Pesquisa reaproveita cinzas de carvão para tratar efluentes têxteis

Foto aérea da Usina Beaver Valley, na Pensilvânia, mostrando a evaporação das grandes torres de resfriamento (EUA Nuclear Regulatory Commission)
Cinzas de carvão mineral (resíduos da indústria termoelétrica) geram um material alternativo eficiente para tratamento de efluentes. Foto aérea da Usina Beaver Valley, na Pensilvânia (EUA Nuclear Regulatory Commission)

SÃO PAULO – Uma pesquisa usa substância sintetizada a partir das cinzas de carvão mineral no tratamento de efluentes da indústria têxtil. O uso das cinzas proposto na pesquisa pode colaborar como solução alternativa da geração de resíduos, tanto na indústria termoelétrica como na têxtil.

As cinzas são resíduos gerados em grandes quantidades nas termoelétricas. Quando sintetizadas por um processo simples de água, calor e hidróxido de sódio – chamado de processo alcalino hidrotérmico -, as cinzas produzem uma substância chamada zeólitas.

“Essa síntese de zeólitas tem baixo custo e é um bom adsorvente. É o que a literatura chama de materiais alternativos”, disse ao Epoch Times a pesquisadora Tharcila Bertolini, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN-CNEN/SP) no Centro de Química e Meio Ambiente associado à Universidade de São Paulo (USP).

A síntese da cinza pode produzir zeólitas, que se revelaram como eficientes adsorventes no tratamento de efluentes, segundo a pesquisa (Imagem da internet)
A síntese da cinza pode produzir zeólitas, que se revelaram como eficientes adsorventes no tratamento de efluentes, segundo a pesquisa (Universidade de Kentucky)

Tharcila disse que, atualmente, existem na indústria têxtil muitos métodos de tratamento de efluentes. “A adsorção é uma técnica que se destaca”, aponta.

Atualmente, um adsorvente usado para tratamento de efluentes na indústria têxtil é o carvão ativado. “O estudo das zeólitas é uma  alternativa barata e eficiente no tratamento de águas residuais”.

O uso de cinzas, sem passar pelo processo de síntese, pode possuir mais elementos tóxicos do que as zeólitas, como “urânio, chumbo, zinco, arsênio, cádmio”, citou a pesquisadora. Assim, o processo de síntese se torna necessário para reduzir a quantidade de substâncias tóxicas presentes no adsorvente formado, “diminuindo o impacto no meio ambiente”. Tharcila apontou também que a característica da cinza varia dependendo da usina termoelétrica.

O trabalho está em andamento e foi apresentado nesta quinta-feira (23) no 4th Workshop International ‘Advances in Cleaner Production’. O congresso ocorre na Universidade Paulista (UNIP) em São Paulo desde quarta (22) e termina hoje (24).

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