Militares e oposição não avançam em formação de governo de transição no Sudão

Opositores querem que o conselho soberano, nome dado ao grupo que comandará o país de forma provisória, seja composto por oito civis e sete militares. A junta, porém, quer sete representantes das Forças Armadas e só três civis

Por Al Nur al Zaki, Agência EFE

A principal coalizão de oposição do Sudão e a junta militar que assumiu o poder no país após derrubar o então presidente Omar al Bashir no último dia 11 não avançaram nas negociações para formar um governo de transição no país.

As Forças de Liberdade e Mudança deveriam se reunir neste domingo com o Conselho Militar Transitório para continuar exigindo uma maior participação de civis no governo de transição, mas o encontro não ocorreu e deve ser realizado somente amanhã (29).

Ontem, as partes chegaram a um acordo preliminar sobre a formação do governo de transição, mas ainda há divergências sobre a composição do conselho. A oposição quer que o grupo seja composto majoritariamente por civis, enquanto os militares defendem uma maior participação de integrantes das Forças Armadas.

Apesar dos desentendimentos, Ibrahim Ozman, líder da Associação de Profissionais Sudaneses, um dos grupos que fazem parte da coalizão de oposição, disse estar otimista quanto a um acordo.

Ozman explicou à Agência Efe que os opositores querem que o conselho soberano, nome dado ao grupo que comandará o país de forma provisória, seja composto por oito civis e sete militares. A junta, porém, quer sete representantes das Forças Armadas e só três civis.

As negociações, por enquanto, se limitam ao número de integrantes do conselho que deverá realizar as reformas democráticas exigidas pela população do Sudão e não foram propostos nomes para formá-lo.

Enquanto opositores e militares negociam uma saída para a crise, diversos oficiais da Polícia do Sudão e outros agentes de menor patente declararam greve. O objetivo do movimento é exigir melhores salários e uma maior parte do orçamento do governo para o órgão.

O porta-voz da Polícia do Sudão, general Hashim Mohammed Abdelrahim, disse em entrevista à rádio estatal do país que a greve é parcial, só afetando alguns serviços oferecidos pelo órgão e o tráfego em algumas áreas da capital do país.

A polícia foi um dos órgãos de segurança acusados de participar da repressão violenta contra os manifestantes que exigiram a saída de Bashir no poder. Os protestos começaram em dezembro do ano passado e continuam sendo realizados mesmo depois do golpe de Estado que derrubou o ex-presidente do cargo.

Segundo a oposição e organizações de direitos humanos, dezenas de pessoas morreram devido à ação dos agentes e centenas ficaram feridas. O governo não divulgou dados oficiais sobre as vítimas nos protestos que dominam as ruas do Sudão há quatro meses.

O diretor de Saúde do estado de Cartum, onde está a capital do país, Babakr Mohammed Ali, anunciou nesta semana que 53 pessoas morreram e 7,3 mil ficaram feridas nas manifestações.

 
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