Presos de Guantánamo libertados por Obama ocupam cargos no governo Talibã

Dos cinco detentos libertados por Barack Obama em 2014 em troca de sargento do Exército dos EUA, refém no Afeganistão, quatro integram novo governo Talibã

Por Leonardo Trielli, Senso Incomum

Quatro detidos de Guantánamo que o ex-presidente Barack Obama libertou em troca do ex-sargento do Exército dos EUA Bowe Bergdahl, ocupam cargos importantes no governo provisório do Talibã no Afeganistão.

De acordo com a rede de televisão afegã TOLOnews, o novo governo afegão deu posições de liderança a Khairullah Khairkhwa, Norullah Noori, Abdul Haq Wasiq e Mohammad Fazl. Todos eles foram libertados no acordo, feito em 2014, entre o governo Obama e o Talibã para libertar Bergdahl, que era prisioneiro no Afeganistão desde 2009.

Khairkhwa atuará como ministro interino de Informação e Cultura. Em 2011, um juiz distrital de Washington, DC, concluiu que Khairkhwa “era, sem dúvida, um membro sênior do Talibã antes e depois da invasão do Afeganistão liderada pelos Estados Unidos em outubro de 2001.”

Wasiq será diretor interino de Inteligência, cargo que ocupava no Talibã antes dos ataques de 11 de setembro de 2001. À época, as agências de inteligência americanas diziam que Wasiq estava intimamente ligado à Al Qaeda.

Fazl foi nomeado pelo Talibã como vice-ministro da Defesa. Thomas Joscelyn, membro da Fundação para a Defesa das Democracias (FDD), observou que Fazl também já ocupou o mesmo cargo anteriormente. “As autoridades americanas descobriram que Fazl trabalhava com altos funcionários da Al Qaeda, incluindo Abdel Hadi al Iraqi, um dos principais tenentes de Osama bin Laden”, escreveu Joscelyn em um tweet. “Al Iraqi ainda está detido em Guantánamo.”

No final do mês passado o Talibã anunciou que outro ex-prisioneiro da Base Naval da Baía de Guantánamo, Mohammad Nabi Omari, que possui laços estreitos com a Al Qaeda, governaria a província de Khost.

Em relação aos membros recém-anunciados do governo interino do Talibã, um porta-voz do Departamento de Estado disse à Fox News que as autoridades estão avaliando a lista de membros, que inclui principalmente figuras que têm laços importantes com organizações terroristas como a Al Qaeda.

“Vimos o anúncio e o estamos avaliando”, disse o porta-voz. “Observamos que a lista de nomes anunciada consiste exclusivamente de indivíduos que são membros do Talibã ou de seus associados próximos e nenhuma mulher. Também estamos preocupados com as afiliações e histórico de alguns dos indivíduos.”

“Entendemos que o Talibã apresentou isso como um gabinete interino. No entanto, julgaremos o Taleban por suas ações, não por palavras. Deixamos clara nossa expectativa de que o povo afegão merece um governo inclusivo”, acrescentou o porta-voz.

A Casa Branca disse na terça-feira (07) que “não há pressa” em reconhecer o Talibã como o governo oficial do Afeganistão.

“Isto será planejado dependendo das medidas que o Talibã tomar”, disse a secretária de imprensa do governo americano, Jen Psaki. Biden também considerou que o reconhecimento do governo formado pelo Taleban está “muito distante.”

Com informações de Fox News

 
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