Partido de Capriles diz que não participará de “farsa eleitoral da ditadura de Maduro” (Vídeo)

Queixa é de que Maduro se recusa a dar garantias de eleições livres e democráticas estabelecidas na Constituição

Por Anastasia Gubin, Epoch Times

O Comitê Nacional do Primeiro Justiça, partido político que apresentou Herrique Capriles às eleições presidenciais de 2012 e 2013, informou que “não participará da farsa eleitoral convocada pela ditadura de Nicolás Maduro”. Horas antes, o partido Um Novo Tempo também decidiu não participar das eleições.

Além da inconstitucionalidade, uma das últimas queixas da oposição é que Maduro teria proibido instalar cartórios de registro eleitoral onde a maioria é de oposição.

Em janeiro, o ditador do regime socialista, Nicolás Maduro, anunciou o que ele chamou de eleições presidenciais de 2018 na Venezuela para o dia 22 de abril, a fim de perpetuar-se no poder. Com poucas exceções, como o adoecimento e a morte de Chávez, as eleições são sempre realizadas em dezembro. Além disso, o anúncio das eleições, que deveria ter sido feita seis meses antes da data, não passou pela Assembleia Nacional legalmente constituída.

Primeiro Justiça disse que sua decisão de não participar foi tomada “para atender à necessidade de responder a isso de forma coerente e de acordo com a Constituição Nacional, com valores e princípios democráticos”.

Em um comunicado publicado nas redes sociais em 19 de fevereiro, o partido afirma que a ditadura de Maduro se recusa a dar garantias de eleições livres e democráticas estabelecidas na Constituição Nacional.

“Das eleições ilegalmente convocadas pela Comissão Nacional Eleitoral em 22 de abril, decidimos não participar, por se tratar de um processo fraudulento”.

Além disso, o partido declarou que “formou-se uma Frente Ampla, juntamente com todos os setores da sociedade venezuelana que já expressaram sua rejeição à farsa eleitoral convocada pelo regime de Nicolás Maduro”.

O partido também esclarece que não deixará de votar porque o voto é necessário para mudar a Venezuela, porém “hoje no país não há condições necessárias para participar de eleições presidenciais”.

“Nós já passamos pelo engano da Assembleia Nacional Constituinte, onde nossa decisão foi a de não validar a fraude”, disse ele, referindo-se à eleição unilateral do regime, feita através de um processo ilegal, acrescentado ao fato de ter ignorado a Assembleia Nacional legalmente constituíde pelo voto democrático.

“Nós nunca nos prestaremos a fazer o jogo de uma ditadura que só se preocupa em permanecer no poder à custa do sofrimento de todos os venezuelanos”, acrescentou.

O governador de Zulia, Juan Pablo Guanipa, líder do Primeiro Justiça, disse: “Basta de enganos! (…) Sem condições eleitorais não será possível, e é por isso que #AssimNão participaremos”.

Entre as irregularidades enumeradas, Guanipa disse nesta semana que os supostos 531 casos de registro eleitoral que o governo diz ter no país para as eleições presidenciais não existem. Em Zulia, onde é governador, dos 61 lugares nomeados, apenas um está habilitado em La Barraca. Em outras palavras, pessoas de todo o estado teriam que se deslocar para aquele lugar para se registrar.

Por outro lado, Henrique Capriles, atual governador de Miranda, absteve-se de comentar diretamente a declaração. Desde 2017, o regime o impede de participar da atividade política.

Primeiro Justiça formou uma coalizão com a Mesa da Unidade Democrática (MUD) para apresentá-lo como candidato nas eleições presidenciais anteriores contra Chávez e Maduro, na qual ele obteve cerca de 50% dos votos. MUD denunciou fraude na recontagem de votos do regime socialista.

Em dezembro, a coalizão de oposição MUD absteve-se de participar das eleições municipais, e o regime assumiu o controle de 308 das 335 prefeituras do país.

Quando foram anunciadas eleições para abril, membros da oposição como o ex-governador Henri Falcón se candidataram.

No entanto, vivendo sob uma ditadura e com os principais líderes — Leopoldo López, Antonio Ledezma e Capriles — fora de cena, ainda que existam outros candidatos democráticos, os partidos de oposição não têm muitas chances de vencer.

López está na prisão há mais de 4 anos graças a um processo considerado fraudulento. Em 20 de fevereiro, a Assembleia Nacional emitiu uma declaração exigindo sua libertação.

O ex-prefeito de Caracas e duas vezes senador Antonio Ledezma, do partido Ação Democrática, depois de passar mais de 1.000 dias em prisão domiciliar, fugiu da Venezuela em novembro de 2017 e se exilou na Espanha. “Não há condições” para as eleições, disse Ledezma nas redes sociais.

Em busca de soluções, o reitor da Universidade Católica Andres Bello (UCAB), José Virtuoso, disse que os reitores universitários estão buscando criar uma Coalizão Nacional para sair da crise, e para tanto apresentaram um documento no fim de semana.

Eles não promovem a abstenção às eleições, mas a organização para participar das eleições presidenciais de outra forma, pela via constitucional. No entanto, ele reconhece que as condições não existem.

Quanto às eleições presidenciais convocadas por Maduro para permanecer no poder, ele disse que “as condições em que esse processo está se realizando são as mesmas que foram utilizadas para a formação da assembleia nacional constituinte e para a eleição de governadores e prefeitos; são processos viciados”, afirmou.

 
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