Putin expulsa 755 diplomatas americanos da Rússia

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou neste domingo (30) em entrevista televisionada a expulsão de 755 diplomatas americanos. Eles têm até dia o dia 1º de setembro para deixar a Rússia. A decisão do Kremlin visa a reduzir o número de representantes dos Estados Unidos no país para 455 e já havia sido anunciada na sexta-feira (28), mas sem especificar a quantidade.

“Esperamos tempo suficiente, com a esperança de que a situação [com os EUA] talvez melhorasse”, afirmou Putin. “Mas tudo indica que, mesmo que a situação mude, isso não vai ocorrer logo.”

Trata-se de uma retaliação à aprovação pelo Congresso dos EUA, semana passada, de novas sanções à Rússia, em consonância com as investigações do FBI de que a Rússia teria se intrometido nas eleições presidenciais americanas de 2016 e ainda em retaliação a sua anexação da Crimeia em 2014. O governo russo nega ter influenciado o pleito.

A Casa Branca sinalizou na sexta-feira que Donald Trump sancionará a decisão do Congresso, que pode derrubar um eventual veto presidencial. A aprovação da nova legislação, tanto na Câmara como no Senado, ambos de maioria republicana, se deu quase por unanimidade, o que aumenta o custo simbólico de um veto do presidente.

A redução para 455 diplomatas dos EUA é recíproca, posto que este é o número de diplomatas russos em solo americano depois de Washington ter expulsado 35 deles, em dezembro do ano passado, pouco antes da posse de Trump. Putin não agiu à época, mas declara que se reservava o direito de considerar retaliações.

Segundo a Embaixada dos EUA em Moscou, há cerca de 1.100 representantes americanos na Rússia.

Estranhamento

Na entrevista, Putin declarou ainda que considera mais medidas contra os EUA, embora não a curto prazo. “Sou contra isso [aplicar mais retaliações] no momento”, afirmou.

O presidente russo classificou as sanções impostas pelos EUA como mais um passo na deterioração da relação entre ambos os países. Por outro lado, fez questão de ressalvar os avanços em outras áreas de cooperação, “mesmo nessa difícil situação”.

Como exemplo de êxito diplomático, Putin citou a zona de não agressão no sul da Síria. Russos e americanos combatem a facção terrorista Estado Islâmico, mas divergem sobre o regime do ditador Bashar al-Assad.

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