Prêmio Nobel de Medicina 2013 teve três ganhadores

Os três cientistas resolveram o mistério de como a célula organiza seu sistema de transporte
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Os ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina de 2013 foram James Rothman, Randy Schekman e Thomas Südhof (divulgação)

O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 2013 foi atribuído hoje, conjuntamente, a James E. Rothman, Randy W. Schekman e Thomas C. Südhof “por suas descobertas sobre os mecanismos que regulam o transporte de vesículas, um sistema de transporte importante em nossas células”, comunicaram os organizadores do prêmio. Desde 1901, a Academia Nobel outorga prêmios a prestigiados cientistas que fizeram as descobertas mais importantes para o benefício da humanidade.

O Prêmio Nobel deste ano afirmou que “presta homenagem a três cientistas que resolveram o mistério de como a célula organiza o seu sistema de transporte.” Para explicar isso, os cientistas descreveram que cada célula é considerada uma verdadeira fábrica dentro do corpo humano, que produz e exporta moléculas.

Um desses importantes “produtos” é a insulina, que é produzida e liberada no sangue. Por sua vez, sinalizadores químicos chamados de neurotransmissores são enviados de uma célula nervosa para outra. Descobriu-se que as moléculas que formam estes produtos “são transportadas ao redor da célula em pequenos pacotes chamados vesículas.” Os três vencedores do Prêmio Nobel “descobriram os princípios moleculares que governam a forma como a carga é entregue no lugar certo e na hora certa na célula”, anunciou o Prêmio Nobel.

Randy Schekman descobriu um conjunto de genes que são necessários para o transporte da vesícula. O pesquisador revelou uma origem evolutiva antiga desse sistema de transporte.

James Rothman descobriu como opera uma proteína que permite que as vesículas se fundam com seus objetivos e, em seguida, consigam transferir sua carga. Existem muitas destas proteínas e elas se ligam apenas em combinações específicas, o que assegura que a carga seja entregue em um endereço preciso.

Thomas Südhof revelou que há sinais específicos que instruem as vesículas para liberar sua carga com rigorosa precisão.

Os íons de cálcio são conhecidos por estarem envolvidos nesse processo e, na década de 1990, Südhof procurou por proteínas sensíveis ao cálcio nas células nervosas. Ele identificou um mecanismo molecular que responde a um fluxo de íons de cálcio e dirige as proteínas para se ligarem rapidamente às vesículas da membrana externa da célula nervosa. A descoberta de Südhof explica a precisão temporal e como o conteúdo das vesículas “podem ser liberados em determinada ordem”.

Através de suas descobertas, Rothman, Schekman e Südhof revelaram um “sistema de controle assombrosamente preciso para o transporte e entrega da carga celular.” A importância deste achado está na descoberta de que “as alterações neste sistema têm efeitos nocivos e contribuem para condições como doenças neurológicas, diabetes e distúrbios do sistema imunológico.”

Os vencedores

James E. Rothman nasceu em 1950 em Haverhill, Massachusetts, EUA. Ele recebeu seu doutorado pela Escola de Medicina de Harvard em 1976, fez pós-doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e mudou-se em 1978 para a Universidade de Stanford na Califórnia, onde começou sua sua pesquisa sobre as vesículas celulares.

Rothman também trabalhou na Universidade de Princeton e no Instituto Sloan-Kettering de Câncer da Universidade de Colúmbia. Em 2008, ingressou no corpo docente da Universidade de Yale em New Haven, Connecticut, EUA, onde atualmente é professor e presidente do Departamento de Biologia Celular.

Randy W. Schekman nasceu em 1948 em St. Paul, Minnesota, EUA, estudou na Universidade da Califórnia em Los Angeles e na Universidade de Stanford. Ele recebeu seu doutorado em 1974, sob a direção do Prêmio Nobel Arthur Kornberg, departamento ao qual se uniu alguns anos mais tarde.

Em 1976, Schekman juntou-se ao corpo docente da Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde atualmente é Professor do Departamento de Biologia Molecular e Celular. Schekman também é pesquisador do Instituto Médico Howard Hughes.

Thomas C. Südhof nasceu em 1955 em Göttingen, na Alemanha. Ele estudou na Georg-August-Universität Göttingen, onde recebeu um MD em 1982 e doutorado em neuroquímica no mesmo ano.

Em 1983, mudou-se para o centro da Universidade de Medicina do Sudoeste do Texas em Dallas, Texas, EUA, como bolsista de pós-doutorado com Michael Brown e Joseph Goldstein, com quem dividiu o Prêmio Nobel de 1985 em Fisiologia ou Medicina.

Südhof tornou-se pesquisador do Instituto Médico Howard Hughes em 1991, e foi nomeado professor de Fisiologia Molecular e Celular da Universidade de Stanford em 2008.

 
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