Trabalho sedentário e horários irregulares estão associados a problemas de sono de longo prazo

Uma nova pesquisa mostra um aumento de 37% na insônia entre trabalhadores de escritório.

Por George Citroner
19/01/2025 17:36 Atualizado: 19/01/2025 17:36
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

Um estudo de uma década com quase 1.300 trabalhadores em período integral descobriu que empregos sedentários e tecnologicamente intensivos aumentam significativamente o risco de desenvolver problemas crônicos de sono. Funcionários que trabalham predominantemente em computadores têm 37% mais chances de apresentar sintomas semelhantes à insônia, que podem persistir por anos.

“A forma como estamos estruturando o trabalho representa ameaças sérias e de longo prazo para um sono saudável”, afirmou Claire Smith, autora principal do estudo, doutora em psicologia industrial e organizacional, em um comunicado à imprensa.

Impacto do local de trabalho

O estudo abrangente, recentemente publicado no Journal of Occupational Health Psychology, revelou tendências preocupantes na saúde do sono entre trabalhadores em tempo integral. Pesquisadores analisaram dados representativos de quase 1.300 trabalhadores ao longo de uma década.

Os pesquisadores identificaram três categorias distintas de padrões de sono: dormidores saudáveis, com horários de sono consistentes; dormidores de recuperação, que dependem de cochilos e descanso nos finais de semana; e dormidores propensos à insônia, que enfrentam dificuldades constantes com o sono.

Trabalhadores sedentários apresentaram um aumento de 37% em sintomas semelhantes à insônia. Aqueles com horários não tradicionais, incluindo turnos noturnos, tinham 66% mais probabilidade de precisar de “sono de recuperação”, caracterizado por cochilos frequentes ou períodos de sono mais longos nos fins de semana.

Os trabalhadores com sintomas de insônia relataram dificuldades para adormecer, sono interrompido e fadiga excessiva durante o dia. Atualmente, 80% da força de trabalho possui empregos sedentários.

Empregos baseados em computadores frequentemente exigem horas de exposição a telas, o que pode prejudicar o sono, já que a luz azul emitida por dispositivos interfere no ciclo natural de sono-vigília do corpo, reduzindo a produção de melatonina, um hormônio essencial para o sono.

A pesquisa mostrou que 90% dos participantes com sintomas de insônia continuaram relatando problemas uma década depois.

“Isso é particularmente importante para empregadores e funcionários, pois estudos mostram que a má qualidade do sono impacta a produtividade, o bem-estar e a saúde geral”, afirmou Claire Smith no comunicado à imprensa.

Melhorar a saúde do sono pode envolver mais do que apenas gerenciar as horas de trabalho, disse Smith. Os resultados sugerem que movimentar o corpo durante o expediente e limitar o trabalho fora do horário podem não apenas ajudar a dormir bem naquela noite, mas também proteger contra problemas de sono persistentes no futuro.

“Ter um sono saudável envolve mais do que simplesmente dormir oito horas”, ela explicou. “É também conseguir adormecer facilmente, dormir a noite toda e manter uma rotina consistente”.

As empresas “devem estar cientes dos riscos específicos relacionados ao sono em sua força de trabalho para melhorar a detecção e a intervenção”, destacou Smith.

Consequências a longo prazo

Os efeitos do sono insatisfatório aumentam, de acordo com o Dr. Andrew Zinchuk, especialista em medicina pulmonar, cuidados intensivos e medicina do sono da Yale Medicine.

“Por exemplo, se uma pessoa de 30 anos for privada de sono de quatro a seis horas por noite durante duas semanas, o tempo de reação, a memória e a capacidade de pensar criticamente pioram”, disse ele em um comunicado de imprensa“. Sete dias de privação de sono de quatro horas, é o equivalente a não dormir dois dias seguidos”.

As consequências negativas do sono prejudicado podem incluir memória comprometida, dificuldade de concentração e julgamento prejudicado.