alguns medicamentos, idade avançada, uso de lentes de contato, menopausa nas mulheres e doenças do sistema imunológico (síndrome de Sjögren, Stevens-Johnson e outras).

Quando não diagnosticada e corretamente tratada, pode evoluir para lesão da superfície ocular e, em alguns casos, acarretar a perda da visão.

A doença ocorre quando uma camada sobre a superfície do olho chamada filme lacrimal perde parte de sua proteção causando inflamação nas glândulas lacrimais. Uma camada oleosa neste filme funciona como um envoltório de plástico biológico, que é a proteção da camada úmida que vem abaixo.

Porém, quando uma pessoa ingere pouco ômega-3 e muito ômega-6, a camada oleosa não pode fazer o seu trabalho, o que resulta na inflamação e nos sintomas de olho seco. O consumo excessivo de ômega-6 também pode produzir inflamação em outras áreas do corpo que aumentam o risco de acidente vascular cerebral (AVC), doença cardíaca e demência.

Ácidos graxos ômega-3 e ômega-6

Os ácidos graxos ômega-3 e ômega-6 são considerados essenciais pelo fato de não serem produzidos pelo organismo humano. Logo, se faz necessário seu consumo, que deve ser bem dosado para manter o equilíbrio e a saúde. O ideal é consumir mais ômega-6 do que ômega-3, em uma proporção de quatro por um, pois como competem pelas mesmas enzimas no metabolismo, deve se atentar para as proporções.

Para os vegetarianos, boas fontes de ômega-3 são as nozes, chia, linhaça, algas. A ômega-6 também pode ser encontrada em vários alimentos de origem vegetal, como a linhaça dourada, óleo de milho, óleo de soja, óleo de girassol, açafrão e nozes.

Aos adeptos da dieta onívora, os alimentos de origem animal, como os peixes marinhos, a exemplo da sardinha e do salmão, geralmente apresentam quantidades maiores de ômega-3 do que os peixes oriundos de águas continentais. O ômega-6 pode ser encontrado em alimentos como leite, ovos, carne animal e lula.

 
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