Polícia Civil investiga vazamento de dados de 50 mil PMs do Rio

Grupo AnonCyber afirma ter se tratado de ação isolada de um de seus integrantes
Post na página do AnonCyber com o link para o site neozelandês MEGA contendo o arquivo com dados dos policiais (Reprodução)
Post na página do AnonCyber com o link para o site neozelandês MEGA contendo o arquivo com dados dos policiais (Reprodução)

RIO DE JANERIO – A investigação sobre o vazamento de dados pessoais de 50 mil policiais militares do estado do Rio de Janeiro por um grupo de hackers que invadiu os servidores da corporação está agora sob responsabilidade da Polícia Civil. Na última quinta-feira (12), a página no Facebook do grupo ‘Anoncyber & Cyb3rgh0sts’ postou um link disponibilizando para download um arquivo de 8.900 páginas com informações como e-mail, CPF, telefone, RG, conta bancária e endereço dos policiais.

A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) assumiu agora o caso. A Polícia Militar lamentou o ocorrido e afirmou já ter tomado providências. Segundo a PM, o banco de dados invadido teria sido o do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis), cujo site (http://proeis.pmerj.gov.br) foi tirado do ar somente ontem.

A página dos ‘Anoncyber & Cyb3rgh0sts’ publicou ontem à noite no Facebook uma uma nota lamentando o ocorrido e se desculpando. O grupo afirma ter se tratado de uma ação isolada de um de seus integrantes sem o consentimento da administração da página. “Pedimos sinceras desculpas a todos os policiais militares que foram expostos explicitamente”, afirmou em nota o grupo, assegurando ter apagado todos os dados antes que caíssem em “mãos erradas”.

“Sabemos que um policial não ganha acima do teto salarial e que arriscam suas vidas todos os dias para proteger a sociedade da violência de muitos e não podemos atacar uma categoria inteira”, fez mea culpa o grupo, que afirma em outro post não ter “recuado” mas apenas assumido “o erro de expor familiares” dos policiais.

Eles asseguram possuir dados de São Paulo, Brasília e todo o país mas fazem questão de se distinguirem dos Anonymous: “Apenas apoiamos a ideia. Sempre deixamos e sempre iremos ressaltar isso, pois assim evitaremos confusões e críticas dizendo que fizemos tal coisa em nome ‘deles’. Somos AnonCyber”, afirmam.

Os ‘Anonymous Rio’ publicaram ontem em sua página no Facebook uma nota repudiando a ação, que consideram “inconsequente e imatura”, “tomada por uma outra página com a qual não temos ligação”. “Esse ato inconsequente não expõe somente o indivíduo policial, mas toda a sua família e amigos, e no fim não surte efeito sobre a estrutura que se sustenta nas costas da sociedade e desses policiais”.

“Desde o princípio dessa página nós sempre buscamos coerência e bom senso. Temos infinitas críticas à postura institucional e corporativa da polícia enquanto mantenedora do status quo e de poder do opressor. Mas isso não nos impede de ter senso crítico quanto a exposição de dados pessoais de policiais”, diz a nota dos Anonymous Rio.

O grupo ‘Movimento Brasil Consciente’ divulgou nota desmentindo a informação veiculada pelo jornal O Globo de que apoia o grupo hacker que invadiu o servidor da PM e de que também ameaçara divulgar os dados de policiais civis. “Nós só divulgamos a notícia, que vimos em portais da internet (de que eles prometem também divulgar os dados de 1.500 policiais civis)”, finaliza em nota o grupo, que afirma não possuir vínculo com o AnonCyber.

 
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