Mil chineses protestam contra torres de transmissão

Manifestantes protestam contra a construção de uma torre de transmissão em Changsha, China, com faixas que dizem: “Rejeitamos a radiação! Rejeitamos nos tornar a próxima vila do câncer” (Weibo.com)

Mais de mil moradores de Changsha, uma cidade na província central de Hunan na China, saíram às ruas em 29 de julho sob um calor de 40ºC para protestar contra um plano do governo local de erguer torres de transmissão numa área densamente povoada da cidade.

O projeto veria uma série de torres de transmissão de média frequência, para serem usadas principalmente por emissoras de televisão, construída numa pequena colina no distrito de Furong, que fica no centro de Changsha. As torres ficariam a menos de 650 metros de distância das casas mais próximas. As autoridades responderam enviando a polícia de choque que dispersar os protestos.

Os manifestantes organizaram uma campanha online e nas ruas para bloquear o projeto. Eles usavam camisetas com os dizeres: “Construir as torres é matar as pessoas”. E exibiram faixas dizendo: “Sem direito à vida! Dezenas de milhares anseiam por abolir o projeto!”

Na campanha online, as mensagens tentaram retratar as preocupações específicas sobre as torres de difusão, ao invés de demandarem políticas mais amplas e assim permitir que as autoridades tivessem uma desculpa para retaliar. “Não queremos a democracia! Só queremos sobreviver”, afirmava um dos dizeres nos materiais publicitários elaborados pelos manifestantes.

Uma manifestante ferida devido à violência da polícia em Changsha, província de Hunan, China (QQ.com)

O argumento principal dos manifestantes – que a radiação eletromagnética emitida pelas torres de transmissão será gravemente prejudicial à saúde – é difícil de determinar. Pesquisas sobre o assunto foram publicadas em revistas e jornais científicos sugerindo que a proximidade de torres de transmissão pode afetar a saúde. A Agência de Proteção Radioativa e de Segurança Nuclear da Austrália, no entanto, diz que não há consenso científico de que tais transmissões sejam um risco à saúde.

Quaisquer que fossem as sutilezas da evidência científica, as autoridades locais chinesas não estavam dispostas a negociar com os manifestantes e simplesmente enviaram a polícia de choque. “Não recebemos uma resposta dos líderes, mas sofremos sobre a força da polícia especial e de seus cachorros furiosos”, dizia parte de uma mensagem divulgada online.

“A prefeitura enviou centenas de policiais militares, a polícia especial e também cães policiais”, disse um morador de Changsha, falando anonimamente por medo de represálias. “Ocorreu confronto físico. Um morador idoso foi espancado e teve uma costela quebrada. Outro idoso teve sangramento no ouvido após ser espancado. Ele estava cheio de sangue e ainda está hospitalizado.”

O morador disse que estavam “sentados em silêncio e armando as faixas” quando a polícia chegou. Ele disse que eles contataram a mídia local, mas nenhum jornalista foi cobrir o evento. Informações sobre o protesto surgiram na maior rede social da China, o Sina Weibo, mas não houve reportagens oficiais.

Protestos como os de Changsha ocorrem regularmente na China e com frequência são violentamente reprimidos pelas autoridades. Uma demonstração ocorreu em maio deste ano em Kunming, na província sulina de Yunnan, contra o plano para construir uma nova fábrica de produtos químicos. Milhares de moradores saíram às ruas, a polícia apareceu em peso e houve relatos de espancamentos.

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