Produção de grãos e bovinos predomina na ocupação da Amazônia

Colheita de soja em Rondonópolis, Mato Grosso, em 2009 (Roosevelt Pinheiro/ABr)

Estudo divulgado nesta quinta-feira (21) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que a maior taxa de crescimento das atividades de ocupação da Amazônia brasileira entre 1995 e 2006 foi para produção de grãos e bovinos.

O estudo teve como objetivo geral caracterizar as principais mudanças ocorridas no padrão de produção agrícola, pecuária e extrativista na região amazônica.

As médias superiores de expansão e crescimento agropecuário em relação à média nacional contextualiza a Amazônia brasileira “como uma frente de expansão das atividades agrícolas, com destaque para a produção de grãos (soja e milho)”, revela.

O estudo apontou crescimento de 50% do rebanho bovino no período de 1995 a 2006, o que resulta em aumento de 21 milhões de animais. Os grãos aumentaram 141% em relação à média nacional, com destaque para aumento de produção de soja.

Segundo o estudo, esse crescimento foi direcionado e concentrado em propriedades de larga escala, em substituição das pequenas propriedades e atividades tradicionais. “A expansão da área de pastagem e de produção de grãos em larga escala desarticula arranjos produtivos tradicionalmente constituídos por agricultores e extrativistas, seja pela expropriação territorial ou pela desarticulação das configurações produtivas”, complementa.

“As atividades que mais contribuíram para este crescimento foram: soja, que passou de 1,8 para 4,3 milhões de ha; milho, de 1,1 milhão para 1,6 milhão de ha; mandioca, de 397 mil para 881 mil ha; e algodão, de 38 mil para 414 mil ha”, evidencia o estudo. Em contraponto, a cultura de arroz apresentou uma pequena redução no período. Os estados que mais contribuíram para este crescimento foi Mato Grosso, Maranhão e Pará.

Amazônia o “estoque de terra”

O estudo aponta fatores explicativos para o aumento de atividades agropecuárias na região. Mesmo com as deficientes características da Amazônia – grandes distâncias dos centros de consumo e de exportação e deficiência de infraestrutura de transportes -, os baixos preços da terra compensam a expansão na região amazônica em relação às demais regiões produtoras do país, explica o estudo.

“A Amazônia é depositária de um grande “estoque de terra” que vem sendo ocupado por empreendimentos agropecuários nos últimos anos, potencializando o chamado agronegócio exportador”, explica. É justamente esse argumento que torna “invisível” as formas tradicionais de ocupação, favorecendo a expropriação dos territórios tradicionalmente ocupados, revela.

“O elevado valor bruto da produção destas lavouras, bem como a mobilização de poder político a elas associado, têm alterado profundamente a dinâmica econômica da região, com a criação de infraestrutura, formação de novas cidades e implantação de complexos agroindustriais. Por sua vez, ocorre um relativo enfraquecimento das formas familiares de produção, seguido de uma forte concentração e centralização dos ativos fundiários e dos bens de capital”, explica a pesquisa.

Outros fatores apontados pelo estudo para o aumento da produção de grãos e bovinos na Amazônia foi o crescimento do mercado de exportação de carne e soja, a implantação de infraestrutura de estradas e de armazenamento, o desenvolvimento de pesquisas e as políticas públicas de crédito rural.

O estudo baseou-se no Censo Agropecuário 2006 do subprojeto denominado ‘Caracterização e análise da dinâmica da produção agropecuária na Amazônia brasileira’, coordenado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em cooperação com o Ipea. Para ter acesso à pesquisa completa, clique aqui.  Confira também outros estudos divulgados pelo Ipea.

Para conhecer mais sobre a Amazônia, clique aqui.

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