Manifestação contra governo reúne mais de 2 milhões em todo Brasil

A manifestação de ontem atingiu uma dimensão enorme. Apenas no primeiro dia, o número de manifestantes ultrapassou o auge das manifestações realizadas em 2013, que reuniu em um dia (o mais cheio) cerca de 1 milhão de pessoas em todo o Brasil. Ontem, segundo a Polícia Militar, aproximadamente 1 milhão de pessoas reuniram-se apenas na Avenida Paulista, São Paulo. Somando com os manifestantes presentes nos outros estados e cidades, o movimento juntou mais de 2 milhões de pessoas.

Vestidos com as cores do Brasil e levantando bandeiras e cartazes, os manifestantes demonstravam o descontentamento com o governo atual. A corrupção na Petrobras, o Foro de São Paulo, a impunidade, a falência dos serviços públicos e a crise econômica estavam entre os principais motivos do protesto. A maioria dos manifestantes pleiteava o impeachment ou a renúncia da presidente Dilma, e um grupo minoritário expressava apoio à intervenção militar constitucional.

O protesto ocorreu nas 27 capitais e em 241 cidades do Brasil, inclusive fora do país. De acordo com a Polícia Militar, os estados que tiveram adesões mais expressivas, além de São Paulo, foram Brasília, Porto Alegre e Vitória, com 100 mil, Curitiba com 80 mil e Goiânia com 60 mil (150 mil segundo os organizadores).

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No Rio de Janeiro, a PM informou que o movimento reuniu cerca de 27 mil pessoas, porém os organizadores afirmaram que havia mais de 100 mil manifestantes. Em Campo Grande, a discrepância entre as duas estimativas foi maior ainda. Segundo a PM, o movimento reuniu 10 mil pessoas. Entretanto, de acordo com os organizadores, o protesto contou com cerca de 100 mil manifestantes.

No geral, o movimento foi pacífico no Brasil inteiro, e contou com a presença de crianças, jovens, idosos e famílias, de diversas classes sociais.

Paulo Batista, líder do Movimento Nacional Fora Dilma, movimento que ajudou os caminhoneiros, carreteiros e produtores rurais a se mobilizarem, tem certeza que as manifestações podem cominar no impeachment da atual presidente. Segundo ele, “o quadro político mudará em virtude do novo posicionamento dos populares, que deixaram de ser espectadores e se tornaram protagonista na luta por justiça. A maior oposição que o PT encontrou é o povo!”

Paulo acredita que o governo do PT comete mensalmente vários crimes tipificados, como o aparelhamento do judiciário, do legislativo federal, das estatais e da mídia. Para ele, “a Petrobras foi ‘estuprada’, nossa economia está sendo ‘violentada’, nosso povo padece enquanto nossas riquezas conquistadas com suor e sangue da população devem estar rendendo em contas bancárias do exterior a favor dos ‘ladrões’. Sofremos um estelionato eleitoral. Maldosamente, o PT usou de mentiras para ‘induzir’ uma parcela da sociedade”.

Segundo Ugo Medeiros, professor de geografia, a presidente Dilma “se elegeu (e hoje sabe-se) com dinheiro sujo da Petrobras e com uma agenda populista de bolsas. Os gastos aumentaram assustadoramente, os empréstimos do BNDES a Cuba e Venezuela foram mantidos com status ‘secreto’”.

“O país hoje não tem governança, a economia está em frangalhos, a política externa virou piada de mau gosto. O Brasil está a caminho de um abismo. Ano que vem chegaremos ao fundo do poço, o desemprego veio para ficar. A Dilma mostrou que não tem preparo, o seu Governo se mostrou o mais corrupto da história do Estado Moderno Ocidental”, afirmou Ugo.

Segundo Yony Lopes Silva, 54, professora, a parte financeira é o que mais atinge a população enquanto consumidores, mas em outras crises, com muito jogo de cintura e através de reivindicações, o povo conseguiu driblar as dificuldades.

Para Lucia, 46, autônoma, o PT e os partidos de esquerda deram um golpe no país, aparelhando as instituições, o que, segundo disse, faz parte de um plano do partido de dar um golpe comunista.

Silvia, 49, professora, disse que o que a levou às ruas no domingo é que o povo está sendo constantemente roubado, e que o atual governo não pode mais permanecer no poder. Disse que é a favor da intervenção militar constitucional e convocação de novas eleições, sem urnas fraudadas.

Nas redes sociais, o assunto foi o mais comentado. Até as 15h de ontem, no Twitter, foram publicados 680 twitts por minuto com hashtags contra o governo, superando os 480 durante o panelaço e os 370 quando da divulgação da lista dos políticos envolvidos no Petrolão.

Até o presente momento, o PT não informou sua posição a respeito das manifestações, solicitada pelo Epoch Times via telefone e email.

 
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