Publicado em - Atualizado em 29/09/2017 às 18:58

O pior genocídio de todos os tempos

Os empregados do Hotel Shin Chiao, em Pequim, constroem no pátio (nos fundos) um pequeno e rudimentar forno metalúrgico durante o período do ‘Grande Salto Adiante’, em outubro de 1958 (Jacquet Francillon/AFP/Getty Images)

Os empregados do Hotel Shin Chiao, em Pequim, constroem no pátio (nos fundos) um pequeno e rudimentar forno metalúrgico durante o período do ‘Grande Salto Adiante’, em outubro de 1958 (Jacquet Francillon/AFP/Getty Images)

Um escritor que expôs a morte de milhões de chineses durante o ‘Grande Salto Adiante’ disse que o Partido Comunista Chinês divulgou um documento após outro detalhando a fome e o derramamento de sangue.

Dezenas de milhões de pessoas morreram durante o Grande Salto Adiante, o antigo projeto do líder do Partido Comunista Chinês, Mao Zedong, de 1958 a 1962 — quando ele pensou que poderia redesignar os trabalhadores rurais chineses em massivas comunidades.

Enquanto a maioria poderia supor que o Holocausto de Adolf Hitler, os expurgos de Joseph Stalin, a ‘Fome do Terror’ da Ucrânia ou talvez até a matança de nativos americanos no Novo Mundo fossem os piores assassinatos em massa na história, Mao aparentemente ultrapassou a todos em um período curto de tempo.

O Grande Salto Adiante matou 45 milhões de pessoas, de acordo com o historiador Frank Dikötter, autor de ‘A Grande Fome de Mao’. Ele escreveu uma atualização sobre sua pesquisa em um artigo da History Today publicado em 8 de agosto do ano passado.

Como resume Dikötter sobre o ‘Grande Salto’ de Mao:

Mao pensou que poderia catapultar seu país além de seus concorrentes reunindo aldeões através do país em comunas populares gigantes. Em busca de um paraíso utópico, tudo foi coletivizado. Foram retirados das pessoas seus trabalhos, casas, terras, pertences e meios de subsistência. Nas cantinas coletivas, a comida, distribuída por colheradas de acordo com o mérito, se tornou uma arma usada para forçar as pessoas a seguir todos os ditames do partido. Como os incentivos ao trabalho foram removidos, a coerção e a violência foram usadas em substituição para obrigar os agricultores famintos a realizar trabalhos em projetos de irrigação mal planejados, enquanto os campos eram negligenciados.

Mas a política acabou por ser um desastre, matando dezenas de milhões de pessoas através da fome, e não foi apenas a fome que deixou inúmeras pessoas mortas. Como revelam os últimos registros, vários milhões de pessoas também foram torturadas até a morte ou executadas sumariamente no mesmo período.

Por exemplo, ele escreve: “um menino roubou um punhado de grãos em uma vila de Hunan [e] o chefe local Xiong Dechang forçou seu pai a enterrá-lo vivo”. Depois de alguns dias, o pai morreu de tristeza.

Em outro exemplo brutal, um homem chamado Wang Ziyou foi acusado de colher uma batata, então as autoridades cortaram uma de suas orelhas e “suas pernas foram amarradas com fio de ferro, uma pedra de 10 kg foi atirada em suas costas e, em seguida, ele foi marcado com ferro em brasa”, observa Dikötter.

Enquanto isso, durante o Grande Salto Adiante, o alimento — ou a falta dele — era usado como um meio de matar.

Em todo o país, os que estavam muito doentes para trabalhar eram rotineiramente cortados do recebimento de suprimento alimentar. Os doentes, os vulneráveis e os idosos foram banidos da cantina, os efetivos encontraram inspiração na sentença de Lênin: “Aquele que não trabalha não deve comer”, escreve Dikötter.

De acordo com registros históricos das reuniões de liderança do Partido Comunista Chinês, Mao estava plenamente consciente do que estava acontecendo, e ainda ordenou a aquisição de mais grãos.

Dikötter também encontrou novas evidências de abusos do PCC no início dos anos 50. Em muitas aldeias chinesas, os líderes foram torturados, humilhados e executados à medida que seus terrenos foram redistribuídos aos ativistas do PCC, que usavam bandidos e os próprios camponeses para executar suas brutalidades.

“Quando se trata da maneira que as pessoas são mortas, alguns são enterrados vivos, alguns são executados, outros são cortados em pedaços, e entre os que são estrangulados ou mutilados até a morte, alguns dos corpos são pendurados em árvores ou portas”, disse Liu Shaoqi, o nº 2 do comando do partido, que observou que parecia que a violência estava ficando fora de controle.

Alguns anos depois, respondendo ao fracasso do Grande Salto Adiante e à crise econômica que se seguiu, Mao lançaria sua devastadora Revolução Cultural, que durou de 1966 até 1976, criando seu culto de personalidade para “esmagar as pessoas da autoridade que estão tomando o caminho capitalista” e fortalecer suas próprias ideologias, de acordo com uma instrução inicial.

Segundo Dikötter, pelo menos cerca de dois milhões de pessoas morreram e outras milhões foram presas.

E os assassinatos em massa não foram o pior.

“Mas o ponto deve ser que, em comparação com ‘A Grande Fome de Mao’, que ocorreu do início de 1958 a 1962, esta aparece com um número bastante baixo. Mas o ponto é que não foi tanto a morte que caracterizou a Revolução Cultural, foi o trauma”, disse ele à NPR em maio de 2016.

“Era a forma como as pessoas eram confrontadas umas com as outras, obrigadas a denunciar membros da família, colegas, amigos. Tratava-se de perda, perda de confiança, perda de amizade, perda da fé nos outros seres humanos, perda de previsibilidade nas relações sociais. E essa foi realmente a marca que a Revolução Cultural deixou.”

Dezenas de anos após Mao Zedong e a Revolução Cultural, os métodos de matar do PCC aparentemente não cessaram. Em junho de 2016, um relatório-bomba mostra que até 1,5 milhão de transplantes de órgãos — principalmente dos praticantes do Falun Gong, mortos no processo — podem ter ocorrido na China. “A conclusão final desta atualização, e de fato de nosso trabalho anterior”, disse o co-autor do relatório David Matas, “é que a China se envolveu no assassinato em massa de inocentes”.

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