Praticantes do Falun Gong vivos são tratados como cadáveres na China

A brutalidade da perseguição ao Falun Gong não conhece limites. O regime comunista chinês submeteu os praticantes a formas inimagináveis de tortura na tentativa de forçá-los a renunciarem à sua fé.

Em alguns casos, quando os praticantes estavam à beira da morte ou inconscientes, eles foram tratados como se já estivessem mortos. Alguns foram enviados para uma funerária ou crematório, alguns tiveram seus corpos queimados pela polícia e foram caracterizados como casos de autoimolação (um incidente fabricado pelo regime comunista para difamar o Falun Gong) e alguns tiveram seus órgãos retirados enquanto ainda estavam vivos.

Agentes de segurança pública envolvidos conscientemente cometeram tais crimes para encobrir provas de tortura brutal ou para fornecer uma operação de tráfico de órgãos lucrativo. Enquanto algumas vítimas tiveram a sorte de sobreviver, a maioria foi impiedosamente morta.

Escapando da morte

O sr. Lei Jingxiong e a sra. Liu Weishan fizeram parte dos casos raros que escaparam da morte depois de terem sido enviados a um crematório. O sr. Lei Jingxiong do condado de Jiahe, província de Hunan tinha 24 anos quando foi preso em 18 de agosto de 2004. Ele foi severamente torturado no Departamento de Polícia Tianxin e perdeu a consciência.

A polícia o levou às pressas para um crematório. Quando ele estava prestes a ser cremado, uma policial percebeu um leve movimento. Ela disse para os outros: “Ele não está morto. Não podemos cremá-lo.” Os outros queriam ignorar isso e disseram: “Ele está tão longe [da morte], poderia muito bem estar morto. Além disso, nós já estamos aqui.” A insistência da policial acabou salvando a vida dele e o sr. Lei foi posteriormente enviado para o Hospital Central Changsha e sobreviveu.Um incidente semelhante aconteceu com a sra. Liu Weishan, uma professora da escola da cidade de Xiangyang, província de Hubei. A sra. Liu foi condenada ilegalmente à prisão em outubro de 2002 por praticar o Falun Gong. Enquanto esteve no Presídio Feminino Wuhan, ela foi submetida à tortura brutal e ficou pendurada por longos períodos de tempo. Ela estava em estado crítico e foi internada no dia 31 de janeiro de 2006. Sua identidade foi mantida em segredo do hospital durante o processo de registro.

A sra. Liu permaneceu em estado vegetativo no hospital nos cinco anos seguintes. Em agosto de 2011, logo depois que foi transferida para o novo prédio do hospital, funcionários da Agência 610 da cidade de Xiangyang e o secretário hospitalar do Partido Fan Zhiyong tomaram a decisão de mandá-la para um crematório, apesar do fato de seu coração ainda estar batendo. Felizmente, a equipe do crematório recusou-se a proceder com a cremação quando perceberam que ela ainda estava viva.

Deliberadamente mortos

Enquanto algumas vítimas sobreviveram, a maioria não teve tanta sorte. Os três praticantes seguintes foram deliberadamente mortos por agentes da lei.

A praticante do Falun Gong sra. Wang Huajun, uma agricultora do município de Baiguo, na província de Hubei, foi severamente espancada pelo secretário Xu Shiqian do Comitê Local Político e de Assuntos Jurídicos e perdeu a consciência. Ela foi arrastada até a Praça Jinqiao e incendiada pela polícia. Seu caso foi registrado como “autoimolação”.

De acordo com uma testemunha ocular, a sra. Wang estava deitada no chão, quando foi incendiada. Trazida à consciência pelo fogo, ela se esforçou para se levantar, mas não conseguiu. Ela foi queimada até a morte com a idade de 30. No corpo dela faltava uma orelha e havia dois ferimentos de faca em seu pescoço.Sr. Zhang Zhenggang, ex-funcionário do Banco Industrial e Comercial da China, do ramo Huaian, foi preso em 2 de março de 2000. O guarda do Centro de Detenção Huaian o espancou, causando dano cerebral grave. O sr. Zhang foi levado para o Hospital do Povo nº 1, onde foi submetido à cirurgia cerebral de emergência. Ele nunca recuperou a consciência.

Ainda que um eletrocardiograma realizado na noite de 30 de março mostrou sinais vitais, um plano já estava em formação para acabar com sua vida. Mais de 40 policiais apareceram naquela noite e bloquearam os corredores que levam à sua ala. Seus parentes foram escoltados para um quarto diferente e os policiais lhes disseram para esperar.

A polícia forçou o médico a interromper a administração de oxigênio e a medicação intravenosa e deu ao sr. Zhang uma injeção com uma substância desconhecida. Seu corpo foi então levado pela polícia e enviado diretamente para um crematório, enquanto ele ainda estava respirando. O sr. Zhang foi assassinado com a idade de 36.

Outra vítima, o sr. Yuan Shengjun, foi espancado até a morte depois que sua certidão de óbito já tinha sido emitida. O sr. Yuan, ex-diretor de Jiyuan Secretaria Municipal de Materiais e Equipamentos, foi condenado a seis anos de prisão em 7 de outubro de 2005, por sua crença no Falun Gong. O sr. Yuan escapou ao ser hospitalizado em torno de 5h30 em 25 de outubro e se escondeu na casa de um fazendeiro na vila Nantao, município de Chengliu.

A polícia o apreendeu depois que cercou a vila e forçou os funcionários da vila a assinarem a papelada afirmando que o sr. Yuan estava morto quando foi encontrado. A polícia então jogou-o em um carro e se dirigiu para um crematório. No caminho até lá, ele foi espancado até a morte. Seu corpo estava coberto de feridas e contusões e foi cremado no prazo de 24 horas, sem o consentimento de sua família.

Deixado para morrer no freezer do necrotério

Quando os praticantes perdem a consciência devido à tortura, às vezes são enviados diretamente para o necrotério e são declarados mortos, de modo que os responsáveis pela tortura se livrem das provas. Nos seguintes três casos, os praticantes foram encontrados ainda vivos quando os membros da família examinaram seus corpos. No entanto, havia pouco que pudesse ser feito para salvar seus entes queridos.O sr. Cheng Xueshan foi colocado num congelador enquanto ainda estava vivo. O sr. Cheng era do condado de Jinchuan na província de Heilongjiang e foi preso na manhã de 5 de abril de 2005. Sua família recebeu um telefonema em 12 de abril e foi dito que ele havia morrido de um ataque cardíaco. Quando sua esposa e filho mais velho foi ao necrotério no condado de Fuyuan, metade de seu corpo foi retirado do freezer para que a sua família fizesse uma visualização final.

Seu filho mais tarde recordou: “A cabeça do meu pai estava pendurada e os olhos fechados. Ele estava deitado no congelador. A pele no lado esquerdo de seu nariz estava rachada. Quando eu segurei sua cabeça com o meu braço direito, ele abriu os olhos pela metade, em seguida, fechou novamente. Tanto eu como a minha mãe vimos. Eu disse: ‘Pai, não está morto. Ele não está morto!’ Dentro de dois minutos, fomos forçados a sair da sala. Eu resisti, mas vários policiais me arrastaram para fora e nos escoltaram de volta para o hotel. Nós nunca fomos autorizados a examinar completamente o seu corpo.”

Um caso semelhante ocorreu na cidade de Chongqing. Ao servir uma pena de trabalho forçado no Campo de Trabalhos Forçados de Xishanping, o sr. Jiang Xiqing foi severamente espancado e perdeu a consciência em 28 de janeiro de 2009. Ele foi declarado morto devido a um ataque cardíaco. Sua família correu para o necrotério assim que descobriu.

Quando foi mostrado seu corpo à sua família, seu filho tocou seu rosto e detectou um pouco de calor. Ele ficou chocado: “Papai não está morto. Ele ainda está vivo.” Os policiais nervosamente se entreolharam e não sabiam o que responder. Seu outro filho puxou todo o seu corpo para fora do freezer e também descobriu que seu rosto ainda estava quente. Ele gritou para a polícia e exigiu que eles verificassem novamente seu corpo.

Os policiais tentaram empurrar rapidamente o sr. Jiang de volta para o freezer, mas foram impedidos pela família. Ao tentar ligar para o número de telefone de emergência e chamar uma ambulância, os membros da família do sr. Jiang foram arrastados para fora da sala por mais de 20 policiais. O sr. Jiang foi cremado vivo, apesar dos protestos da família e da recusa em assinar a papelada.

Outra praticante, a sra. Yang Hailing da cidade de Jixi na província de Heilongjiang, também foi deixada para morrer no congelador. Ela foi presa em março de 2002. Enquanto esteve no Centro de Detenção da cidade de Mishan, ela foi espancada pelo diretor Ma Baosheng e por vários presos em 11 de abril de 2003 por fazer os exercícios do Falun Gong. Ela perdeu a consciência quando o diretor Ma agarrou-a pelos cabelos e bateu sua cabeça na cama.

No dia seguinte, ela foi encontrada com dificuldades para respirar e estava em estado crítico. Ela foi enviada para o Hospital do Povo da cidade de Mishan e posteriormente declarada morta por insuficiência cardíaca. Quando a família chegou ao hospital por volta das dez horas da noite, um policial levou-os para o necrotério e os deixou lá para ver seu corpo.

Sua família logo descobriu que seu corpo ainda estava quente. Depois de certificar que ela ainda estava viva, eles tentaram obter ajuda, mas não conseguiram encontrar ninguém no hospital durante horas depois. A família assistiu impotente a vida da sra. Yang se esvair enquanto seu corpo ficava cada vez mais frio. A sra. Yang faleceu antes do amanhecer, com a idade de 34.

Órgãos retirados enquanto ainda viva

A praticante do Falun Gong sra. Yang Lirong da cidade de Baoding, na província de Hebei, teve seus órgãos extraídos enquanto ainda viva. A sra. Yang foi alvo das autoridades locais desde o início da perseguição e foi repetidamente perseguida, presa e colocada num centro de lavagem cerebral.

Após a polícia local assediar sua família, em 8 de fevereiro de 2002, o marido da sra. Yang não pode mais suportar a pressão. Na manhã seguinte, ele agarrou o pescoço da sua esposa e sufocou-a a beira da morte. Quando a polícia recebeu um telefonema do marido, encontraram a sra. Yang ainda viva. Em vez de tentar resgatá-la, as autoridades dissecaram seu corpo e extraíram seus órgãos. Uma testemunha ocular mais tarde declarou: “A dissecção não foi realizada num cadáver, mas num ser humano vivo.”

O fim trágico do sra. Yang não é um incidente isolado. Amplas evidências vieram à tona e testemunhas expuseram as atrocidades da extração de órgãos sancionada pelo Estado a partir de praticantes do Falun Gong vivos na China. A esposa de um cirurgião chinês disse à imprensa internacional em 2006 que seu ex-marido havia realizado mais de 2.000 operações para remover as córneas de praticantes do Falun Gong vivos.

Em dezembro de 2009, uma outra fonte relatou todo o processo de remoção cirúrgica de órgãos vitais de uma praticante do Falun Gong viva. Lembrou-se de que o evento ocorreu em 9 de abril de 2002, numa das salas de operação no edifício do Hospital Geral nº 15, na Região Militar do Exército Popular de Libertação de Shenyang.

Foi relatado que a vítima estava consciente e viva enquanto seus órgãos foram removidos. A testemunha descreveu: “Não foram usados anestésicos. Eles cortaram o peito aberto com uma faca, suas mãos nem sequer tremiam. Então… ‘Ah!’ ela gritou em voz alta uma vez. … primeiro tiraram o coração, em seguida, o rim. Quando suas veias cardíacas foram cortadas pelas tesouras, ela começou a se contrair. Foi extremamente horrível. Eu posso imitar sua voz para você, embora eu não possa imitá-la bem. Parecia que algo estava sendo dilacerado e então ela continuou: “ah”. Depois sua boca ficou aberta, com ambos os olhos arregalados. Ah… eu não quero continuar.”

A testemunha revelou que a vítima era uma professora da escola feminina na casa dos trinta. Seu filho tinha apenas 12 anos de idade na época.

Depois que os órgãos foram extraídos, os corpos das vítimas foram cremados para encobrir o crime. Pesquisadores estimam que mais de 60.000 praticantes do Falun Gong foram mortos por seus órgãos. Essas operações foram realizadas em praticantes com sigilo extremo – muitos simplesmente desapareceram do sistema prisional e centros de detenção e nunca mais foram vistos.

 
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