Saindo do ritmo Olímpico, atletas precisam de apoio à próxima fase da vida

Remador olímpico irlandês e medalhista mundial de ouro, Gearoid Towey, nos Jogos Olímpicos de Atenas em 19 de agosto de 2004. Towey fundou uma rede de apoio global para atletas aposentados e para ajudá-los na transição para fora do esporte. (Mladen Antonov/AFP/Getty Images)

DUBLIN – Agora que o brilho dos Jogos Olímpicos está morrendo, os atletas que voltaram para casa estão enfrentando a questão de seus futuros pós-jogos. Muitos tendo atingido e, possivelmente, passado seu nível máximo, vão pensar na aposentadoria. Essa transição, no entanto, pode não ser tão simples quanto parece.

Quando confrontados com a sua própria aposentadoria, há seis anos, o remador olímpico irlandês e medalhista mundial de ouro, Gearoid Towey, percebeu que não havia uma rede de apoio para ajudá-lo a fazer a mudança.

Towey procurou informações sobre o que as pessoas de outros esportes haviam passado, mas não obteve nada. A falta de informação sobre a natureza emocional da transição levou a desenvolver uma rede de apoio global denominada ‘Crossing the Line Project’ (Projeto Atravessando a Linha), para ajudar os atletas de todo o mundo nesta área.

“Há uma abundância de informações sobre o suporte na carreira, mas não tanto sobre as emoções dos atletas e o que você pode potencialmente sentir, enquanto passa por uma transição. É uma espécie de morte”, disse Towey.

“Então eu percebi quantas ex-estrelas do esporte foram perdidas por suicídio, dependência de drogas, crises da vida etc. Está tudo ligado a uma enorme crise de identidade e à perda da paixão e da incapacidade para replicá-la ou dar sentido ao novo mundo. Sei disso por experiência. É endêmico e ninguém está isento. Grandes campeões enfrentam o mesmo dilema que todos, talvez até mais”, disse Towey.

Se por um lado há suporte na carreira, Towey acredita que o que ele chama de “esquecer na caixa” usado em escritórios, sem o apoio correto emocional, pode fazer mais mal do que bem.

Muitos atletas, diz ele, são ensinados a fortalecer o seu lado positivo, e estão condicionadas a serem fortes, não fracos. Especialmente em esportes, onde a seleção está em jogo, ninguém quer dizer como realmente estão se sentindo por medo de serem abandonados.

“Há uma cultura e tanto de guardar os próprios medos”, disse Towey, acrescentando que, quando alguém sai dos esportes, pode ser difícil recondicionar-se a “uma nova maneira de ser”.

“Um monte de atletas preferem passar pelo inferno a buscar ajuda”, disse ele. Esta é uma das razões para alguns atletas sair dos trilhos, e isso é uma das coisas que o projeto pretende abordar.

Contando com nomes bem conhecidos no mundo do esporte, como o medalhista de ouro olímpico, o mergulhador americano Greg Louganis como embaixador do projeto, é a forma na qual Towey espera levantar estas questões e dar apoio aos atletas. Ele será composto de um serviço de suporte on-line para apoio emocional, e haverá também um elemento face-a-face no qual Towey e outros atletas em todo o mundo irão participar.

“Para mim, trata-se de mostrar a questão para o mundo, e então, ter um apoio na região para que as pessoas possam fazer algo a respeito. Também será um recurso que pode realizar parcerias com as equipes de esporte e federações de todo o mundo”, disse Gearoid.

Conselho da carreira

O apoio institucional para os atletas irlandeses que retornam de Londres será fornecido pelo Instituto Irlandês de Desporto pelo Programa de Apoio à Mudança de Desempenho (PTSP, em inglês).

Segundo o coordenador do PTSP Deirdre Lyons, os atletas recebem uma entrevista psicológica completa e um exame médico completo, além de acesso a oficinas. Alguns, cujo perfil foi levantado por causa dos jogos, terão acesso à gestão de perfil do atleta ou conselhos de gestão de marca.

Os maiores problemas que os atletas enfrentam, de acordo com Lyons, é a frustração em torno da falta de compreensão dos membros da família, com o que eles acabaram de passar.

“Não há eventos esportivos como os Jogos Olímpicos, apesar de também haver outras competições mundiais. Os jogos Olímpicos são um pouco diferentes.”

Alguns atletas podem não ter realizado o melhor de suas habilidades, e vão estar se sentindo muito decepcionados. Eles tiveram apenas uma chance de atingir seus sonhos, e podem estar se enxergando como fracassados.

“Um monte de comentários que ouço de atletas na TV são que eles sentem ter decepcionado as pessoas. Que tanto se esperava deles e eles não corresponderam”, diz Lyons.

“Podemos pegar o exemplo de pessoas que tenham correspondido melhor do que o esperado e podem estar sob os holofotes da mídia. Eles são convidados para entrevistas, podem ser convidados para abrir lojas. Subitamente sua personalidade é exaltada. Eles chegam pensando, ‘Oh nossa, quando eu fui, era de um jeito, mas agora que voltei todo mundo quer um pedaço de mim, como eu vou lidar com isso?’”

Lyons disse que alguns podem ter feito melhor do que o esperado, e que querem agora ir para o Campeonato Mundial, então eles precisam tomar decisões sobre se treinam em tempo integral ou não, se vinculam suas carreiras com o esporte, ou se voltam para a faculdade. Onde é o melhor lugar para treinar, onde é que eles vão viver? Como eles podem melhorar? Onde eles podem ter acesso a melhores treinadores/instalações? Estes são os tipos de questões que atletas podem estar enfrentando, diz ela.

Epoch Times publica em 35 países em 19 idiomas.

Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/EpochTimesPT

Siga-nos no Twitter: @EpochTimesPT

 
Matérias Relacionadas