Presidenciáveis prometem emprego e relegam corrupção no primeiro debate na TV

Com um quadro completamente indefinido, as pesquisas também mostram que há cerca de 50% de indecisos, que mais tarde serão decisivos nas eleições de outubro

Por Agência EFE

Os principais candidatos à Presidência da República prometeram criar empregos, mas pisaram em ovos na questão da corrupção, durante o primeiro debate televisionado para as eleições do mês de outubro, realizado na noite de quinta-feira (9), pela “Band”, marcado pela ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT preso desde abril.

Oito dos 13 candidatos confirmados para o pleito, o mais imprevisível desde a redemocratização iniciada em 1985, participaram do debate de poucos confrontos diretos e escassas propostas para a maior economia da América do Sul.

Uma das principais preocupações durante as mais de três horas de discussões foi a recuperação econômica após a crise vivida entre 2015 e 2016, os altos índices de desemprego, o crescimento da dívida e a falta de competitividade.

Geraldo Alckmin, do PSDB, apontado como candidato do “establishment”, destacou a necessidade da criação de emprego e renda e ressaltou que o Brasil “precisa crescer” com objetivo de recuperar sua “competitividade”.

Na mesma linha se manifestaram Marina Silva (Rede) e Henrique Meirelles (MDB), ex-ministro da Fazenda e principal idealizador da política econômica do governo do presidente Michel Temer.

Precisamente as políticas de corte liberal implementadas nos últimos dois anos pelo atual governo, que terminará no dia 1º de janeiro de 2019, foram alvo de críticas por parte de alguns candidatos.

Um deles foi Ciro Gomes, do PDT, afirmando que a “selvagem” reforma trabalhista impulsionada por Temer levou à “insegurança” e foi “um grave erro” que prometeu “corrigir”, tendo como objetivo reduzir os 13 milhões de desempregados que há no país.

“Aqui estão os ’50 tons de Temer’. Muitas pessoas que estão aqui pedindo mudanças precisam rever o que estavam fazendo no passado”, afirmou o candidato do PSOL, Guilherme Boulos.

Os candidatos fizeram menções soltas a políticas de igualdade destinadas às mulheres, melhoria nos sistemas de educação e saúde, violência extrema, mas passaram quase por cima do tema sobre corrupção, que tanto atingiu o país nos últimos anos e respingou em alguns candidatos como Alckmin e Lula.

Ex-governador de São Paulo, Alckmin, um dos mais questionados durante o debate, prometeu acabar com a impunidade dos crimes do colarinho branco, enquanto Marina Silva se comprometeu em estabelecer “critérios éticos e técnicos” durante sua gestão.

No momento em que houve alguma dose de debate entre os candidatos, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou que a maioria dos ministros respondem a interesses políticos e disse que o Ministério dos Transportes “é um dos mais corruptos do Brasil”.

“Só há uma pessoa que pode mudar o destino do Brasil. E se chama Jair Bolsonaro”, afirmou o próprio, que foi chamado por Boulos de “racista, machista e homofóbico”.

O grande ausente do debate foi o ex-presidente Lula, impedido pela Justiça de participar pois está preso há quatro meses, cumprindo pena de 12 anos por corrupção. Ele está virtualmente inabilitado de participar do pleito, já que a lei eleitoral o impede de concorrer a um cargo eletivo após ser condenado em segunda instância.

No entanto, o candidato do PT quis marcar presença através de uma carta divulgada pela sua equipe nas redes sociais onde afirmou que sua exclusão dos debates eleitorais é uma “censura” e “viola ” seus direitos.

Bolsonaro lidera as intenções de voto com 17%. Seguido por Marina Silva (13%), Ciro Gomes (8%) e Geraldo Alckmin (6%).

Os outros candidatos, juntos, não chegam a somar 4% das intenções de votos em uma lista que inclui Alvaro Dias (Podemos), e Cabo Daciolo (Patriota), que também participaram do debate.

Com um quadro completamente indefinido, as pesquisas também mostram que há cerca de 50% de indecisos, que mais tarde serão decisivos nas eleições de outubro.

 
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