Reportagem exclusiva: truques escondidos no sistema de votação da eleição dos EUA – Parte 2

Embora as máquinas sejam submetidas a testes e certificações federais e enfrentem requisitos funcionais, os próprios fornecedores em si basicamente não passam por auditorias e revisões

Por Cai Rong

Acontecimentos anormais ocorreram nas eleições gerais dos EUA, como a “falha” do software de votação que mudou os votos do presidente Donald Trump (Trump) para o candidato Joe Biden. Isso tem causado todo tipo de questionamento público sobre o sistema de votação eletrônica. O software usado na votação é o Dominion Voting Systems, que ganhou fama por ser o alvo da possível “fraude”. A empresa tem histórico associado com a fundação Obama, a Fundação Clinton e também com a presidente da Câmara dos Deputados, Nanci Pelosi.

Na Parte 1 desta reportagem examinamos principalmente as lacunas existentes no sistema de votação eleitoral dos Estados Unidos. A investigação constatou que a maioria dos estados usa como equipamento principal de contagem dos votos, máquinas de votação com escaneamento ótico. Os escâneres óticos são um tipo de notebook, por isso são vulneráveis ​​a programas maliciosos ou erros.

No entanto, também há um grande número votos que são contados usando urnas eletrônicas de voto (DRE) e dispositivo de marcação de votação (BMD) para pessoas com deficiência, incluindo muitos condados no estado da Super Terça (um estado onde os dois partidos disputam nas eleições primárias), Arkansas, Califórnia e norte da Califórnia, Tennessee, Texas e Utah.

DRE e BMD também foram altamente questionados por especialistas de TI sobre sua confiabilidade. De acordo com pesquisas de especialistas, não há uma maneira confiável de detectar se uma urna eletrônica foi hackeada. Uma vez que um “erro” é descoberto, “o único remédio é realizar uma nova eleição”.

Esses fabricantes de urnas eletrônicas são empresas privadas e seu software “exclusivo” não está aberto para inspeção pública e, na maioria dos casos, o software usado não está sujeito à inspeção de jurisdição. Portanto, os oficiais eleitorais não têm autorização para validar o funcionamento adequado do software, mas apenas realizar testes de precisão. No entanto, os testes de “lógica e precisão” conduzidos não detectarão a existência ou não de programas maliciosos no escâner ótico.

A “Liga Nacional de Defesa Eleitoral” apontou que isso criou uma “caixa preta” para o setor da tecnologia eleitoral, trazendo as eleições democráticas da esfera pública para o plano de fundo virtual manipulável.

Isso levanta as seguintes dúvidas: quais empresas possuem o mesmo sistema de votação que dos EUA? Como essas empresas privadas que carecem de auditoria das informações confidenciais, conduzem as eleições nos EUA?

Empresa das urnas eletrônicas é vendida para estrangeiro e gera risco fora de controle

Atualmente a indústria de urnas eletrônicas é dominada por três grandes empresas: Election Systems & Software (ES&S); Dominion Voting Systems, é uma empresa de serviços eleitorais do Canadá, com sede em Denver, Colorado; Hart InterCivic fornece uma ampla gama de hardwares e serviços de urna eletrônica. Juntas, essas três empresas respondem por aproximadamente 90% de todo o equipamento eleitoral usado nos Estados Unidos e são todas empresas privadas.

Sempre houve especulações sobre a indústria das urnas eletrônicas, mas elas raramente chegavam aos ouvidos do público. Um artigo no The Guardian em 23 de abril de 2019 afirmou que a ByteGrid, o principal fornecedor do sistema eleitoral no estado de Maryland, EUA, foi adquirido em 2015 por uma empresa relacionada aos oligarcas russos, mas os oficiais estaduais eleitorais não estavam sabendo da fusão até que o FBI os avisasse em julho de 2018.

Obviamente, este caso levanta grandes preocupações de segurança. Porque além da contagem manual de votos, em muitos estados a contagem de votos é terceirizada por empresas privadas dessas urnas. Do registro das informações do eleitor à votação, todo o procedimento é terceirizado.

Embora as máquinas sejam submetidas a testes e certificações federais e enfrentem requisitos funcionais, os próprios fornecedores em si basicamente não passam por auditorias e revisões. O The Guardian disse que a estrutura proprietária e a situação financeira dessas empresas são informações sigilosas; o código-fonte do software e o design do hardware da máquina de votação também são considerados segredos comerciais, dificultando mais ainda o estudo ou investigação.

Isso deixa o público sem clareza se a empresa de urna eletrônica é controlada por donos estrangeiros; se estes “donos” lucram com verbas através das eleições; se há conflito de interesses; se eles possuem crédito à propriedade técnica. A própria lei federal não exige que os fornecedores relatem em casos de ser hackeados. Uma pequena “falha” eleitoral pode virar a maré, sem mencionar a corrupção e a vulnerabilidade à influência estrangeira.

Existem outros problemas técnicos. Por exemplo, uma análise da Associated Press descobriu que, embora todos os estados nos Estados Unidos tenham comprado novos equipamentos, a maioria deles funciona com softwares desatualizados, portanto, são vulneráveis ​​a ataques de hackers. Por exemplo, como muitos condados na Pensilvânia, entre os 10.000 distritos eleitorais do país, a grande maioria usa o Windows 7 (Microsoft parou de atualizar) ou sistemas operacionais mais antigos para criar e contar votos.

Problemas internos são mais difíceis de detectar e prevenir

No entanto, os ativistas dizem que o fato de o provedor eleitoral responder ao dono estrangeiro não é o único risco de segurança. Não importa quem toma o controle, as empresas são vulneráveis ​​a trapaça pelos próprios funcionários, e a afiliação com o PCC (Partido Comunista Chinês) tem uma longa história.

O The Guardian citou como exemplo que em 2003, quando as urnas de votação estavam ganhando popularidade nos Estados Unidos, o CEO da Diebold, fabricante de urnas de touch screen, que também é o estrategista-chefe de fundos do presidente Bush Jr., declarou que ele estaria “dedicando esforços para a obtenção de votos dos distritos eleitorais em Ohio para a reeleição do Presidente Bush Jr.”

Esta declaração, juntamente com uma série de escândalos como a falta de senha no servidor da empresa, código-fonte do software vazado e instalação de patches de software não aprovados em urnas eletrônicas antes da eleição, tornou Diebold alvo de críticas públicas levando-o a se retirar do setor eleitoral.

A relação entre Dominion com Barack Obama e George Soros

O software de votação da Dominion Voting Systems atende 40% dos eleitores americanos e é responsável pela contagem de votos dos estados-chaves nesta eleição, incluindo Carolina do Norte, Nevada, Geórgia, Michigan, Arizona e Pensilvânia. O número de votos nesses estados é decisório para o resultado da eleição.

Em alguns desses estados, como Michigan e Geórgia, houve problemas como “erros de software” que contaram os votos de Trump como Biden e “falhas” em dois locais eleitorais diferentes, que transferiram votos republicanos para democratas. Isso faz com que a Dominion se torne o centro das atenções.

Conforme as informações do site oficial da Dominion, em 16 de julho de 2018, a Staple Street Capital, uma empresa de capital privado com sede em Nova York, adquiriu a Dominion e tomou a sua gestão.

Claire Woodall-Vogg, diretora executiva da comissão eleitoral de Milwaukee coleta a contagem dos votos de ausentes em uma máquina de votação em 04 de novembro de 2020 em Milwaukee, Wisconsin. Wisconsin exige que os funcionários eleitorais esperem para começar a contar os votos dos ausentes até depois da abertura das urnas no dia da eleição. A contagem de Milwaukee foi encerrada por volta das 3 da manhã (foto de Scott Olson / Getty Images)

A Staple Street Capital foi fundada pelo Carlyle Group. No mapa do conselho executivo do site oficial da Staple Street Equity, podemos ver o nome de William Kennard.

Os cargos anteriores a Kennard incluem: embaixador dos EUA na União Europeia (nomeado por Obama), presidente de Comissão Federal de Comunicações (nomeado por Clinton), diretor executivo do Carlyle Group e membro do conselho consultivo de política externa do ex-secretário de Estado, John Kerry. Atualmente, Kennard faz parte dos conselhos da AT&T, Duke Energy, Ford Motor Company e MetLife. CNN é uma subsidiária da AT&T.

 

No site oficial da diretoria executiva da Staple Street Equity, você pode ver Kennard (William Kennard)(Retirado do site da Staple Street Capital)
No site oficial da diretoria executiva da Staple Street Equity, você pode ver Kennard (William Kennard)(Retirado do site da Staple Street Capital)

Durante a história, os presidentes dos Estados Unidos recompensaram grandes doadores de campanha e arrecadadores de fundos oferecendo-os cargos de embaixadores, e o ex-presidente Obama também não foi exceção. De acordo com dados do site OpenSecrets, um centro para política econômica reativa sem fins lucrativos dos EUA, Kennard foi embaixador dos EUA da da UE de 2009 a 2014. Ele também foi o estratégista-chefe de fundos políticos, responsável pelo arrecadamento de USD 500.000 de Obama em 2008. O total de USD 64.450 para os cofres do Partido Democrata e USD 11.900 para Obama.

O Carlyle Group é uma das maiores empresas de investimento no mundo e também é um representante global. O Carlyle é conhecido como o “Clube dos Presidentes” entre seus aderentes, o ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, o ex-primeiro-ministro britânico, John Major, o chefe de gabinete da Casa Branca da administração Clinton, Thomas McLarty, e o ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, Arthur Levitt, etc., possuem verbas gigantescas, o Carlyle também tem muito investimento na China.

Em meados da década de 1990, George Soros tornou-se sócio da Carlyle limitada.

Associação do Dominion com a Fundação Clinton e Nanci Pelosi

A Dominion também tem contatos com a Fundação Clinton para “ajudar” outros países a“votarem” no presidente. De acordo com o site oficial da Fundação Clinton, em 2014, a Dominion Voting prometeu fornecer tecnologia de votação para os países democratas emergentes e pós-conflito por meio de seu apoio beneficente ao Projeto DELIAN.

De acordo com o site oficial da Fundação Clinton, em 2014, a Dominion Voting se comprometeu a apoiar o Projeto DELIAN. (Retirado da Fundação Clinton)

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Em um artigo de 2015 do Washington Post, a Dominion foi listada como doadora de USD 25.000 a 50.000 para a Fundação Clinton em 2014.

A maturidade da tecnologia de eleições eletrônicas fez com que os funcionários eleitorais sejam cada vez mais dependentes dos fornecedores (e sob o a lavagem celebral dentro da empresa). A competição entre essas três empresas de serviços eleitorais também é acirrada, é muito comum que as grandes empresas contratem pessoas ou empresas vinculadas a outras autoridades.

Dominion Voting Systems está também supostamente associada à presidente da Câmara dos Democratas, Nancy Pelosi.

De acordo com um relatório no site Bloomberg Government em abril de 2019, a Dominion Voting Systems contratou sua primeira equipe de alto potencial, incluindo secretário do porta-voz de longo prazo do presidente da Câmara Pelosi, Drew Hammill. Eles também contrataram o escritório de advocacia Brownstein Farber Schrec, e o ex-chefe de gabinete de Pelosi, Nadeam Elshami, um dos lobistas do escritório de advocacia.

Componentes de origem chinesa nas máquinas eleitorais

Em janeiro de 2020, o CEO e cofundador da Dominion, John Poulos, declarou em um depoimento por escrito à Câmara dos Representantes dos EUA que a empresa “atualmente fornece sistemas de votação e serviços para 30 estados e jurisdições de Porto Rico”. 

Em seu depoimento ele dizia o seguinte: “Nossos produtos contêm componentes de origem chinesa. Porém, nossos produtos tabulados sempre foram e estão sendo fabricados nos Estados Unidos”. Ele disse que os componentes chineses incluem “painéis de controle LCD, touchscreen, componente de chip (processador de inteligência artificial) … Não cabe a nós escolher ou não a produção desses componentes nos Estados Unidos. Aceitamos diretrizes e práticas recomendadas (fornecidas pelo governo federal)”. Pross disse: “Este não é um problema específico da indústria eleitoral”.

Em 16 de dezembro do ano passado, a empresa de monitoramento de cadeia de suprimentos Interos Inc. emitiu um relatório “Chinese Hardware Powers U.S. Voting Machines”, afirmando que os fornecedores de máquinas de votação podem encontrar problemas ao usar peças de “segunda mão” de fornecedores estrangeiros. Existem riscos e esses componentes costumam ser difíceis de revisar e monitorar. O autor Paul Roberts disse no relatório que um quinto (20%) dos componentes de hardware e software das máquinas de votação populares vêm de fornecedores chineses. Além disso, quase dois terços (59%) dos componentes da urna eletrônica vêm de empresas com operações na China e na Rússia. …

A NTDTV informou em abril deste ano, que o equipamento de comunicação da Huawei foi usado nas eleições gerais coreanas e suspeita de manipulação ilegal de máquinas de votação, máquina de telecomunicações e votação antecipada. O East Asia Research Center suspeita que a máquina de contagem de votos, o hardware, software e o equipamento de comunicação da rede de informação da Huawei foram adulterados, e também há problemas com os códigos QR usados para a comunicação e votação antecipada na eleição .

O centro destacou que as instruções necessárias para operar a urna de votação podem ser enviadas de fora para o servidor principal por meio de um código QR, e o servidor de votação pode se conectar à China e funcionar de lá. O Centro de Pesquisa do Leste Asiático questionou que o PCC usou o dispositivo de votação da Huawei para interferir nos resultados das eleições coreanas.

Geórgia ignorou completamente a alerta de fraude

Antes da eleição geral em novembro de 2020, houve relatos mostrando profunda preocupações sobre o sistema de votação da Dominion. Enquanto o Texas rejeitou o uso das máquinas Dominion, porém, muitos estados as compraram. Como no caso da Georgia, que ignorou completamente o alerta e adquiriu o maquinário.

No Texas, a máquina de votação Dominion teve sua certificação de funcionamento negada três vezes. O relatório do resultado de teste lista muitos motivos pelos quais o sistema tem grandes problemas de segurança. Entre eles, o relatório de segurança de janeiro de 2019 dizia o seguinte: “Algum hardware no sistema Democracy5.5 pode ser conectado à Internet, mas o fornecedor afirma que ele está protegido por dados aprimorados e funções de endereço IP”.

No Texas, a máquina de votação Dominion teve sua certificação eleitoral negada três vezes. O relatório do resultado de teste lista muitos motivos pelos quais o sistema tem grandes problemas de segurança. (Retirado do site do governo do Texas: https://www.sos.state.tx.us/elections/forms/sysexam/jan2019-hurley.pdf)

Um artigo do Atlanta Gazette, no dia 23 de outubro deste ano, apontou que o novo sistema de votação eletrônica da Geórgia é vulnerável a ataques cibernéticos. Esses ataques podem minar a confiança do público, causar caos nas votações e até mesmo confusão extremo como manipulação dos resultados das eleições.

O artigo disse que cientistas da computação, ativistas de direitos de voto, agências de inteligência dos EUA e juízes federais alertaram repetidamente sobre falhas de segurança no sistema da Geórgia e na votação eletrônica. Mas as autoridades estaduais consideraram essas advertências apenas como uma “opinião” contra riscos potenciais, dissipando as preocupações do público.

Outra investigação realizada pelo Atlanta Gazette, descobriu que o escritório do Secretário de Estado Raffensperger (Brad Raffensperger) enfraqueceu as defesas do sistema, desativando a proteção por senha em um componente-chave que controla quem tem permissão para votar.

O New York Times noticiou sobre a questão das eleições primárias na Geórgia em junho deste ano, revelando como os lobistas desta máquina de votação venderam influência e permitiram que a Geórgia comprasse uma máquina de votação com tela de toque menos segura. De acordo com o relatório, Dominion tem oito lobistas registrados apenas na Geórgia, incluindo Lewit Abit Massey, ex-secretário de Estado da Geórgia e Jared Thomas, ex-chefe de gabinete do governador Brian Kemp. “Há evidências claras de que uma mídia bem aparelhada e estratégias de Market Share tiveram um papel importante nas compras na Geórgia e em outros lugares”.

Eleição justa?

O senador Ron Wyden, do Oregon, declarou em uma conferência de segurança eleitoral, em Washington no ano passado: “Para salvaguardar nossos direitos constitucionais, não devemos confiar nessas empresas coniventes e moralmente duvidosas. Elas atrapalham o Congresso e por cima enganam os funcionários públicos e contribuintes”.

Mas as entidades do setor privado tornam essas advertências difíceis de aplicar. As empresas privadas basicamente não estão sujeitas à supervisão pública, e a confiança é criada e mantida apenas por meio do autoexame e da autodisciplina.

A Penn Wharton Public Policy Initiative escreveu um relatório principal que apontou as dificuldades em revisar as urnas de votação e as empresas. “Um dos desafios para entender a indústria de tecnologia eleitoral é que até mesmo os fatos básicos também são difíceis de compilar. A receita anual dessas empresas é de aproximadamente 300 milhões … As três empresas dominam o mercado, o que limita a quantidade de informações importantes sobre suas operações e desempenho financeiro”.

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