Pesquisadora alerta sobre impactos do desenvolvimento na Amazônia

A Amazônia brasileira possui muitos problemas ligados à tendência de seu desenvolvimento, afirma Lilian Casatti, pesquisadora e professora assistente do Departamento de Zoologia e Botânica, Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Tendo realizado pesquisas no estado de Rondônia recentemente, Lilian alerta que o desmatamento da região gerou consequências negativas ao ambiente.

“A regra por lá sempre foi desmatar para produzir. Por isso, a taxa de desmatamento já foi considerada a mais alta do mundo. Hoje não mais, porque quase tudo o que podia já foi desmatado, resultando no fato de que a maioria das microbacias está completamente desprovida de vegetação florestal, os rios estão muito assoreados e alguns até mesmo secos”, afirma Lilian ao Epoch Times.

A professora diz que existem áreas preservadas na Amazônia brasileira, como terras indígenas e unidades de conservação protegidas por lei, mas que têm sofrido as consequências das perturbações que ocorrem no entorno.

“Nesse cenário, não se pode prever coisa boa. Sofrerão os ecossistemas naturais, mas também a população humana, que ficará sem água, sem peixe, sem os produtos da floresta”.

Além do impacto na região, a pesquisadora alerta que consequências disso estendem-se em todo país.

“Se os agricultores do Sudeste e Sul soubessem que a chuva que alimenta a colheita deles em boa parte é produzida na Amazônia, será que ainda assim eles apoiariam o desmatamento de grandes áreas amazônicas?” questiona.

Ictiofauna

Sendo suas pesquisas relacionadas com ecologia de peixes de riachos, a pesquisadora não tem dúvida de que a qualidade do habitat é a chave para a sobrevivência dos peixes. Nesse sentido, Lilian reafirma a importância das áreas nos arredores dos rios para manutenção dessa qualidade.

“Há décadas se conhece muito bem a importância das florestas, principalmente das matas ciliares, para o ambiente aquático. O maior desafio do Brasil como um todo é fazer com que o uso do solo para as atividades humanas seja feito com parcimônia e racionalismo. Sem isso, não há ambiente aquático que resista à sedimentação e diminuição de recursos”, afirma.

Visando a manutenção da qualidade da floresta e dos rios, a pesquisadora aponta que introduzir espécies não nativas pode ser perigoso.

“As pessoas que criam leis que favorecem a introdução de espécies não nativas normalmente imaginam que estão fazendo um bem enorme à população ao permitir esse tipo de coisa. Porém, uma vez introduzida, nunca se consegue eliminar uma espécie não nativa, a não ser que toda a fauna e flora local seja autoclavada. É nocivo, danoso ao extremo, promover esse tipo de incentivo. E há projetos de lei tramitando neste sentido”, explica.

Outro desafio para conseguir manter a qualidade do habitat refere-se à poluição gerada pela agricultura.

“Conforme a agricultura tradicional vai se expandindo, vai carregando as dezenas de agrotóxicos e fertilizantes que nem sempre são usados com parcimônia. Esses contaminantes, via de regra, irão para os rios contaminar os peixes, que serão consumidos pelas pessoas”, diz Lilian.

Ciência versus Política

Como forma de sanar problemas no ecossistema, a professora diz que existem estudos ecológicos que mostram qual o melhor caminho a ser seguido. “Porém, um enorme desafio é a ciência vencer a política”, acrescenta.

Enquanto partidos políticos e pessoas com alto grau de influência que não têm conhecimento adequado sobre a natureza tiverem mais peso nas tomadas de decisões, a pesquisadora diz que muitos problemas podem ocorrer, como deslizamentos de terra, população com fome, sede ou doenças, devido à contaminação das águas com agrotóxicos.

“O Brasil vai perder a chance de explorar com racionalidade o seu capital natural (porque ele vai sumir) e ele vai ser conhecido no futuro como o ‘país que perdeu a oportunidade’’, conclui.

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